Lisboa |
Patriarca benze memorial aos pescadores do naufrágio do ‘Benito’
“Eles construíram o Céu aqui na terra”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, benzeu neste Domingo, 11 de outubro, o Memorial de Homenagem às Vítimas do Naufrágio da embarcação ‘Benito’, em Peniche, enaltecendo o trabalho dos pescadores como serviço à comunidade e expressão de entrega aos outros. “É um dia de memória, de saudade, mas é um dia de esperança”, afirmou, ao homenagear os sete pescadores que morreram no naufrágio da traineira, em 1977.

No final da tarde, o Patriarca de Lisboa benzeu o Memorial de Homenagem às Vítimas do Naufrágio da embarcação ‘Benito’, instalado no Revelim dos Remédios, em Peniche, 49 anos após a tragédia que vitimou sete pescadores. A cerimónia contou com a presença de familiares dos pescadores falecidos e de numerosos populares.

O memorial homenageia Vicente Pedro Cativo, António Serpa, Laureano Henriques Serpa, Joaquim Martins Borrego, António Madeira Batista, Félix Encarnação Azevedo e Américo José Pedro, os sete homens que perderam a vida no naufrágio. O acidente ocorreu a 30 de setembro de 1977, pelas 23h10, junto à costa dos Remédios, quando a traineira ‘Benito’ foi despedaçada contra as rochas, numa noite de nevoeiro cerrado.

A iniciativa foi promovida pelo Município de Peniche e pela Comissão Pró-Memorial do Naufrágio do Benito, com o objetivo de perpetuar a memória das vítimas e prestar homenagem às suas famílias, aos sobreviventes e à comunidade piscatória.

 

“Peniche diz-lhes: ‘Não vos esquecemos’”

Na cerimónia de inauguração, após diversos testemunhos, o presidente da Câmara Municipal de Peniche, Filipe Sales, destacou a importância da criação do memorial e o significado da presença do Patriarca de Lisboa junto das famílias e da comunidade. “A sua presença junto das famílias e da nossa comunidade é para nós um sinal de proximidade, solidariedade, e de respeito pela sua memória”, realçou.

O autarca sublinhou que o monumento pretende ser “um lugar de respeito, de oração, de memória e de encontro”, evocando o significado do naufrágio para a história local. “Hoje, Peniche diz-lhes, de forma simples e para sempre: ‘Não vos esquecemos’”, declarou Filipe Sales, dirigindo também uma palavra de solidariedade às famílias e aos sobreviventes.

 

Esperança

Antes da bênção e inauguração do memorial, o Patriarca de Lisboa presidiu à Missa de homenagem aos pescadores, no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Na saudação inicial, dirigiu uma palavra de proximidade aos familiares das vítimas, destacando a importância de viver a saudade e a memória à luz da esperança.

Na homilia da celebração, D. Rui Valério destacou o contributo dos pescadores para a comunidade e interpretou o seu trabalho e sacrifício à luz da fé cristã, sublinhando que a sua missão era garantir alimento às famílias. “Eles construíram em vida o Céu aqui na terra”, afirmou o Patriarca, referindo-se aos homens que enfrentaram “este mar tantas vezes agreste, este mar perigoso, este mar que é capaz de levar tudo a um homem, inclusivamente a própria vida”. “Mas nunca o fizeram para eles. Foi sempre pela comunidade. Foi sempre para garantir alimento à humanidade, às pessoas”, acrescentou.

Para D. Rui Valério, o testemunho destes pescadores permanece como uma mensagem para a comunidade. “Por isso, estes irmãos que em vida construíram o Céu, encontram-se agora no Céu que lhes é oferecido por Deus”, afirmou.

O Patriarca destacou ainda a dimensão de esperança da homenagem, afirmando: “É um dia de memória, de saudade, mas é um dia de esperança”.

 

A fé como comunhão entre os vivos e os falecidos

Na reflexão, D. Rui Valério evocou a esperança cristã na vida eterna e a comunhão entre os que permanecem na terra e aqueles que já partiram. “Quando nós celebramos a Eucaristia, quando nós recordamos os nossos entes queridos numa celebração eucarística, não estamos só a rezar pelos nossos entes queridos, a pedir pelos entes queridos, mas a oração da Eucaristia é uma oração não só pelos entes queridos, mas também com eles”, garantiu.

O Patriarca sublinhou ainda que a memória dos sete pescadores continua presente na comunidade e nas famílias, salientando que a passagem do tempo não apagou os laços de afeto. “Se é verdade que eles nunca foram esquecidos, não obstante os 49 anos que já passaram, também é verdade o inverso. Eles também nunca nos esqueceram. E por isso são nossos intercessores junto de Deus”, declarou.

D. Rui Valério recordou também a relação particular de Jesus com os pescadores, lembrando que vários dos primeiros discípulos eram homens ligados ao mar. “É por isso que ser pescador é uma profissão que para a Igreja é sempre, sempre abençoada. É enfrentar o perigo pelos outros. É enfrentar o perigo para que na mesa dos portugueses, na mesa das famílias, não falte alimento”, frisou.

A celebração terminou com o agradecimento do pároco de Peniche, Padre Ivo Santos, à Câmara Municipal, à comunidade piscatória, às famílias e ao Patriarca de Lisboa pela participação na homenagem.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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