“O Jubileu 2025 foi, para a Igreja que peregrina em Lisboa, um verdadeiro tempo de graça”, escreve D. Rui Valério na introdução ao livro ‘A Esperança não engana - Livro de Graças Jubilares’, que o Patriarca de Lisboa ofereceu esta quarta-feira, 9 de setembro, ao Papa Leão XIV, no Vaticano.
A entrega da publicação aconteceu no final da audiência-geral de quarta-feira, na presença da Comissão Diocesana do Jubileu, que se encontra em Roma no âmbito desta iniciativa. O livro reúne graças, experiências e testemunhos associados à vivência do Ano Jubilar no Patriarcado de Lisboa, dando conta de frutos espirituais e pastorais suscitados ao longo de 2025, bem como algumas das fotografias mais marcantes do Ano Santo na diocese. Num breve momento de diálogo, na Praça de São Pedro, o Patriarca D. Rui Valério explicou ao Papa Leão XIV o propósito do livro com as ‘Graças Jubilares’ vividas em Lisboa. “Santo Padre, consignamos nas suas mãos e nas suas intenções de oração estes testemunhos de graças recebidas no Jubileu da Esperança, no Patriarcado de Lisboa. São histórias de vidas diferentes, mas que coincidem num ponto: para cada uma, o Jubileu significou aproximação a Jesus Cristo, aproximação à Igreja e redescoberta do dom da fé. Alguns testemunham que uma celebração, uma conferência, uma caminhada jubilar, uma confissão, uma passagem na Porta Santa foi um reencontro com Alguém de quem se sentiam afastados. Para outros, foi o bálsamo que suavizou uma dor, para outros foi nessa fonte de esperança que encontraram alento para viverem um luto… No espírito da mais profunda e intensa comunhão da Igreja de Lisboa com o Sucessor de Pedro, Santo Padre, lhe confiamos estas histórias de conversão”, referiu o Patriarca ao Papa, aquando da oferta do livro. Caminhos de conversão Na introdução do livro, dirigida ao Papa Leão XIV, D. Rui Valério apresenta o Jubileu como um período de renovação espiritual para a Igreja de Lisboa, marcado por um caminho de conversão e de redescoberta do essencial da vida cristã. “Ao longo deste ano santo, o itinerário jubilar tornou-se para muitos homens e mulheres um caminho de conversão e de redescoberta do essencial da vida cristã”, escreve o Patriarca, no início da obra. As graças recebidas, acrescenta, assumiram “formas diversas e discretas, mas profundamente transformadoras”, entre as quais “coragem para reerguer a vida quando parecia vacilar; amor renovado a Deus e aos irmãos; amadurecimento da fé; maior proximidade ao Senhor na oração e nos sacramentos; redescoberta da vocação batismal e da pertença viva à comunhão da Igreja”. Para D. Rui Valério, a experiência jubilar alcançou a vida pessoal, familiar e comunitária da Igreja de Lisboa. “Assim, não houve filho ou filha desta Igreja de Lisboa que não tivesse sentido, de algum modo, a força espiritual do Ano Santo”, escreve. O Patriarca identifica ainda diversos sinais dessa ação da graça: “Em muitas consciências reacendeu-se o desejo de uma vida mais santa; em muitas famílias nasceu uma esperança nova; em muitas comunidades fortaleceu-se o sentido da fraternidade e da missão”. O livro agora oferecido ao Papa recolhe alguns desses frutos através de testemunhos de pessoas e comunidades que viveram o Jubileu. Segundo D. Rui Valério, são “testemunhos simples, mas verdadeiros; discretos, mas profundamente eloquentes”, nos quais “se manifesta a ação silenciosa da graça de Deus, que continua a operar no coração dos homens e das mulheres do nosso tempo”. O Patriarca sublinha que os testemunhos reunidos na publicação não pretendem apresentar-se como algo extraordinário, mas antes como expressão de uma experiência de fé vivida no quotidiano. “A sua simplicidade é a sua marca; a sua autenticidade, a sua identidade”, afirma, no texto. Comunhão com o Papa A oferta do livro assume também um significado de comunhão com o Sucessor de Pedro. “Ao oferecer a Vossa Santidade estas páginas, o Patriarcado de Lisboa deseja tornar visível a sua profunda comunhão com o Sucessor de Pedro”, escreve D. Rui Valério, que identifica neste gesto “o amor filial, a admiração e a disponibilidade desta Igreja particular para caminhar sempre em unidade com aquele que o Senhor colocou como princípio visível de comunhão da Igreja universal”. Na mesma introdução, o Patriarca recorda a dimensão do ministério petrino na vida da Igreja: “Sabemos, com fé, que obedecer a Pedro e aos seus sucessores é seguir Cristo, porque no ministério de Pedro ressoa continuamente o mandato do Senhor: confirmar os irmãos na fé (cf. Lc 22, 32)”. Por isso, ao entregar os testemunhos das graças vividas no Patriarcado de Lisboa, D. Rui Valério dirige ao Papa Leão XIV uma palavra de agradecimento: “Santo Padre, ao depositarmos nas vossas mãos estes testemunhos, queremos sobretudo dizer: obrigado”. “Obrigado por nos conduzir, como Pastor universal da Igreja, no caminho de Jesus Cristo. Obrigado por nos recordar, com a palavra e com o exemplo, que a esperança cristã não é uma ideia abstrata, mas a certeza viva de que o Senhor continua a caminhar com o seu povo na história”, acrescenta. A introdução termina com o pedido da Bênção Apostólica do Papa Leão XIV para o Patriarca e para a Igreja de Lisboa, subscrita por D. Rui Valério com a expressão “filial devoção”. O livro ‘A Esperança não engana - Livro de Graças Jubilares’ constitui, assim, uma memória da vivência do Jubileu 2025 no Patriarcado de Lisboa e, ao mesmo tempo, um sinal da comunhão da Igreja diocesana com o Papa e com a Igreja universal. Cumprimento ao Papa Momentos antes da entrega do livro ‘A Esperança não engana - Livro de Graças Jubilares’, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, cumprimentou brevemente o Papa Leão XIV, manifestando a união e oração do Patriarcado de Lisboa pelo Santo Padre. O encontro aconteceu no final da audiência-geral de quarta-feira, durante o momento em que o Papa saúda os Bispos e outros responsáveis presentes no encontro público semanal no Vaticano.![]() |
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