Na celebração das Ordenações Presbiterais e Diaconais, na tarde deste Domingo, 28 de junho, o Patriarca de Lisboa destacou a fraternidade do Presbitério de Lisboa, desafiou os novos sacerdotes a renovar o ardor missionário e afirmou que a missão do padre é “dar Cristo” ao mundo.
Na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, D. Rui Valério afirmou que “o sacerdócio nasce do amor de Cristo e efetiva-se no amor a Cristo”, na homilia das Ordenações celebradas na Vigília da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo. Dirigindo-se aos ordinandos, o Patriarca sublinhou que, antes de qualquer missão, a Igreja pede a renovação da profissão de amor a Cristo: “Só quem ama verdadeiramente Cristo pode apascentar o seu povo”. Uma família sacerdotal marcada pela fraternidade D. Rui Valério destacou que os novos sacerdotes passam a integrar o Presbitério de Lisboa, uma realidade que descreveu como “uma realidade espiritual e eclesial profundamente bela”, construída por gerações de padres que deram a vida pelo Evangelho. O Patriarca enalteceu a fraternidade sacerdotal existente na diocese, dando graças “por este património espiritual” e lembrando os muitos sacerdotes que acompanham irmãos idosos, doentes ou em dificuldades. Aos ordinandos deixou um apelo: “Não chegais para começar uma história nova. Chegais para prolongar uma história bela que vos é confiada”. Juventude ao serviço da missão Referindo-se à juventude dos novos sacerdotes como “uma graça para toda a Igreja”, D. Rui Valério apontou o contributo das novas linguagens, das novas sensibilidades, da proximidade aos ambientes digitais, do entusiasmo e da criatividade missionária. “A chegada de novos padres é sempre um acontecimento que renova a esperança da Igreja”, afirmou, incentivando-os a partilhar esse entusiasmo e a ajudar o presbitério a renovar o ardor missionário. O Patriarca apelou a uma Igreja em saída, para que “nenhum coração possa ficar excluído do anúncio do Evangelho”, “nenhuma pessoa possa sentir-se esquecida pela Igreja” e “nenhuma periferia humana possa ficar sem a presença da misericórdia de Deus”. O sacerdote existe para dar Cristo Comentando a passagem dos Atos dos Apóstolos em que Pedro encontra um homem coxo à porta do Templo, D. Rui Valério definiu a identidade mais profunda do sacerdote: “O sacerdote não existe para oferecer a si mesmo. Não existe para transmitir opiniões pessoais. Não existe para promover ideologias. Não existe para anunciar programas humanos. O sacerdote existe para dar Cristo”. Recordando as palavras de Pedro, “Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda”, o Patriarca afirmou que o maior tesouro da Igreja “não é uma estrutura. Não é uma organização. Não é uma influência cultural. O maior tesouro da Igreja é Jesus Cristo”. Recolocar Deus no horizonte do agir humano Na homilia, D. Rui Valério referiu-se também ao momento atual da Igreja e às orientações do Papa Leão XIV, destacando a necessidade de recolocar “Deus no horizonte do nosso agir e o ser humano no centro das nossas escolhas”. Perante uma sociedade “rica em tecnologia, mas frequentemente pobre de transcendência”, o Patriarca afirmou que a Igreja tem “algo único para oferecer: Deus”. Aos novos sacerdotes deixou o desafio de serem ministros desta presença de Deus no mundo, levando Cristo “às famílias, às escolas, às universidades, às empresas, aos hospitais, às prisões, aos pobres, aos jovens, aos idosos. Enfim: a todos”. “Segue-Me” Concluindo a homilia, D. Rui Valério recordou a última palavra de Jesus a Pedro: “Segue-Me”. Aos novos sacerdotes pediu disponibilidade total para seguir Cristo nos momentos fáceis e difíceis, nos dias luminosos e nas noites escuras, oferecendo a vida “inteiramente. Sem reservas, sem cálculos e sem medo”.
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