O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu neste Domingo, 26 de julho, à celebração da Eucaristia na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, no Brasil, convidando os fiéis a contemplarem o olhar amoroso de Deus sobre cada pessoa. “Desde sempre, Deus te contempla, te vê no seu amor, não no seu julgamento, para seres conforme a Jesus Cristo, seu Filho primogénito”, afirmou.
A celebração integrou o VIII Encontro Latino-Americano de Espiritualidade Monfortina e as comemorações dos 60 anos da chegada dos Missionários Monfortinos ao Brasil. A Missa foi concelebrada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e por sacerdotes da Congregação Monfortina, com D. Rui Valério a apelar à configuração da vida com Cristo, segundo a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Monfort, fundador da congregação a que pertence. A vocação de cada cristão é configurar-se com Cristo Partindo da segunda leitura da liturgia, o Patriarca de Lisboa centrou a reflexão na vocação universal à santidade, recordando que Deus contempla cada ser humano com amor antes mesmo da sua existência. “Antes de sermos, antes de existirmos, antes de virmos ao mundo, nós éramos eternamente amados, conhecidos, contemplados por Deus”, garantiu D. Rui Valério, convidando cada fiel a interrogar-se na oração: “Senhor, quando me contemplavas no teu amor para estar predestinado a ser conforme a Jesus Cristo, que contemplavas Tu? Como me vias e como me vês quando olhas para mim?”. Segundo o Patriarca, é nesta contemplação divina que se encontra a verdadeira identidade e missão de cada pessoa. “Essa é a nossa vocação: conformarmo-nos, ser conformes a Jesus”, observou. Três passos para viver a sabedoria de Cristo Inspirando-se na espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Monfort, D. Rui Valério apresentou três etapas percorridas por Jesus Cristo que iluminam o caminho de cada cristão. A primeira é o desprendimento de si em favor dos outros. Recordando a figura de Salomão, explicou que a verdadeira sabedoria consiste em viver para os outros e não centrado em si próprio: “A sabedoria de Cristo é esta capacidade de eu agir não só em função de mim, mas dos outros, para os outros, com os outros”. Evocando o exemplo de Jesus, acrescentou que Cristo “não viveu para Si próprio, não veio para ser servido, mas para servir”, convidando todos a abrirem espaço na própria vida ao próximo. O tesouro é Cristo e cada pessoa é a sua pérola preciosa Na segunda etapa da reflexão, o Patriarca interpretou as parábolas do tesouro escondido e da pérola preciosa à luz da entrega total de Cristo pela humanidade. “O tesouro é a humanidade que está no campo deste mundo, e por essa humanidade Jesus deu tudo, entregou mesmo tudo, despojou-se de tudo, até da sua própria vida no sacrifício da cruz”, apontou. Referindo-se à parábola da pérola preciosa, dirigiu-se diretamente aos fiéis. “Esta pérola tem um nome: é o teu. Tu és essa pérola por quem Jesus abdicou de tudo o resto para te possuir, para te alcançar”, reforçou. Ao mesmo tempo, recordou que também o cristão é chamado a reconhecer em Cristo o verdadeiro tesouro da sua existência: “Esse tesouro e essa pérola para ti é Jesus. Nada, nada mais vale tanto quanto Ele para ti”. Deixar Cristo agir através da própria vida Como terceiro passo, D. Rui Valério sublinhou que a união com Cristo não se reduz à imitação exterior, mas implica permitir que seja o próprio Senhor a agir na vida de cada batizado. “Jesus não quer apenas ser por nós imitado. Se Jesus vive, está presente e está vivo em mim próprio, Ele tem de ser o protagonista da minha vida”, realçou. Por isso, acrescentou, o discípulo é chamado a deixar que Cristo conduza toda a sua existência: “Eu vou deixar que Ele faça através de mim, que Ele atue através de mim”. O Patriarca explicou que esta é a plenitude da configuração com Cristo. “Quando Jesus olha e tu olhas no olhar de Jesus, quando Jesus ama e tu amas no amor de Jesus, quando Jesus serve e tu serves no serviço de Jesus, eis aí a plenitude da nossa configuração com Jesus Cristo”, afirmou. Maria, modelo do «Faça-se» Na conclusão da homilia, D. Rui Valério confiou os participantes à intercessão de Nossa Senhora, apresentando Maria como modelo da resposta total à vontade de Deus. “Ela foi desde sempre a Senhora do Sim. Aquela que respondeu: «Faça-se». É o que cada um de nós é convidado a realizar em cada instante”, referiu, convidando os fiéis a repetirem diariamente essa disponibilidade diante de Deus: “Faça-se, Senhor, segundo a tua vontade. Faça-se como Tu queres, não como eu quero. Ame-se como Tu amas, não à maneira mundana. Fale-se como Tu falas”. Concluindo a celebração, o Patriarca afirmou que “Maria é Aquela que torna vivo o Cristo de sabedoria eterna e encarnada na nossa vida”, confiando-lhe a existência de todos os presentes.![]() |
Tony Neves
‘Não sejais meros espectadores da história, descei à rua e sede os atores principais da mudança’...
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
De um modo persistente e sem interrupção o Papa Leão XIV tem prosseguido um combate permanente por uma Ética de Paz.
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
O Papa Leão XIV visitou Angola há 3 meses. O tempo vai passando e decantando o essencial dos seus gestos e palavras.
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
A primeira encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, centra-se num tema de grande...
ver [+]
|