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Médio Oriente vive dias de convulsão: O futuro (dos cristãos) é uma incógnita
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Pode ser o princípio do fim dos regimes autoritários que têm vigorado no mundo muçulmano. Ou não. Após as manifestações que envolveram milhões de egípcios e que conduziram à queda de Mubarak, o movimento reivindicativo tem continuado a alastrar e hoje é difícil de perceber como vai ficar aquela zona do mundo daqui para a frente…Agora é a Líbia que está em convulsão extrema. Se o futuro por ali é uma incógnita, o amanhã dos cristãos é, então, uma enorme incerteza.

Depois do exemplo dos egípcios, a contestação popular também tomou conta das ruas do Bahrein, Líbia, Marrocos, Irão, Argélia, Tunísia, como se de um vírus se tratasse. Se algumas destas manifestações têm decorrido de uma forma mais ou menos pacífica, há casos em que a reacção dos regimes, por se sentirem ameaçados, tem provocado derramamento de sangue. É o caso da Líbia, onde já se contabilizaram mais de 200 mortos e mil feridos, na passada semana, só num dia de confrontos entre os manifestantes e as forças da ordem na cidade de Benghazi. No entanto, há relatos segundo os quais o número de mortos pode mesmo ser superior. Algo parecido tem ocorrido no Irão, com a concentração de milhares de pessoas nas instalações da Universidade de Teerão, mas desta vez a exigirem a morte dos líderes da oposição, depois de estes terem convocado manifestações de protesto contra o regime, situação que faz os observadores temerem uma subida da escalada da violência. Para já, morreram duas pessoas e há relatos de dezenas de feridos. Os confrontos também se verificaram no Iémen, havendo a registar para já três mortos e dezenas de feridos em consequência dos confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança em Aden, a principal cidade do Sul do país. Este movimento amplo de protesto que tem assolado o mundo árabe teve origem na Tunísia e culminou com a fuga do ex-presidente Ben Ali, que esteve 23 anos no poder. Da Tunísia ao Egipto, Irão, Iraque e agora também em Marrocos foi um passo. Aqui, no reino de Marrocos, foi convocada uma manifestação para o próximo dia 20 de Fevereiro. Aqui, como em todos os outros países, os manifestantes exigem reformas democráticas, eleições livres e melhoria das condições de vinda.

 

Que futuro?

Muitos analistas temem que esta onda de contestação possa vir a ser aproveitada para o endurecimento de alguns regimes, e o aproveitamento que possa vir a ocorrer por parte de facções mais radicais que sempre se beneficiam do caos reinante. As palavras de Ahmadinejad, líder do Irão, deixam antever que o futuro do Médio Oriente é claramente uma incógnita. Disse ele, comentando as manifestações no Egipto e a queda de Mubarak, que, "apesar dos desígnios complicados e satânicos (do Ocidente), surge um novo Médio Oriente, sem o regime sionista nem a ingerência norte-americana, um lugar onde não haverá espaço para as potências arrogantes" Recorde-se que o supremo líder iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, pediu a instauração de um regime islâmico na nação árabe. "Àqueles que não querem ver a realidade, vou esclarecer que um novo Médio Oriente está a nascer baseado no Islão, na religião e na democracia, com prevalência dos princípios religiosos", acrescentou Ahmad Khatami.
Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, numa primeira reacção aos acontecimentos nesta região do globo, afirmou que "ninguém pode manter indefinidamente o poder através da coacção", lembrando que "o mundo mudou" e que no Médio Oriente há uma "geração dinâmica disposta a agarrar a sua oportunidade". Sobre a repressão das manifestações por parte do regime iraniano, Barack Obama disse ser "irónico que o regime iraniano faça de conta que celebra o que aconteceu no Egipto, quando na realidade age em claro contraste com o que ali se passou, disparando e espancando pessoas". 


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Liberdade religiosa

A convulsão que percorre o mundo árabe levanta outro problema, igualmente preocupante: a segurança e a liberdade de culto para as minorias cristãs. Esta questão, a da liberdade religiosa, tem sido, aliás, tema recorrente por parte de Bento XVI, que na sua última mensagem a propósito do Dia Mundial da Paz – já marcado pelo alvorecer destes protestos de magnitude extraordinária –, falava da “liberdade religiosa” como “caminho para a paz”. Na sua longa mensagem abordou os aspectos mais relevantes da liberdade religiosa: a situação dos cristãos no Médio Oriente e em termos globais o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé”, reclamando para eles o direito sagrado à vida e a uma vida espiritual; liberdade religiosa e respeito recíproco.

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