Lisboa |
Missa e procissão das velas
Patriarca em Atouguia da Baleia com Nossa Senhora de Fátima: “Maria ajuda-nos a ser nós mesmos, a aceitarmo-nos”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu, na noite de 13 de outubro, à Missa de despedida da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima da Paróquia de São Leonardo de Atouguia da Baleia, sublinhando que a presença de Maria ajuda cada pessoa a reencontrar-se com a sua verdade e a viver sem medo. “Perante Maria, reencontramo-nos na verdade de nós próprios”, afirmou, na celebração que assinalou os 109 anos da última aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, na Cova da Iria.

Na Igreja Matriz de São Leonardo, completamente lotada para acolher Maria, o Patriarca D. Rui Valério começou por destacar, na sua homilia, a relação de proximidade com Nossa Senhora, que permite a cada pessoa apresentar-se sem disfarces, medos ou receios de julgamento. “Perante Maria, nós temos a possibilidade de experimentar, de reencontrar, de nos reencontrarmos na mais profunda e autêntica verdade de nós próprios”, afirmou.

O Patriarca contrapôs esta experiência à necessidade de, muitas vezes, esconder sentimentos e dificuldades nas relações quotidianas. “Perante os outros, e às vezes estes outros até são pessoas lá da nossa casa, com quem nós andamos diariamente, de manhã à noite, perante eles, quantas vezes nós necessitamos de máscaras, de fingir, mas na presença de Maria nós mostramo-nos ao natural, no nosso estado”, disse.

Para D. Rui Valério, esta relação filial com Maria ajuda a pessoa a aceitar-se como é. “Nossa Senhora ajuda-nos a que cada um se reencontre verdadeiramente com aquilo que é, sem receio, sem vergonha, sem preconceitos e sem temor de qualquer condenação que possa daí advir”, realçou, identificando nesta experiência “o princípio da liberdade”.

 

Fátima e o horizonte da eternidade

O Patriarca de Lisboa relacionou a mensagem de Fátima com a esperança cristã na vida eterna, recordando que as aparições de 1917 colocaram o Céu no centro do diálogo de Nossa Senhora com os Pastorinhos. “Significa que Nossa Senhora nos veio recordar que nós não somos para a morte, nós não somos para a sepultura, nós não somos para o cemitério, mas nós somos para a eternidade, para o céu, para o infinito”, garantiu.

A partir da imagem bíblica de “uma Mulher revestida de sol”, D. Rui Valério evocou também a centralidade de Jesus Cristo na vida cristã. Recordando o relato da sua avó Júlia, que presenciou os acontecimentos de 13 de outubro de 1917 na Cova da Iria, o Patriarca destacou a memória do sol que, segundo o testemunho dela, marcou profundamente a sua vida. “Para ti cristã, para ti cristão, quem é o sol? Não estou a perguntar o que é o sol, estou a perguntar quem é que é o sol que resplandece, quem é que é o sol que nos dá a luz? Quem é que é o sol que nos dá a vida? Quem é este sol para nós? É Cristo”, afirmou.

Na leitura espiritual deste episódio, o Patriarca apresentou Cristo como Aquele que se aproxima de cada pessoa e transforma a sua vida. “Jesus Cristo é aquele Sol que te reveste, que te envolve. É aquele Sol que verdadeiramente se aproxima de ti, te aconchega”, assegurou, convidando os fiéis a não levantarem obstáculos a essa presença.

 

A oração pela paz e a construção de uma Igreja próxima

Na Atouguia da Baleia, D. Rui Valério sublinhou ainda que o encontro com Cristo deve traduzir-se numa transformação concreta da vida, capaz de romper com a indiferença, o materialismo e os vícios. “Este sol transformou a terra”, recordou, recuperando a expressão utilizada pela avó ao descrever o que testemunhou em Fátima. E acrescentou: “É o que Cristo faz na nossa vida. Quando chega, nada fica como antes”. O Patriarca apresentou esta transformação como parte essencial da mensagem de Fátima: “É a mensagem de Fátima: deixa-te transformar por Cristo”.

Na homilia, o Patriarca recordou também o apelo de Nossa Senhora à oração do terço pela paz, relacionando-o com a necessidade de construir caminhos de encontro e reconciliação entre as pessoas e os povos. “O caminho de aproximação do homem pelo homem, do ser humano pelo ser humano, o caminho da aproximação das nações com as outras nações, dos países com outros países, o caminho passa necessariamente por subir até Deus, caminhares com Deus”, frisou.

Segundo D. Rui Valério, é a presença de Deus que torna possível a reconciliação: “Só quando Ele está presente, se rasgam no horizonte da nossa existência e da existência no mundo, caminhos, carreiros, estradas, vias, remates de reconciliação com o outro”.

O Patriarca evocou igualmente a mobilização das primeiras comunidades que se organizaram para construir estruturas de acolhimento e oração em Fátima, com particular atenção aos doentes. A partir dessa memória, sublinhou que a reconstrução do mundo exige o compromisso de todos. “A reconstrução do mundo também tem que ser um bocadinho assim. Não é obra de uma pessoa só, mas é obra de uma família ou de famílias”, considerou.

Esta experiência, explicou, ajuda a compreender a missão da Igreja e a vida das comunidades paroquiais. “A Igreja está no mundo para gerar e para criar condições de aproximação a Deus. Condições para que as pessoas possam louvar e viver a sua fé, possam louvar o Senhor”, declarou.

No final da celebração, o Patriarca confiou a Nossa Senhora as orações e a vida da comunidade, agradecendo a noite vivida em conjunto.

 

Pároco agradece dias de fé e renovação espiritual

No agradecimento final, o novo pároco de São Leonardo de Atouguia da Baleia, Padre Francisco Cambenje, que tomou posse no passado dia 13 de setembro, destacou os frutos espirituais da presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima na comunidade paroquial.

“Ao longo destes dias, vivemos momentos de muita alegria, momentos de fé, momentos de renovação espiritual, de encontro com Jesus Cristo, por meio da presença, da intercessão da Mãe de Jesus e nossa Mãe”, afirmou o sacerdote do Missionários de Nossa Senhora de la Salette (Saletinos), de 44 anos.

 

Procissão das velas

Após a Eucaristia, centenas de pessoas participaram na procissão das velas pelas ruas de Atouguia da Baleia, que teve início na Igreja Matriz de São Leonardo e terminou no Largo de Nossa Senhora da Conceição.

A celebração de despedida e a procissão das velas marcaram o encerramento da visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à paróquia, num dia em que a comunidade assinalou também o aniversário da última aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, em 13 de outubro de 1917.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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