Na Primavera de 2009 combate-se encarniçadamente no Norte de Sri Lanka. As tropas governamentais atacam os últimos bastiões dos Tigres para a Libertação da Pátria Tamil (LTTE) que querem formar um Estado próprio. Em Maio de 2006 a União Europeia classificou os LTTE como organização terrorista e em Julho de 2006, o Governo de Colombo lançou a sua primeira ofensiva contra os separatistas. Mahinda Rajapakse, o presidente do Sri Lanka, eleito em Novembro de 2005, pronunciou-se na campanha eleitoral a favor do fim das negociações e de uma solução militar para o conflito. Evidentemente, sabia que também haveria vítimas.
Na Primavera de 2009 foram afectadas centenas de milhares de pessoas, mulheres, homens, crianças, jovens e idosos, na zona do conflito. O Comité Internacional da Cruz Vermelha fala de uma “catástrofe humanitária inimaginável”. Contudo, o presidente do Sri Lanka ignora as reivindicações de um cessar-fogo, porque se propôs pôr definitivamente fim aos LTTE. Os confrontos continuam. Em meados de Maio de 2009, Rajapakse afirma que a guerra civil, iniciada no início dos anos oitenta, terminou. O terrível balanço é de mais de 100.000 mortos (30.000 só em 2009), além de muitos feridos e pessoas traumatizadas pela guerra. Mas estes não são dados fiáveis.
O campo de batalha está vedado com fitas amarelas que chamam a atenção para as minas anti-pessoais com imagens de caveiras e em três línguas: inglês, cingalês e tamil. Enquanto se vão eliminando as minas, as razões do conflito continuam por se resolver. Os separatistas sofreram uma derrota definitiva evidente, mas ainda não reina a paz. Continua a existir um abismo entre o Norte e o Sul, entre a minoria tamil e a maioria cingalesa.
Quem fala com os tamiles no Norte percebe a frustração e a raiva em relação aos “ocupantes” do Sul. Um ano após o fim dos confrontos armados, muitos milhares de pessoas continuam a viver em campos de deslocados. Os que conseguiram regressar encontraram as suas casas e bens destruídos. Estas pessoas perderam tudo o que tinham. As ajudas de reconstrução são escassas e, à excepção da ONU e da Cruz Vermelha, as organizações de ajuda do estrangeiro não são bem vistas pelo Governo. O exército pretende exercer um controlo exaustivo e está muito presente em todos os lados. Na maioria são jovens soldados do Sul que não falam tamil e exibem uma força que poderia tornar-se debilidade. Se as autoridades e os governantes não conseguirem ganhar o coração das pessoas, será apenas uma questão de tempo até ao regresso do terror e da violência.
Sri Lanka significa “país honrado”. Esta ilha do Sul do sub-continente índio é um paraíso tropical com uma flora, fauna e praias de sonho riquíssimas. Contudo, sem um processo de reconciliação e uma aproximação política, o futuro é incerto e o Sri Lanka continuará a ser um El Dorado sem brilho. Mas há uma minoria que poderia contribuir para a resolução do conflito: a Igreja Católica, que desempenha um papel especial neste país tão jovem e variado do ponto de vista étnico, cultural, linguístico e religioso.
O motivo é que os cingaleses e os tamiles não se distinguem apenas pela origem, cultura e língua, mas também pela religião. Os cingaleses são maioritariamente budistas, e os tamiles, maioritariamente hindus, mas ambas as populações têm um considerável número de católicos. Com uma população total de mais de vinte milhões de habitantes, os 1,5 milhões de católicos podem parecer um número pequeno, mas a verdade é que, devido às inúmeras iniciativas sociocaritativas, entre outras razões, a Igreja Católica beneficia de uma presença e de um reconhecimento notáveis neste país. Entre os onze bispos católicos do Sri Lanka predomina a opinião de que, para uma paz duradoura, é imprescindível uma reconciliação unida a um sólido acordo político, e os bispos querem contribuir para este processo.
Em Maio de 2010, o Arcebispo de Colombo, D. Malcolm Ranjith, convidou os grupos religiosos e as confissões cristãs para uma primeira ronda de conversações, com o objectivo de contribuir para a resolução do conflito de uma posição comum. Uma visita às zonas afectadas pela guerra poderia ajudar a obter uma ideia mais exacta da situação que a população do Norte atravessa, de acordo com D. Ranjith perante representantes da AIS. Se todas as religiões agissem unidas dariam um sinal claro em favor da paz e da reconciliação aos governantes.
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