O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, destacou a importância de evangelizar “não só com palavras, mas também com ações de coerência, com ações de serviço, com dedicação e com partilha”, na Missa do centésimo Dia Mundial das Missões (1926-2026), celebrada na manhã deste Domingo, 18 de outubro, na Igreja de Santa Maria, em Agualva, Cacém.
Na saudação inicial, o Patriarca recordou que, há cem anos, a Igreja dedica um dia particular à comunhão com aqueles que desenvolvem a ação missionária e a evangelização. A celebração, acrescentou, é uma oportunidade para reconhecer que a missão não se limita aos sacerdotes e religiosos que trabalham em países distantes. “Todos os cristãos são missionários, todos os membros da Igreja são missionários, porque a Igreja, ela própria, é missionária”, salientou, no início da Missa. Na celebração que teve transmissão em direto na TVI, D. Rui Valério partiu da mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Missões, intitulada ‘Um em Cristo, unidos na missão’, para recordar que a evangelização tem Cristo como centro e exige o envolvimento de toda a comunidade cristã. “Em primeiro lugar, um em Cristo. Significa que a missão, a ação missionária da Igreja é sempre com Cristo, a partir de Cristo e em vista de Jesus Cristo. Ele é a grande causa da missão”, afirmou, na sua homilia. O Patriarca sublinhou igualmente que a missão não pode ser entendida como uma iniciativa individual, mas como uma responsabilidade partilhada por todos os membros da Igreja. “A missão da Igreja é sempre a realização da sua vocação comunitária. Aquilo que prevalece é sempre o nós”, declarou. O missionário deve saber escutar e ir ao encontro Refletindo sobre o Evangelho, o Patriarca apresentou Jesus Cristo como modelo de disponibilidade e de proximidade, salientando que o missionário deve estar preparado para acolher as pessoas, escutar as suas perguntas e ir ao encontro das suas necessidades. “O missionário é isso mesmo. O missionário é aquele que não foge, é aquele que se deixa encontrar. E na maior parte das vezes o missionário é aquele que vai ao encontro, ao encontro de quem necessita”, afirmou. D. Rui Valério esclareceu que essas necessidades não são apenas materiais, como a alimentação, o vestuário ou os medicamentos, mas incluem também a necessidade de encontrar sentido para a vida e razões para manter a esperança. “Eis quem é o missionário, aquele que, portanto, se deixa encontrar e que vai ao encontro”, acrescentou. O Patriarca destacou ainda a importância de escutar as interrogações e as dúvidas dos outros, mesmo quando estas surgem de situações de conflito ou de intenções pouco claras. A atitude de Jesus, explicou, permite reconhecer as inquietações mais profundas de cada pessoa e criar condições para que esta se abra a uma nova compreensão da vida. “Nós trazemos a imagem do próprio Deus” A partir do episódio evangélico da moeda com a imagem de César, D. Rui Valério convidou os fiéis a refletirem sobre a identidade e a dignidade de cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. “E em nós, nós trazemos ou não trazemos a imagem de alguém em nós próprios? Nós trazemos a imagem do próprio Deus. Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus”, afirmou. Para o Patriarca de Lisboa, esta consciência permite compreender que a vida humana não pertence aos poderes deste mundo, mas encontra em Jesus Cristo a sua referência fundamental. “Então, se essa imagem está em nós, nós de quem somos? Quem é o Senhor da nossa vida? É Jesus. E por isso nós a Ele pertencemos. Não pertencemos a nenhum poderoso do mundo, nós pertencemos a Jesus”, declarou D. Rui Valério, acrescentando que esta perspetiva permite também reconhecer a presença de Deus na história e nos acontecimentos da vida. Evangelizar com palavras e obras Na parte final da homilia, o Patriarca centrou a reflexão na responsabilidade de cada cristão de tornar o Evangelho visível através das suas atitudes e escolhas quotidianas. Recorrendo às palavras de São Paulo, recordou que o anúncio cristão não se faz apenas através da pregação, mas também por meio de obras e da ação do Espírito Santo. “Que seja verdade que o anúncio que nós fazemos do Evangelho seja não só com palavras, mas também com ações de coerência, com ações de serviço, com dedicação e com partilha, com este sentido pela justiça, com esta promoção da paz”, apelou. D. Rui Valério salientou ainda que a missão da Igreja tem no Espírito Santo o seu verdadeiro autor e que a vocação missionária implica uma entrega pessoal ao serviço da humanidade. “A nossa verdadeira vocação não é apenas aquela de dar, mas é aquela de nos darmos, de sermos, nós próprios, doação de Deus para a humanidade, como foi Jesus”, realçou. “O verdadeiro missionário é esse. É aquele que oferece não coisas, mas oferece-se a si mesmo”, concluiu, pedindo a Deus graças e bênçãos para que a Igreja seja cada vez mais missionária.![]() |
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