Acolher, escutar, acompanhar e criar relações foram algumas das palavras-chave dos sete workshops do Encontro Diocesano de Lançamento do Ano Pastoral 2026-2027. A partir de diferentes realidades – das comunidades escolares às famílias, dos jovens aos adultos afastados, das pessoas em situação de fragilidade a quem participa na Missa sem pertença comunitária –, mais de 300 participantes procuraram caminhos concretos para tornar as comunidades mais próximas, abertas e capazes de anunciar o Evangelho.
No complexo da Senhora da Boa Nova, no Estoril, que incluiu o auditório e o colégio, a tarde do Encontro Diocesano de Lançamento do Ano Pastoral 2026-2027 foi marcada pela realização de sete workshops, subordinados à questão geral ‘Como podemos tornar a comunidade mais evangelizadora para...?’, seguida de um plenário de partilha das principais conclusões. Na abertura do plenário, após a realização dos sete workshops, o diretor do Secretariado da Ação Pastoral (SAP), Cónego Rui Pedro Carvalho, explicou que o trabalho realizado pretende ser mais do que uma reflexão circunscrita ao encontro diocesano. “Aquilo que nós estivemos a fazer esta tarde no fundo é só um ponto de partida”, afirmou, apontando a possibilidade de repetir esta reflexão “nos nossos conselhos pastorais paroquiais, nas nossas vigararias, paróquias, movimentos”. Acompanhado de Pedro Viana, o responsável adiantou ainda que o SAP irá enviar as sínteses dos trabalhos a todos os participantes, para permitir “uma noção mais completa do que cada grupo esteve a fazer” e favorecer “a partilha”. O objetivo será levar as questões levantadas nos workshops para o concreto das diferentes realidades eclesiais da diocese. Comunidades escolares: proximidade e iniciativa O primeiro workshop, dedicado às comunidades escolares, sublinhou a importância de uma relação próxima e proativa entre as comunidades cristãs e as escolas. Entre as propostas apresentadas estiveram atividades com impacto na comunidade escolar, como campos de férias, e a valorização do testemunho e do acolhimento através das relações entre pares. A síntese, apresentada por Pedro Viana a partir do trabalho coordenado por João Clemente, destacou a necessidade de “não ficar à espera, mas conhecer esta realidade escolar”. Foi também defendida uma postura espiritual marcada por um testemunho “autêntico e alegre e sem medo”, bem como pelo aprofundamento da fé e pelo fortalecimento dos laços dentro das próprias comunidades. Pais, crianças e jovens: acompanhar através da relação O segundo grupo, acompanhado por Sofia e Bruno Jesus, refletiu sobre a evangelização de pais de crianças, adolescentes e jovens ligados à catequese, escuteiros e colégios. O trabalho foi organizado em cinco dimensões: o acolhimento, o conhecimento, a relação, a transmissão da fé e a comunidade. Entre as propostas surgiram atividades que envolvam pais e filhos, momentos de convívio e iniciativas destinadas especificamente aos pais enquanto as crianças estão na catequese. Foram ainda apontadas experiências comunitárias, como peregrinações, momentos de oração e encontros de pais. Na síntese apresentada pelo Cónego Rui Pedro Carvalho, foi valorizada a criação de oportunidades para “aproximar os pais” e construir um caminho conjunto de transmissão da fé e de integração comunitária. Batismos, casamentos e funerais: oportunidades de acolhimento As famílias que procuram a Igreja em momentos importantes da vida, como batismos, casamentos e funerais, foram o centro do terceiro workshop, dinamizado com Sandra e Rui Ramos, casal responsável pela Pastoral Familiar de Lisboa. O grupo identificou estas ocasiões como “oportunidades únicas”, precisamente porque permitem contactar com famílias disponíveis para ser acolhidas. O acolhimento e a escuta foram apontados como prioridades, tendo em conta que muitas destas situações são marcadas pelo sofrimento ou pela procura de uma tradição familiar. Entre as propostas esteve o reforço da dimensão comunitária dos batismos, nomeadamente através de celebrações com várias crianças, e a procura de melhores condições para os funerais. A síntese sublinhou ainda a necessidade de acompanhar as famílias para além da celebração, evitando que estes momentos fiquem desligados da vida comunitária. Universitários e jovens profissionais: mais comunidade e acompanhamento A evangelização dos universitários e jovens profissionais esteve no centro do quarto workshop, com a participação do Padre Miguel Vasconcelos, diretor do Setor da Pastoral Universitária. Uma das principais conclusões foi a necessidade de passar de uma lógica centrada em atividades isoladas para uma aposta em “comunidades, amizades e acompanhamento pessoal”. O grupo identificou também um “grande desafio pastoral” na passagem da universidade para a vida profissional. A aproximação do cristianismo às diferentes áreas académicas e profissionais foi outra prioridade, juntamente com a valorização da amizade, do voluntariado, das peregrinações, das missões, da oração e do convívio como portas de entrada para a fé. Foi ainda defendida uma maior articulação entre paróquias, movimentos e diocese, bem como uma comunicação capaz de chegar aos jovens mais afastados. Adultos afastados: primeiro anúncio e acompanhamento pessoal O quinto workshop abordou a aproximação aos adultos afastados da prática cristã, tendo como referência a necessidade de criar caminhos de primeiro anúncio, acompanhamento e integração. Segundo a síntese apresentada por Pedro Viana, é necessário “não focar em núcleos, mas sobretudo nas pessoas e no acompanhamento”. O grupo coordenado por Nuno Guedes destacou que, muitas vezes, o primeiro contacto com a Igreja acontece através de uma pessoa concreta, capaz de estabelecer uma relação e de ajudar a “encurtar distâncias”. O acolhimento, a arte e outras iniciativas abertas foram apontados como formas de criar experiências significativas de encontro com Jesus. Para a continuidade do caminho, foram sugeridos grupos pequenos e convites pessoais, incluindo o acompanhamento individual por parte dos párocos. Solidão e fragilidade: escutar, visitar e estar presente O sexto grupo refletiu sobre a evangelização das pessoas em situação de solidão ou fragilidade, com a participação do assistente da Cáritas Diocesana de Lisboa, Frei Tibério. Segundo o Cónego Rui Pedro, a reflexão partiu de uma afirmação do próprio grupo: “Antes de nos atirarmos para ajudar os outros, acho que há que escutar a fragilidade que existe dentro de nós e agir a partir daí para que ninguém se sinta sozinho”. Entre os compromissos assumidos estiveram a visita a doentes, idosos e pessoas acamadas, a disponibilidade para conversar e a criação de relações de proximidade. “Ouvir sem pressa e sem olhar para o relógio” foi outra das atitudes destacadas. O grupo apontou ainda a necessidade de maior disponibilidade para os idosos das comunidades, de recurso à Cáritas quando necessário e de compromissos assumidos comunitariamente. Quem vai à Missa, mas não pertence: acolher para criar comunidade O último workshop centrou-se nas pessoas que participam na missa dominical, mas não têm uma pertença comunitária. Com Teresa e João Maltez, o grupo destacou desde logo que não existe um perfil único destas pessoas, sendo necessário conhecer as suas histórias, percursos e necessidades. “A importância que os convites sejam pessoais e concretos” foi uma das conclusões apresentadas por Pedro Viana. Foram também valorizados os pequenos convívios, grupos informais e relações de proximidade como formas de ajudar a criar sentido de pertença, sem reduzir a integração comunitária à atribuição de serviços ou tarefas. O grupo deixou, por fim, uma questão dirigida às próprias comunidades: “Se todos os que vêm à Missa se tornassem mais comunidade, estaríamos preparados para os acolher?”. A resposta passa, segundo as conclusões apresentadas, por avaliar a capacidade real de acolhimento, criar espaços de proximidade e favorecer um encontro pessoal com Cristo. O novo ano pastoral tem como tema ‘Vinde e vede’ e insere-se no horizonte do Plano Pastoral 2026-2033, centrado na afirmação de Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6).![]() |
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