Lisboa |
Encontro Diocesano de Lançamento do Ano Pastoral 2026-2027
“Só onde Cristo é o centro existe anúncio e existe evangelização”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, convidou a diocese a iniciar o novo ano pastoral com os olhos postos em Jesus Cristo e com disponibilidade para a missão. “Ele é o centro. Ninguém mais e nada mais”, garantiu, a mais de 300 pessoas que participam, nesta segunda-feira, 5 de outubro, no Encontro Diocesano de Lançamento do Ano Pastoral 2026-2027, que decorre no Auditório Senhora da Boa Nova, no Estoril, com o tema ‘Recomeços’.

Convocado pelo Patriarca de Lisboa, o encontro reúne representantes das paróquias, dos departamentos e serviços da Cúria Diocesana, dos movimentos e das obras eclesiais presentes na Diocese. Cada paróquia fez-se representar, para além do pároco e do vigário paroquial, por uma ou duas pessoas envolvidas na missão evangelizadora. O encontro começou pelas 8h30, com o acolhimento, seguindo-se, uma hora mais tarde, a oração inicial e a abertura, a cargo de D. Rui Gouveia, Bispo Auxiliar de Lisboa.

Na reflexão que abriu o encontro, o Patriarca D. Rui Valério partiu do Evangelho de São João, no episódio em que João Batista aponta para Jesus e afirma: «Eis o Cordeiro de Deus». “Estamos na presença das duas coisas mais importantes para a Igreja e na Igreja. A primeira é esta: pôr os olhos em Jesus, centrar o olhar em Cristo. Ele é o centro. Ninguém mais e nada mais. Tudo o resto é distração”, afirmou.

Para o Patriarca, a atitude de João Batista constitui “todo um programa” para a Igreja, que “morre quando se autocontempla, quando se autocentra, quando se torna autorreferencial”.

A segunda dimensão fundamental, acrescentou, é o anúncio: “É para isso que existe a Igreja, para mostrar e oferecer Jesus Cristo. A sua missão é levar o Evangelho ao mundo”. D. Rui Valério sublinhou, por isso, que “só onde Cristo é o centro existe anúncio e existe evangelização”. Quando o olhar e o coração estão centrados em Cristo, “desponta a evangelização”, assegurou.

O Patriarca recordou ainda a expressão de São Tomás de Aquino segundo a qual “a missão é dar, oferecer o que se contemplou”, relacionando-a com o episódio de São Francisco de Assis na pequena igreja de São Damião. “Quanto mais se contempla Cristo, mais se é olhado por Ele e mais nos sentimos interpelados e enviados por Ele a ir”, observou.

 

“Vinde e vede”: encontrar Cristo para O anunciar

A reflexão centrou-se depois no convite de Jesus aos dois discípulos que O seguem, «Vinde e vede», que é o tema deste novo ano pastoral. “Por isso, na Igreja o que há para mostrar e o que há para ver é Cristo”, afirmou D. Rui Valério, que destacou também a passagem do Evangelho segundo a qual os discípulos “foram e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia”.

Para o Patriarca, a pergunta sobre o lugar onde Jesus mora encontra a resposta na própria experiência de permanência com Ele: “É lá onde se está com Ele, onde se permanece com Ele, aí mora Jesus”.

A partir desta passagem, D. Rui Valério recuperou também a linguagem dos místicos, que falavam de “entreter-se com Jesus”. Explicou que, no sentido original, a expressão significa “conversar intimamente com Ele”, “conviver”, “demorar-se na sua presença”, “manter um diálogo” e “abrir o coração para acolher a sua palavra e o seu anúncio”.

É esta experiência que o Patriarca deseja para a Diocese de Lisboa, chamada a ser uma Igreja capaz de levar as pessoas a abrir o coração: “Porque somente lá onde o coração das pessoas está aberto e se abriu é que vai permitir que entre a palavra da evangelização”.

 

Um ano pastoral marcado pelo “começar”

Na abertura do encontro, D. Rui Gouveia, Bispo Auxiliar de Lisboa, apresentou o horizonte pastoral que vai orientar os próximos anos, tendo como referência o ano 2033, quando a Igreja assinalará os dois mil anos da Redenção. “Estamos a preparar para 2033. E neste percurso queremos caminhar desde já, a partir deste ano, 2026, a preparar o 2033”, afirmou.

O itinerário pastoral para estes sete anos será inspirado nas palavras de Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida». D. Rui Gouveia explicou que o percurso será organizado em três etapas: os primeiros dois anos terão como palavras-chave ‘começar’ e ‘nutrir’; os dois anos seguintes serão marcados por ‘procurar’ e ‘discernir’; e os três últimos por ‘cuidar’, ‘transformar’ e ‘celebrar’.

“Então, neste ano 2026, qual é a palavra? ‘Começar’. Este ano é marcado pela palavra começar”, explicou. Esse começar conduz, porém, a um recomeço, razão pela qual o encontro diocesano assume precisamente o título ‘Recomeços’.

O Bispo Auxiliar de Lisboa apresentou também o lema que deve acompanhar o ano pastoral 2026-207: «Vinde e vede». “Este é um lema que nos deve guiar ao longo deste ano”, afirmou, relacionando-o com a necessidade de renovar a experiência de encontro com Jesus para o poder levar “a quem não O conhece”.

 

“Não tenhamos medo de recomeçar”

D. Rui Gouveia recordou a mensagem do Patriarca para o novo ano pastoral, destacando o convite a não ter medo de responder novamente ao chamamento de Cristo. “Não tenhamos medo de abrir o coração a Deus. Não tenhamos medo de recomeçar”, pediu, acrescentando que este é “o convite que é feito a cada um de nós”.

O Bispo Auxiliar sublinhou ainda que a missão deve dirigir-se particularmente a quem se afastou da Igreja ou ainda não fez uma verdadeira experiência de encontro com Cristo. “Há muita gente que já não procura a Igreja, mas continua a procurar sentido. Há quem viva sem esperança, quem tenha deixado de confiar, quem conheça a linguagem religiosa, mas ainda não fez uma verdadeira experiência de encontro. É precisamente a esses todos e cada um que somos enviados”, realçou.

Neste sentido, resumiu o movimento proposto para o novo ano em duas ações: “Recomeçar e ser enviado”.

 

Uma Igreja que sai ao encontro

O novo ano pastoral pretende, assim, reforçar a dimensão missionária da diocese. “Não podemos ficar sossegados à espera que venham ter connosco. Precisamos de sair nós próprios e ir ter com aqueles que estão, enfim, nos caminhos da vida, mas sem Jesus e precisamos de o anunciar”, afirmou D. Rui Gouveia.

O Bispo Auxiliar apontou como desafio a criação de espaços onde cada pessoa possa escutar o Evangelho, “em especial aqueles que não o escutam habitualmente”, e onde possa descobrir a comunidade cristã como lugar de encontro e permanência em Jesus. “A essência da Igreja é missionária, não nos podemos entender sem tal dimensão”, frisou.

Esta missão passa também por acompanhar as pessoas no crescimento da fé. “Não só de acompanhar, mas de fazer crescer”, sublinhou D. Rui Gouveia, defendendo a necessidade de levar as pessoas “até à maturidade da fé”.

Entre os objetivos apresentados estão ainda o discernimento da realidade diocesana, a identificação de públicos prioritários, o desenvolvimento de propostas de primeiro anúncio e o reforço das estruturas catequéticas.

“Precisamos desta simplicidade do anúncio e por isso precisamos de pensar e desenvolver estas propostas de primeiro anúncio”, afirmou, deixando uma referência ao modo de comunicar a fé: “A beleza autêntica do Evangelho é sempre simples e compreensível”.

 

“Começar o ano em comum”

Para D. Rui Gouveia, o encontro no Estoril pretende sobretudo ajudar a diocese a iniciar o novo ano pastoral em comunhão. “Na verdade, o dia de hoje é para olharmos juntos na mesma direção, eu diria para nos alinharmos ou se calhar a palavra mais acertada seria começar o ano em comum”, salientou.

O objetivo é que paróquias, movimentos, congregações, associações e obras caminhem “unidos num único caminho, numa única direção”. “Hoje, temos este encontro para o recomeço. E teremos também um tempo para avaliação, sempre muito importante nestes processos”, acrescentou, anunciando que o dia de avaliação do ano pastoral está previsto para 5 de junho.

No final da intervenção, D. Rui Gouveia retomou o apelo central lançado pelo Patriarca de Lisboa: que o novo ano não seja apenas uma sucessão de atividades, mas uma oportunidade de renovação da relação com Cristo. “É isto que quero pedir a todos os diocesanos do Patriarcado de Lisboa: que este ano não seja apenas mais um ano de atividades, mas um verdadeiro tempo de reencontro com Jesus Cristo”, recordou.

O novo ano pastoral tem como tema ‘Vinde e vede’ e insere-se no horizonte do Plano Pastoral 2026-2033, que coloca no centro a afirmação de Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6).

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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