Na intervenção sobre o tema ‘Recomeçar juntos: re(aprender) a caminhar, pensar e fazer juntos’, durante o Encontro Diocesano de Lançamento do Ano Pastoral 2026-2027 que está a decorrer nesta segunda-feira, 5 de outubro, no Estoril, D. Alexandre Palma, Bispo Auxiliar de Lisboa, sublinhou a necessidade de colocar a pessoa de Jesus Cristo “no centro da ação pastoral” e de assumir a “condição discipular” de toda a Igreja.
No Auditório Senhora da Boa Nova, mais de 300 pessoas participam no encontro, convocado pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, sob o tema ‘Recomeços’. Após a oração da manhã e a abertura, na intervenção sobre o tema ‘Recomeçar juntos: re(aprender) a caminhar, pensar e fazer juntos’, D. Alexandre Palma sublinhou: “Peço-vos a absoluta centralidade da pessoa de Jesus Cristo, do seu Evangelho, em tudo o que fizermos, rezarmos, propusermos”. O Bispo Auxiliar de Lisboa apresentou, assim, como primeiro critério para a ação pastoral a centralidade de Jesus Cristo, propondo que cada iniciativa seja submetida a uma pergunta fundamental: “Naquilo que fazemos, se e como Jesus é o foco desta iniciativa?”. “Estamos a fazer isto se e como Cristo é o centro do que estamos a fazer. Estamos a propor isto, se e como Cristo é o centro daquilo que estamos a propor?”, acrescentou. Para D. Alexandre Palma, esta questão deve conduzir a um verdadeiro discernimento sobre as iniciativas pastorais. “Se calhar a resposta é ‘sim’, ótimo. Se a resposta for ‘assim, assim’, então podemos fazer melhor. E se a resposta for ‘não’, se calhar não vale tanto a pena estarmos a insistir ou a gastar recursos, tempo, paciência, a consumir as nossas próprias relações sobre isto”. A centralidade de Cristo deve ser acompanhada, segundo o Bispo Auxiliar, pela consciência de que a Igreja é o “corpo de Cristo” e por uma atitude discipular. D. Alexandre Palma sintetizou estes três critérios como “a centralidade de Jesus Cristo”, “a eclesialidade, isto é, o sacramento da Igreja, corpo de Cristo” e uma “Igreja discipulada”. “Não podemos trabalhar em silos” A reflexão partiu também das dinâmicas de grupo realizadas durante a manhã, para sublinhar a necessidade de uma maior articulação entre as diferentes áreas da pastoral. D. Alexandre Palma recorreu à imagem dos silos para descrever o risco de uma ação pastoral demasiado compartimentada: “Às vezes, nas nossas comunidades há o silo da liturgia, depois há o silo da catequese, depois há o silo do social, depois há o silo administrativo…” “Claro que o corpo tem muitos membros, mas é o corpo que dá identidade aos membros”, afirmou, defendendo a passagem “de uma pastoral de silos” para “uma pastoral de vasos comunicantes”. Neste contexto, lançou um desafio concreto às comunidades: “Que todos os grupos dos tais silos, ao longo deste ano pastoral, façam pelo menos uma iniciativa com outro grupo de área pastoral, pelo menos uma”. A proposta pretende favorecer a colaboração entre diferentes áreas, dando como exemplos a articulação entre juventude e vocações, juventude e ação social, ação social e catequese ou catequese e liturgia. “Vamos construir pelo menos um canal, um tubo transversal entre si”, apelou, propondo uma pastoral que possa ser comparada a “pão de mistura”, feita da integração dos diferentes dons e áreas da comunidade. Uma Igreja a caminho A condição de discípulo foi outra das ideias centrais da intervenção. Para D. Alexandre Palma, a Igreja não pode propor um caminho aos outros sem assumir ela própria esse caminho. “Aqueles que se abeiram da Igreja, aqueles que não se abeiram da Igreja, a quem queremos chegar, queremos desafiar um caminho de vida espiritual, um caminho de vida da Igreja, um caminho com o Evangelho, um caminho com Jesus”, afirmou. Mas, acrescentou, “temos que percorrer também” esse caminho. “Se queremos que os outros caminhem e queremos acompanhá-los, temos que estar minimamente treinados para saber andar”. Por isso, insistiu: “Não é credível propor caminho quem não se predispõe a tal”. E resumiu o desafio para a Diocese de Lisboa recorrendo às palavras do Papa Francisco: “Todos, todos, todos a caminho atrás de Jesus”. Esta atitude deve abranger tanto aqueles que se aproximam da Igreja como aqueles de quem a Igreja se aproxima, mas também as próprias comunidades cristãs. “Vinde e vede”: uma pastoral da presença, da escuta e do convite A partir da passagem evangélica do «Vinde e vede», D. Alexandre Palma apresentou diferentes dimensões para a ação pastoral do novo ano. O Bispo Auxiliar de Lisboa falou de uma “pastoral da proposta, uma pastoral do convite”, mas também de uma “pastoral da busca”, defendendo que a Igreja deve saber acolher e acompanhar as pessoas que procuram respostas. “Nós hoje e porventura nestes próximos 6, 7 anos deveremos aumentar a quantidade de gente à procura”, apontou. A acompanhar esta procura deve estar uma Igreja capaz de estar presente, escutar e interpelar. “Aqueles homens só encontravam Jesus porque Jesus estava lá”, recordou, apontando para a importância de uma “pastoral da presença” e de uma “pastoral da escuta”. D. Alexandre Palma alertou ainda para o risco de responder demasiado depressa às perguntas das pessoas sem primeiro escutar aquilo que procuram. “Temos coisas para dizer, atenção, uma coisa não anula a outra”, frisou. O caminho proposto passa, assim, pela presença, pela escuta, pelo convite e pelo acompanhamento, até à experiência de uma comunidade que seja “uma casa para um povo”. “Dar a ver” e conduzir ao mistério A expressão «Vinde e vede» foi também aprofundada a partir do significado do verbo “ver”, que D. Alexandre Palma relacionou com a fé e com a necessidade de aprender a reconhecer a presença de Cristo. “Quando Jesus diz «vinde e vereis» não é ver as coisas como já vias, é ver as coisas sobrenaturalmente. Isto é a fé”, explicou. Neste sentido, deixou outro desafio às comunidades: “Dar a ver, ajudar a ver”, através de uma pastoral capaz de conduzir as pessoas ao encontro com Cristo. O Bispo Auxiliar destacou particularmente a importância da mistagogia, entendida como condução ao mistério celebrado. “Precisamos de fazer mistagogia, senhores padres. Precisamos de fazer mistagogia, senhores leigos, leigas. Precisamos de fazer mistagogia, conduzir ao mistério”. A liturgia, afirmou, deve ser um lugar privilegiado desse encontro. “A celebração cristã, a liturgia cristã, mormente liturgia eucarística, mas não só, é fonte e cume de toda a vida cristã”, recordou, retomando uma intuição central da tradição conciliar. “Não demos por adquirido que toda a gente sabe aquilo que achamos que toda a gente sabe”, alertou, lembrando que muitas pessoas chegam hoje à Igreja sem uma formação cristã fundamental. O desafio passa, por isso, por ajudar cada pessoa a reconhecer aquilo que acontece na celebração e a entrar no mistério que é celebrado: “Como é que eu posso na minha atividade pastoral ser mais mistagógico, conduzir ao mistério, que é conduzir ao encontro com o próprio Cristo”. Aprender pela experiência e construir juntos Antes da intervenção de D. Alexandre Palma, a manhã tinha tido uma sessão prática, conduzida pelo formador João Prata, sobre o tema ‘Recomeçar juntos: re(aprender) a caminhar, pensar e fazer juntos’. Através de dinâmicas de grupo, o orador demonstrou a importância e os desafios de trabalhar em equipa. “As pessoas aprendem muito mais pela experiência do que por aquilo que se diz”, sublinhou João Prata. Numa primeira atividade com uma comprida vara, acompanhada de 16 voluntários que subiram a palco, evidenciou que a colaboração exige sintonia perfeita e paciência, superando a frustração inicial. Posteriormente, num exercício de descoberta de factos universais, provou que o esforço coletivo supera largamente as capacidades individuais. “Esta lógica do trabalho em equipa é extraordinária, mas dá trabalho porque são pessoas e as pessoas têm a sua particularidade, a sua individualidade e têm modos diferentes de fazer as coisas”, realçou. Por fim, utilizando uma experiência com energia, ilustrou como as pessoas se influenciam mutuamente, destacando que a união e o otimismo são essenciais para construir um caminho comum. O formador apontou por isso a importância do apoio mútuo. “Eu nunca vou ser melhor sozinho do que eu com alguém”, realçou João Prata, acrescentando que “nós sozinhos não vamos conseguir fazer” determinadas tarefas. O novo ano pastoral tem como tema ‘Vinde e vede’ e integra-se no horizonte do Plano Pastoral 2026-2033, centrado na afirmação de Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6). Para o programa da tarde, ficam os workshops e a Missa, presidida pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério.![]() |
Tony Neves
O Papa Leão XIV pisou terras francesas, com visitas a Paris, Lourdes e Metz (25 a 28 de setembro)....
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
O mundo da Cultura é agridoce, em constante efervescência, sempre a borbulhar, a provocar contínua inquietação.
ver [+]
|
![]() |
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Leão XIV não é a continuação de Francisco, nem a ruptura com o pontificado anterior, mas uma nova etapa de uma evolução na continuidade.
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
Neste 25 de setembro, o Papa Leão XIV pisa terras francesas. Chega a Paris, cidade visitada pela última...
ver [+]
|