A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) presta uma assistência vital na formação dos seminaristas para se tornarem os padres de amanhã. Os sacerdotes, especialmente os procedentes do país onde servem, desempenham um papel vital levando Deus aos cristãos que sofrem perseguição ou opressão.
Nalguns países, muitos católicos só vêem o padre uma vez por ano. Para eles, a celebração da Santa Missa é um acontecimento muito raro. Muitas vezes, o padre tem uma paróquia tão grande para servir que não consegue visitar todas as comunidades com a frequência desejada.
E para outros, a liberdade religiosa é algo que ganharam recentemente, após décadas de regimes ateístas. Os sacerdotes são vitais para alimentar as sementes da fé nessas áreas desertas espiritualmente.
A formação de seminaristas é uma parte crucial da missão da Fundação AIS, para aumentar o número de sacerdotes e, assim, servir as comunidades cristãs. Um em cada sete seminaristas de todo o mundo não poderia continuar os seus estudos sem a ajuda económica dos benfeitores.
Na Ucrânia, apesar da pobreza, os seminaristas estão felizes porque sabem o que fazem e o que querem. O Irmão Mykola sentia que “podia fazer algo maior por Deus do que ensinar apenas alemão ou inglês”. Gostava de ser professor, mas isso não o realizava. Sentia que Deus queria mais. Tinha esta sensação desde a sua infância, quando ia à missa com as avós Anna e Bohdana, clandestinamente, porque os comunistas na Ucrânia perseguiam os cristãos, especialmente os católicos.
Anna e Bohdana ensinaram-no a rezar e levaram-no ao Padre Mykola, que, tal como as avós, lhe semeou no coração o amor a Jesus e a Maria. Dessa semente dos primeiros anos nasceu a sua vocação.
A sociedade precisa urgentemente de padres – constata outro seminarista, o Irmão Mykhaylo. “Um padre é mais do que um soldado, do que um economista. Ele pode substituir todos, mas não pode ser substituído por ninguém.”
O Stephen, o Mykola e Mykhaylo fazem parte de uma lista de mais de 17.000 seminaristas pobres ou perseguidos que a Fundação AIS apoia em todo o mundo. Eles levam a presença real de Cristo a todos os povos, seja no Uganda, na Ucrânia ou noutros lugares.
Werenfried van Straaten, também ele sacerdote e fundador da AIS, partilhou e compreendeu como ninguém as necessidades e as preocupações dos seus irmãos no sacerdócio, e comprometeu-se a ajudá-los. Independentemente do local e das condições em que viviam, procurou sempre ajudá-los a superar as suas necessidades espirituais e materiais, para os fortalecer na sua vocação.
Desde o seu início, em 1947, a AIS tem apoiado centenas de milhares de sacerdotes e seminaristas em todo o mundo.
No Uganda – terra de mártires, terra de guerra, vive um povo cheio de esperança. Dificilmente haverá outro país em África onde as pessoas vivam tal contraste. O solo do Uganda está saturado do sangue de mártires cristãos. Os primeiros morreram há 125 anos. Também hoje há jovens a morrer pela sua fé, seminaristas que se recusam a prestar serviço no exército rebelde, a matar e a violar. Ou a Irmã Paula de Nossa Senhora das Dores que aos 31 anos foi assassinada a tiro por um soldado, em 1980. A morte de todos eles é testemunho que não foi nem será em vão! Quase metade dos 28 milhões de Ugandeses é católica. Diariamente são baptizadas mais de 1.000 crianças.
Stephen Kilama, seminarista de 16 anos, foi raptado por rebeldes juntamente com outros 40 alunos. Quase dois meses depois do sequestro, num momento de confronto entre os rebeldes e as tropas governamentais, por entre explosões de bombas e rajadas de metralhadoras, Stephen conseguiu escapar. Durante vários dias andou sozinho pela floresta sem encontrar uma única alma. Por fim, foi resgatado por um soldado do exército ugandês que o levou aos ombros até ao hospital mais próximo para receber tratamento. Já tinham perdido a esperança de que ele aparecesse.
“A minha família já tinha pedido a um sacerdote para celebrar uma missa pela minha alma”, conta Stephen. Os seus pais e os seis irmãos não queriam que ele regressasse ao seminário, mas Stephen fez a mala em segredo e regressou ao seminário sem avisar os pais, pois queria seguir o chamamento de Deus.
“Rezar era a única esperança”, disse Stephen depois da sua fuga. “Não restava mais nada. Não tinha terço e contava as contas pelos dedos. A oração era tudo. Tive que ver coisas que nunca pensei ser capaz de suportar. Deus faz milagres. Apenas com a força humana, teria sido impossível escapar a este inferno”. Actualmente, estão ainda desaparecidos 12 dos seminaristas raptados.
O Uganda é uma terra com futuro. Temem a guerra, a morte e o derramamento de sangue, mas também sabem que a fé ultrapassa o medo, dá alegria, mesmo em plena guerra e apesar da extrema pobreza. Um sinal de confiança no futuro são as muitas crianças. Elas marcam a imagem da missa dominical e das ruas.
Também nos campos de refugiados impõem esperança à miséria. A maioria destas crianças não sabem que são acompanhadas por cristãos de outras paragens, não só através da ajuda aos refugiados, mas também através de subsistência aos seminários.
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Tal como o testemunho dos mártires, as orações e o apoio concreto são um sinal do amor de Deus que não abandona os seus filhos, mas antes se preocupa com cada um deles.
O apoio aos seminaristas é uma prioridade da Fundação AIS, por isso, no início deste ano lançamos mais uma campanha para a qual continuamos a contar com a sua colaboração. Contribua! NIB: 0032 0109.00200029160.73
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