O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, afirmou esta quarta-feira, 22 de julho, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, que os cristãos são chamados a “transformar as muitas sepulturas que existem nas almas, nas vidas, nos corações de tantas pessoas” em “jardins floridos”, através da mensagem, do testemunho e da missão evangelizadora.
A Missa integrou-se no VIII Encontro Latino-Americano de Espiritualidade Monfortina, que assinala os 60 anos da chegada dos Missionários Monfortinos ao Brasil, e foi concelebrada pelo superior da Delegação Monfortina de Portugal, Padre Carlos Miguel Vieira, SMM, e pelo Padre Alberto Gomes, sacerdote do Patriarcado de Lisboa presente no Brasil, entre outros sacerdotes.
Na saudação inicial da celebração, D. Rui Valério convidou os fiéis a colocarem-se diante de Jesus com a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, começando por reconhecer os motivos de gratidão presentes na própria vida. “Estamos com Maria, Senhora da Aparecida, sua e nossa Mãe. O primeiro olhar é lançado à nossa vida para nela encontrar razões, motivos, situações e circunstâncias de louvor e de gratidão”, afirmou.
Ao mesmo tempo, exortou à humildade e ao reconhecimento da própria fragilidade, convidando a assembleia a pedir o perdão de Deus: “Digamos com muita simplicidade: ‘Senhor, perdoai-me porque sou pecador’”.
Os quatro passos da vida cristã
Na homilia, partindo do Evangelho de Santa Maria Madalena, o Patriarca de Lisboa apresentou aquele percurso como um itinerário da vida cristã, estruturado em quatro etapas.
A primeira é o desejo de procurar Cristo. “Maria Madalena de manhãzinha foi à procura de Jesus. Aí começa toda a história de amor entre nós e o Senhor. Alguém só vai à procura se no seu coração sentir um profundo desejo. Só um coração ardente do desejo de estar com o Senhor O vai encontrar”, garantiu.
D. Rui Valério relacionou este primeiro passo com a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort, fundador dos Monfortinos, recordando que o santo apresenta precisamente o “desejo ardente” como o primeiro meio para chegar a Jesus Cristo.
Seguem-se, explicou D. Rui Valério, a mortificação, a oração contínua e a devoção a Nossa Senhora como etapas do caminho espiritual.
Da incompreensão ao reconhecimento de Cristo
O segundo momento do percurso da fé corresponde, segundo o Patriarca, à “ambiguidade do olhar”, exemplificada pela reação inicial de Maria Madalena diante do túmulo vazio. “Ela chega junto ao túmulo, não estava ainda convertida. A sua mentalidade era uma mentalidade de morte e aquilo que ela via era interpretado na lógica da morte, do fracasso”, salientou.
D. Rui Valério destacou que esta experiência continua presente na vida dos cristãos quando não conseguem compreender o sentido dos acontecimentos: “Quando nós olhamos para a vida e não compreendemos a vida, olhamos para o outro e não compreendemos o outro”.
O terceiro passo acontece quando Maria Madalena ouve Jesus pronunciar o seu nome. “Ela foi chamada, não foi para ser criticada, não foi para ser condenada, foi para ser amada pela simples maneira de como o seu nome era pronunciado. Porque é assim que Deus trata connosco, de uma forma única”, observou.
Segundo o Patriarca, é precisamente esta experiência do amor de Deus que abre o coração ao reconhecimento de Cristo ressuscitado e transforma completamente a vida: “Deixa de ser noite na vida de Maria Madalena e passa a ser dia, passa a ser uma nova história”.
A missão de anunciar o Ressuscitado
Na última parte da homilia, D. Rui Valério apresentou a missão como consequência natural do encontro com Cristo. “O amor de Deus no nosso coração é demasiadamente forte, é pujante, não pode ficar contido só para mim”, frisou.
Recordando o envio de Maria Madalena pelo Ressuscitado, afirmou que a primeira testemunha da ressurreição se torna missionária porque o coração “estava cheio, estava a transbordar”.
Dirigindo-se aos fiéis presentes na Basílica e aos que acompanhavam a celebração através da televisão e da transmissão online, o Patriarca de Lisboa convidou cada um a identificar em que etapa do caminho da fé se encontra, assegurando a oração da Igreja por todos aqueles que ainda vivem na procura ou na dúvida.
Por fim, lançou um desafio missionário à Igreja no Brasil e nos restantes países latino-americanos: “Os nossos pastores desafiam-nos todos ao quarto momento, a sermos missionários, a irmos para o mundo com este fogo, com esta força, para transformar as muitas sepulturas que existem nas almas, nas vidas, nos corações de tantas, tantas pessoas, transformar estes sepulcros em jardins floridos pela nossa mensagem, pelo nosso testemunho, pela nossa missão evangelizadora”.
O VIII Encontro Latino-Americano de Espiritualidade Monfortina está a decorrer, desde o passado Domingo, dia 19 de julho, em São Paulo, no Brasil, com o tema ‘A consagração da Igreja da América Latina a Jesus Sabedoria’. Até ao próximo dia 26 de julho, reúne cerca de 120 missionários para celebrar também os 60 anos da Congregação dos Padres Monfortinos em terras brasileiras.
O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, localizado no interior de São Paulo (Aparecida, Brasil), é o maior templo católico do país e o segundo maior do mundo. Inaugurado em 1980, o complexo abrange mais de 143.000 m² e atrai milhões de devotos todos os anos.
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