Os Bispos do Patriarcado de Lisboa dirigiram uma carta à Vigararia de Oeiras após a conclusão da Visita Pastoral realizada às treze paróquias do território, terminada no passado dia 1 de fevereiro. No documento, D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa, e os Bispos Auxiliares D. Nuno Isidro, D. Alexandre Palma e D. Rui Gouveia agradecem o acolhimento das comunidades e apresentam desafios pastorais para o futuro.
A visita, orientada pelo lema ‘Escutar, anunciar e converter’, é apresentada como “um acontecimento de graça” e como uma oportunidade para “reavivar as energias dos obreiros evangélicos, de os louvar, encorajar e consolar”, bem como para chamar todos os fiéis “à renovação da sua vida cristã e a uma atividade apostólica mais intensa”. Uma experiência de comunhão e proximidade Na carta, os Bispos manifestam gratidão pelo envolvimento das comunidades paroquiais, do clero e dos leigos que colaboraram na preparação e realização da visita pastoral. “Estamos profundamente gratos pelo vosso empenho na construção remota e imediata da Visita Pastoral e na sua execução”, afirmam, sublinhando os muitos encontros realizados com grupos paroquiais, movimentos, catequistas, famílias, jovens, idosos, instituições sociais e representantes da sociedade civil. Os responsáveis diocesanos destacam que a visita permitiu “reconhecer o trabalho pastoral existente nos seus diversos sectores, grupos e movimentos” e aproximar a Igreja da realidade concreta do concelho de Oeiras. Gratidão pelos frutos e atenção aos desafios Entre os aspetos positivos encontrados, os Bispos salientam o testemunho de muitos leigos “com um coração ardente de amor e zelo por Jesus e pela sua Igreja”, reconhecendo a sua dedicação e sentido de corresponsabilidade. Ao mesmo tempo, identificam alguns desafios, nomeadamente o envelhecimento de grupos e movimentos paroquiais e a necessidade de maior renovação. “A verdadeira riqueza de uma comunidade não está apenas nas suas estruturas, nos seus recursos ou na sua eficiência, mas na proximidade de quem encarna o Cristo vivo no meio do povo”, recordam. A carta aponta também para a importância do acolhimento dos novos habitantes da Vigararia, vindos de diferentes origens, defendendo a criação e reforço de equipas capazes de integrar quem chega às comunidades. Catequese, juventude e missão evangelizadora No campo da catequese, os Bispos valorizam o trabalho desenvolvido junto das crianças e adolescentes, mas recordam que a iniciação cristã deve envolver também as famílias. “A chegada de uma nova criança à catequese é sempre uma oportunidade para a renovação ou aprofundamento da fé dos próprios progenitores”, afirmam, apelando a uma catequese cada vez mais missionária e aberta a quem está afastado da Igreja. Relativamente aos jovens, a carta reconhece a diversidade das experiências paroquiais e recorda a Jornada Mundial da Juventude como uma “memória grata” capaz de inspirar novos caminhos. É também feito um apelo ao desenvolvimento da pastoral universitária e ao acompanhamento dos estudantes. O serviço da caridade como testemunho de Cristo Os Bispos valorizam igualmente a ação social desenvolvida na Vigararia de Oeiras, através dos centros sociais paroquiais e de outras instituições ligadas à Igreja. “A ação caritativa não é um simples suprir uma necessidade ou um tentar fazer o bem, mas uma resposta de amor a Jesus que nos amou pessoalmente até dar a vida por nós”, escrevem, incentivando uma maior articulação entre as diferentes obras sociais existentes. Uma palavra especial ao clero A carta dirige uma mensagem de proximidade aos sacerdotes e diáconos da Vigararia, reconhecendo a sua dedicação diária. “Damos graças a Deus pela vossa vocação”, escrevem os Bispos, apelando para que os ministros ordenados mantenham viva a relação pessoal com Cristo e não deixem que o ativismo substitua a vida espiritual. É ainda recordada a importância dos Conselhos Pastorais Paroquiais como espaços de participação e corresponsabilidade dos fiéis, assim como a necessidade de transparência e cuidado na administração dos bens das comunidades. “Transformar o símbolo em vida” No final da carta, os Bispos retomam o simbolismo do logótipo da Visita Pastoral – a Cruz de Cristo, o Farol do Bugio e a Estrela – como expressão do caminho missionário proposto à Vigararia. “Este é o tempo de transformar esse símbolo em vida em cada comunidade cristã”, referem. Concluindo com uma oração a Nossa Senhora da Rocha, os Bispos deixam um apelo para que as comunidades de Oeiras sejam lugares onde se “escuta” a realidade, se “anuncia” Cristo e se promove a “conversão” dos corações. Publicada a 2 de julho, a carta é datada de 24 de junho de 2026, Solenidade do Nascimento de São João Batista, e assinada por D. Rui Valério, D. Nuno Isidro, D. Alexandre Palma e D. Rui Gouveia.![]() |
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