O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, deixou neste Domingo, 13 de setembro, o apelo a um compromisso pela paz através da oração, durante a Missa Campal das Festas de Nossa Senhora da Nazaré, na Paróquia de Igreja Nova, em Mafra, integrada no Círio da Prata Grande.
Depois da última visita, em 2009, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora da Nazaré regressou a Igreja Nova no sábado, 12 de setembro, sendo acolhida pela comunidade. Na tarde deste Domingo, D. Rui Valério presidiu à Missa Campal, no adro da renovada igreja, reunindo a comunidade paroquial, sacerdotes, autarcas e participantes nas festas. Na saudação inicial, o Patriarca sublinhou a dimensão comunitária da celebração e a centralidade de Maria: “É belo quando nós nos encontramos para fazer festa e quando a nossa festa se dirige toda, se concentra toda em Alguém que nos ama infinitamente, alguém que é a prova, que é o rosto, que é a história do próprio amor de Deus para com cada um”. D. Rui Valério associou ainda a presença de Nossa Senhora à experiência da graça recebida no Batismo e deixou à comunidade um convite à conversão, ao perdão e à misericórdia. “Nossa Senhora hoje quer-te transmitir esta mensagem que nada é impossível, porque nada é impossível a Deus e nada é impossível aos seus filhos, que somos nós”, garantiu. “Na vida nunca devemos ter medo” Na homilia, o Patriarca apresentou a visita de Nossa Senhora da Nazaré como uma ocasião de encontro e de reconhecimento, recordando que a Virgem Maria “veio ao nosso encontro” e que a sua presença traz uma mensagem concreta à comunidade. “É aquela mensagem de quem nos recorda que na vida nunca devemos ter medo. É aquela mensagem de quem nos recorda que na vida, nós nunca estamos sós”, afirmou. Na tarde deste Domingo, D. Rui Valério destacou também a presença de Cristo nos momentos de sofrimento: “Mesmo quando a vida é um calvário, é uma subida para a cruz, há sempre um Cireneu que está connosco. E esse Cireneu, ela aponta-o, indica-o, dá-lhe nome. É o seu filho Jesus Cristo”. O Patriarca convidou depois cada pessoa a olhar para a própria história e a reconhecer os momentos em que foi capaz de ultrapassar dificuldades e adversidades, questionando se essa capacidade é apenas resultado do esforço humano ou também uma manifestação da presença de Jesus e Maria na vida de cada um. A grandeza do que é pequeno A oração pela paz ocupou um lugar central na homilia. Perante as guerras e os conflitos no mundo, D. Rui Valério questionou o que pode fazer pela paz quem vive numa pequena comunidade do concelho de Mafra. A resposta passou pela valorização dos pequenos gestos e, em particular, da oração. “Quando tu, na prece orante do terço, rezas pela paz, tu próprio estás a fazer grandes coisas na simplicidade de uma Avé Maria ou na simplicidade de uma oração”, assegurou. O Patriarca acrescentou que também gestos quotidianos, como cumprimentar alguém ou estender a mão a quem precisa, podem contribuir para o bem comum. “Maria ajuda-nos a descobrir a grandeza do que é pequeno, o maravilhoso do que é simples e humilde”, sublinhou. Cristo, perdão e paz D. Rui Valério estruturou a parte central da homilia em torno de três necessidades que considera fundamentais para o mundo atual: Cristo, o perdão e a paz. “O mundo de hoje precisa de Cristo”, observou, explicando que Cristo é Aquele que pode transformar “as nossas mortes em vida” e as armas em “instrumentos de paz e instrumentos construtivos”. O Patriarca apresentou ainda Maria como Aquela que conduz a Cristo: “Oferecer Jesus, dar Jesus, fazer acontecer Cristo na vida do mundo e de cada um de nós é a especialidade de Maria para sempre”. A segunda necessidade apontada foi o perdão. D. Rui Valério lembrou que muitas pessoas permanecem presas a acontecimentos dolorosos do passado e sublinhou que a fé cristã permite reconhecer a própria identidade como uma identidade de quem é perdoado e, por isso, capaz de perdoar. Recorrendo à relação etimológica entre “perdão” e “perder”, o Patriarca desenvolveu a ideia de que perdoar exige abdicar da arrogância, da vaidade e da convicção de ter sempre razão. “Nós temos, tantas vezes, que perder a nossa arrogância nas famílias, nas instituições, nas empresas, nas escolas, nas comunidades. Perder, permitam-me dizê-lo assim, perder aquela mania de que sou eu é que tenho razão. Perder a minha vaidade, perder o meu pseudo de superioridade”, afirmou. Para D. Rui Valério, esta é uma aprendizagem necessária numa sociedade habituada a associar a realização pessoal à vitória. “Eu como vós, somos filhos de uma cultura que foi aquela que desde o berço nós somos ensinados, somos formados, somos instruídos, somos formatados, não é para perder, é para ganhar sempre”. Um compromisso pela paz No final da homilia, o Patriarca voltou à terceira necessidade: a paz. Perante os conflitos e as ameaças que pesam sobre a humanidade, deixou um desafio concreto à comunidade de Igreja Nova. “Somos cristãos, não somos pessimistas. Mas não haja dúvida de que na presença de Nossa Senhora de Nazaré gostaria muito que cada um de nós assumisse um compromisso de que, como Nossa Senhora em Fátima nos pediu pela paz e para a paz de recitar o terço todos os dias, ao menos durante o tempo que Nossa Senhora estiver aqui connosco, que cada um de nós assume esse compromisso”, apelou. D. Rui Valério esclareceu que o convite à oração não pretende limitar-se a uma expressão devocional, mas assumir uma intenção universal: “Não é para viver uma devoção, é pela paz no mundo”. O Patriarca terminou apelando a um caminho de paz “no mundo”, “nas famílias”, “dentro das comunidades” e “dentro de cada um de nós”, lembrando que também no interior de cada pessoa podem existir “verdadeiras guerras e revoluções”. “E por isso, Maria, como boa Mãe, sabe do que tu precisas: precisas de Cristo, precisas de perdão, precisas de paz”, concluiu D. Rui Valério. Após a celebração, decorreu a procissão com a Imagem Peregrina de Nossa Senhora da Nazaré, acompanhada pela Imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira, pelas restantes imagens e pela guarda de honra a cavalo. As Festas de Nossa Senhora da Nazaré (Círio da Prata Grande) em Igreja Nova, Mafra, prolongam-se até ao próximo Domingo, 20 de setembro.![]() |
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