As varizes são, ainda hoje, frequentemente desvalorizadas e encaradas pela população como uma mera questão estética. Contudo, enquanto especialistas, sabemos que as veias dilatadas, tortuosas e nodulares nas pernas representam muito mais do que um desconforto visual: são um sinal de alerta. Se não forem tratadas atempadamente, podem desencadear complicações graves, desde alterações cutâneas e formação de úlceras, até situações de risco elevado, como a trombose venosa profunda ou a embolia pulmonar. É, por isso, fundamental desmistificar a ideia de que o tratamento das varizes é um luxo, assumindo-o como uma necessidade clínica de prevenção e cuidado.
A boa notícia é que a medicina tem evoluído para oferecer soluções cada vez menos agressivas. A chegada da Ecoterapia a Portugal, uma tecnologia inovadora disponível no Hospital CUF Sintra, é o exemplo perfeito desta mudança de paradigma. Trata-se de um equipamento médico robótico que atua através de ultrassons de alta intensidade. Na prática, é emitido um feixe de calor extremamente preciso, com um foco menor do que um grão de arroz, que ultrapassa a pele sem a danificar e atua diretamente na veia doente. É uma abordagem verdadeiramente inovadora por ser totalmente não invasiva, dispensando os habituais cortes, inserção de cateteres ou a utilização de químicos. O grande diferencial desta tecnologia reside na melhoria drástica da experiência do doente. Ao contrário das cirurgias convencionais, que habitualmente exigem bloco operatório e anestesia geral, a Ecoterapia não deixa cicatrizes e elimina o risco de infeções associado às feridas cirúrgicas. Mais do que uma solução que permite o regresso imediato às rotinas, esta é uma resposta transformadora para pessoas que teriam contraindicação para uma cirurgia tradicional. Falo, por exemplo, de doentes em idade avançada ou com risco de hemorragia, uma vez que a ausência de incisões permite que não tenham de suspender a toma da sua medicação anticoagulante. Em suma, a medicina moderna deve aliar o máximo rigor clínico ao mínimo impacto no bem-estar de quem a procura. Sabemos que cada doente é único e que o primeiro passo será sempre uma avaliação rigorosa em consulta para desenhar a estratégia mais segura. Contudo, podermos oferecer uma alternativa terapêutica desta precisão, capaz de tratar até as varizes mais profundas de forma eficaz, representa um marco extraordinário na melhoria da qualidade de vida dos doentes. Orlanda Castelbranco, Coordenadora de Angiologia e Cirurgia Vascular no Hospital CUF Sintra![]() |
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