O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu no final da tarde desta quinta-feira, 1 de outubro, à abertura das comemorações do centenário da Região de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas, sublinhando a capacidade do escutismo para formar pessoas, criar comunidade e estar ao serviço dos outros. “Há uma cidade, uma sociedade que precisa de nós”, salientou, na cerimónia no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
“Celebrar 100 anos é muito mais do que percecionar o fluir ou a passagem por tempo”, afirmou o Patriarca D. Rui Valério na abertura das comemorações do centenário da Região de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas (CNE). Para o Patriarca, celebrar um século de história significa reconhecer uma “força que constitui essa força a alma do que foi, a alma do tempo que passou” e procurar compreender o que permitiu ao escutismo manter-se vivo ao longo das gerações. “Qual o segredo? Qual o segredo que há 100 anos como hoje se transforma em capacidade de superação, se transforma em fé? Se transforma em momento de abertura e de serviço aos outros?”, questionou. A cerimónia marcou oficialmente o início do ano escutista 2026-2027 e de um programa de comemorações dedicado aos 100 anos da Região de Lisboa do CNE. Reuniu escuteiros, dirigentes, antigos dirigentes, famílias, convidados e representantes de entidades públicas e institucionais, além do Bispo Auxiliar de Lisboa e Vigário Geral, D. Nuno Isidro, do Assistente Regional da Região de Lisboa do CNE, Padre Marcos Castro, e de diversos sacerdotes assistentes de agrupamento. Um século de formação, carácter e serviço Na sua intervenção, D. Rui Valério identificou três dimensões que, no seu entender, ajudam a compreender a permanência do escutismo ao longo de um século: a formação da pessoa, a construção do caráter e a capacidade de escutar e servir. “Em primeiro lugar, foram 100 anos, ou têm sido 100 anos de formação do homem novo”, afirmou, sublinhando que o escutismo é “um laboratório de comunidade e de comunhão”, onde cada pessoa se vai formando “no convívio, é na comunhão, é no encontro, é no diálogo, é no estar com os outros”. O Patriarca destacou também a dimensão de carácter associada à identidade escutista. “Nós acreditamos que é possível estabelecer uma vida de caráter”, salientou, acrescentando que os valores e princípios do escutismo, alicerçados no Evangelho, dão aos escuteiros “personalidade”, “carácter” e um sentido de serviço aos outros. A terceira dimensão apontada por D. Rui Valério foi a escuta. “Amo pensar que escuta, escuteiro e escutismo é capacidade de se pôr à escuta do outro, de ouvir o outro”, disse, relacionando esta atitude com a disponibilidade para acolher as histórias e necessidades de cada pessoa. “Há uma cidade, uma sociedade que precisa dos teus ouvidos para a escutar. É uma cidade, uma sociedade que necessita dos teus lábios, do teu falar, do teu verbo para animar, para encorajar ou simplesmente para dizer que Deus te ama”, resumiu. “Uma missão tão atual e tão importante” Na cerimónia de abertura, a Secretária de Estado Adjunta e da Juventude e da Igualdade, Carla Rodrigues, destacou a atualidade da missão do escutismo e o seu contributo para a formação de crianças e jovens. “Esta missão do escutismo continua atual, eu diria até urgente, nos dias que correm”, afirmou, sublinhando que o movimento promove o crescimento, a autonomia, a responsabilidade e a disponibilidade para servir os outros. A governante destacou ainda o papel dos dirigentes, salientando que, por detrás de cada atividade, acampamento ou aventura, existem “horas e horas de preparação, de trabalho, de dedicação e muitas vezes sacrifício pessoal”. “O vosso trabalho é também uma forma de educar por exemplo”, acrescentou. Dirigindo-se aos escuteiros, Carla Rodrigues deixou um desafio para além da vida nos agrupamentos: “Cresçam, aprendam e levem o escutismo convosco para fora do acampamento para a vida.” A responsável terminou desejando que o centenário seja “um ano de celebração, mas também de compromisso”, capaz de honrar a história da Região de Lisboa e de continuar a construir o seu futuro. “O centenário não é o fim de uma história” Nos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora, a Chefe Nacional Adjunta do CNE, Joana Vasconcelos, destacou que os 100 anos da Região de Lisboa não podem ser compreendidos apenas através dos números, mas sobretudo através das pessoas que fizeram e fazem o movimento. “Uma região não são os seus números, uma região são as pessoas”, afirmou, sublinhando o contributo de crianças, jovens, dirigentes, famílias e comunidades ao longo das gerações. A responsável deixou também um desafio para o futuro: “O centenário não é o fim de uma história, é uma passagem de um testemunho”. A Chefe Nacional Adjunta do Corpo Nacional de Escutas entregou depois, em mãos, ao Chefe Regional de Lisboa do CNE, Carlos Pacheco, uma lembrança para a Região: a bandeira nacional do CNE, que, segundo Joana Vasconcelos, “vai fazer parte de todos os momentos importantes na Região de Lisboa, a começar pelo dia da abertura das celebrações do centenário.” “Um centenário vivido com os jovens” O Chefe Regional de Lisboa do CNE, Carlos Pacheco, sublinhou que o centenário constitui uma oportunidade para olhar para a história da Região, agradecer o caminho feito e, sobretudo, pensar no futuro. “Este é um dia de festa, é um dia de encontro, é também uma oportunidade para recordar o caminho, de reconhecer o que vivemos hoje e perguntar o que queremos construir daqui para a frente”, afirmou. Carlos Pacheco destacou a ligação entre o escutismo e a fé cristã ao longo dos 100 anos da Região de Lisboa. “Somos Corpo Nacional de Escutas, o movimento católico. Ao longo destes 100 anos, a fé ajudou a construir a nossa região”, frisou, referindo o papel da vivência da lei, dos princípios e da promessa, iluminada pela fé cristã, na formação de gerações de jovens e no compromisso com o serviço. O responsável regional deixou também claro que o futuro do centenário deve ser construído com os jovens. “Não basta convidá-los a participar nas iniciativas que preparamos. Precisamos de ouvir as suas ideias, confiar-lhes responsabilidades e dar espaço aos projetos que queiram construir”, considerou. “São eles que connosco darão forma ao próximo capítulo desta história”, acrescentou. Vídeos As comemorações do centenário da Região de Lisboa tiveram início com a projeção de um filme sobre os 100 anos de escutismo, a que se seguiu um curto vídeo de apresentação da nova insígnia. Iniciativas Depois, Rita Brízida, da Comunicação e Projetos da Região de Lisboa do CNE, em diálogo com os dois jovens apresentadores da sessão, revelou o programa do centenário, que inclui iniciativas destinadas a recuperar a memória da Região e a envolver os atuais escuteiros, entre elas uma exposição itinerante pelos sete núcleos, um podcast mensal, jogos sobre a história do CNE, a ‘Mochila da Memória’, que vai percorrer os 136 agrupamentos, e a construção de um painel da Região a partir de azulejos realizados pelos agrupamentos. No final da sessão nos claustros, foi ainda dado a conhecer o novo hino que vai acompanhar este ano de comemoração. “Um dia de gratidão” e de novo chamamento Depois da sessão, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Eucaristia, na Igreja de São Vicente de Fora. Na homilia, retomou a ideia do centenário como momento de ação de graças, mas também como oportunidade para renovar a vocação escutista. “O dia de hoje para nós é um dia abençoado”, começou por afirmar, destacando a celebração de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões, e o início do mês dedicado a Nossa Senhora e ao Santo Rosário. Mas, acrescentou, “talvez que a bênção que provém deste dia e que nós mais sintamos no coração, na intimidade, é que hoje celebramos o centenário da região de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas”. Para o Patriarca, o centenário é simultaneamente “um dia de gratidão, de agradecimento” e “um dia vocacional”. “Nós dispomo-nos, nós colocamo-nos na presença de Deus para reescutar aquela voz, aquele chamamento, aquele apelo inicial, original, em que Ele nos disse: «Vem e segue-me»”, afirmou. D. Rui Valério apresentou depois três chamamentos para o futuro da Região de Lisboa: ser “aquele rio de paz” de que fala a primeira leitura, assumir a atitude de uma criança e manter Jesus Cristo no centro da vida escutista. Sobre o primeiro, explicou que o rio é uma imagem de movimento e de vida: “O nosso olhar contemplativo de memória e recordação é de quem está em movimento, de quem está em moto. Estamos em movimento ao encontro do grande mar que é Deus. Ele é o nosso sentido”. O segundo chamamento foi apresentado como um convite à confiança em Deus. “É sermos como crianças. É sermos crianças”, afirmou, explicando que a criança reconhece a sua dependência e coloca a sua confiança naquele que ama. Por fim, apontou para Cristo como centro da identidade escutista: “É Jesus Cristo. É ele que está no centro. É ele que está no meio. É sobre ele que o nosso olhar e o nosso coração está focado, está centralizado”. “Somos escuteiros para combater a solidão” Na parte final da homilia, D. Rui Valério relacionou diretamente a identidade escutista com o serviço concreto aos outros. “És escuteiro por Jesus Cristo, és escuteiro para levar aos irmãos, és escuteiro para que no dia a dia tu sejas uma fotografia viva do que é ele, um exemplo vivo do que é ele”, reforçou. E concluiu: “Somos escuteiros para combater a solidão dos que estão sozinhos. Somos escuteiros para combater a pobreza dos que estão na miséria. Somos escuteiros para vencer a violência dos que só sabem odiar. Somos escuteiros para levar o perdão a quem só conhece a linguagem da vingança”. Papa Leão XIV associa-se No final da celebração, os escuteiros presentes rezaram a ‘Oração do Escuta’. Foi também apresentada, pelo Assistente Regional Adjunto da Região de Lisboa do CNE, Padre Afonso Rosa Sousa, a mensagem do Papa Leão XIV, enviada através do Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, que encorajou os escuteiros da Região de Lisboa a aprofundarem a amizade com Jesus Cristo e a viverem a sua promessa através da fraternidade, do cuidado da criação, do serviço aos mais frágeis e da construção da paz. A mensagem culmina com a bênção apostólica a toda a família escutista. A cerimónia terminou com a apresentação da ‘Mochila da Memória’, que vai agora percorrer os 136 agrupamentos da Região de Lisboa ao longo do ano. Cada comunidade será convidada a deixar na mochila uma memória e um objeto representativo, que formarão, no final, uma cápsula do tempo do centenário. Na mensagem colocada na mochila, o Patriarca D. Rui Valério deixou também uma oração de ação de graças pelos 100 anos de história: “Hoje nós, Região de Lisboa, do Corpo Nacional de Escutas, apresentamos-vos a nossa disponibilidade, como fizemos ao longo da centenária história que construímos e nos construiu”. Com 12.670 escuteiros, distribuídos por 136 agrupamentos e organizados em 7 núcleos, a Região de Lisboa é uma das maiores estruturas regionais do Corpo Nacional de Escutas. O seu território coincide com o território do Patriarcado de Lisboa, abrangendo uma área geográfica marcada por uma forte diversidade social, cultural e territorial. Fotografias da abertura das comemorações do centenário da Região de Lisboa do CNE Foram publicadas as fotografias da abertura das comemorações do centenário (1926-2026) da Região de Lisboa do CNE - Corpo Nacional de Escutas, que teve lugar no dia 1 de outubro de 2026, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. Após a sessão solene, nos claustros, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Eucaristia, na igreja.
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