Cáritas de Lisboa |
Missa na Basílica da Estrela
Patriarca agradece 50 anos de missão da Cáritas de Lisboa e desafia ao futuro
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Na celebração do 50.º aniversário da Cáritas Diocesana de Lisboa, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, destacou a história de serviço, proximidade e esperança da instituição, sublinhando que a sua missão nasce da caridade cristã e da presença de Deus junto dos mais frágeis.

Na homilia da Eucaristia celebrada na Basílica da Estrela, no final da tarde desta terça-feira, 23 de junho, o Patriarca afirmou que este jubileu é sobretudo um momento de ação de graças: “Reunimo-nos para recordar a misericórdia de Deus tornada visível ao longo destes cinquenta anos da Cáritas Diocesana de Lisboa”.

Recordando cinco décadas de intervenção junto de pessoas em situação de vulnerabilidade, D. Rui Valério sublinhou que a verdadeira protagonista desta história é “a graça de Deus que encontrou homens e mulheres disponíveis para se tornarem instrumentos do seu amor”.

O Patriarca comparou a caminhada da Cáritas à missão do profeta Jeremias, chamado por Deus apesar das suas limitações. “Quantas vezes a pobreza pareceu demasiado grande? Quantas vezes as necessidades pareceram superiores aos recursos?”, questionou, lembrando que a força da instituição “nunca esteve apenas nos meios humanos”, mas “na confiança em Deus”.

 

Expressão concreta da caridade cristã

Na reflexão sobre o Evangelho, D. Rui Valério destacou a identidade da Cáritas como expressão concreta da caridade cristã: “O pobre deixa de ser um problema social para se tornar uma pessoa. O migrante deixa de ser um número para se tornar um rosto. O idoso deixa de ser um caso a tratar para se tornar uma história”.

O responsável diocesano afirmou ainda que a missão da Cáritas passa por “ser o amor que transforma vidas”, lembrando que o serviço aos outros também transforma quem ajuda: “Quem aprende a amar os pobres aproxima-se do próprio Cristo”.

Olhando para os próximos anos, D. Rui Valério apontou novos desafios, como a solidão, as migrações, as fragilidades económicas e a crise ecológica, reforçando que a missão permanece a mesma: “continuar a tornar visível o amor de Deus, a ser presença onde outros não chegam, construir pontes onde o mundo ergue muros”.

No final da homilia, o Patriarca de Lisboa agradeceu a todos os que construíram a história da Cáritas de Lisboa – colaboradores, voluntários, dirigentes, benfeitores, parceiros, sacerdotes e comunidades cristãs – e pediu que nunca faltem “a coragem da caridade”, “a criatividade da esperança” e “a proximidade aos mais frágeis”. “Enquanto houver um pobre a esperar consolo, um idoso a precisar de companhia, uma família a necessitar de apoio, um migrante à procura de acolhimento ou uma pessoa a viver sem esperança, continuará a existir uma missão para a Cáritas”, concluiu.

 

Comemorações dos 50 anos da Cáritas de Lisboa

Durante a Missa solene de ação de graças pelos 50 anos de missão da Cáritas Diocesana de Lisboa, também as Cáritas Paroquiais presentes na celebração foram homenageadas, com a entrega, pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, de uma placa comemorativa.

Após a celebração, teve lugar a sessão de obliteração de um carimbo comemorativo dos CTT dedicado aos 50 anos da Cáritas Diocesana de Lisboa. Depois de carimbar e assinar, o Patriarca de Lisboa sublinhou a centralidade do amor na ação da Cáritas. “Tenho só uma palavra que gostaria de dizer: muito obrigado a todos os colaboradores, a todas as pedras vivas da Cáritas. Hoje, estamos na era da técnica, estamos na era da inteligência artificial, que são capazes de fazer coisas mirabolantes, maravilhosas, mas há uma coisa que nem a técnica, nem a inteligência artificial alguma vez são capazes de fazer: é atuar por amor, oferecendo amor. Podem dar muita coisa, mas o amor requer pessoas com o coração. E por isso, obrigado à Cáritas Diocesana de Lisboa, porque na sua essência encontramos o coração, um coração repleto de amor que aí foi derramado por Deus, pelo Espírito Santo e por Jesus. Um grande bem-haja pela vossa disponibilidade, pelo amor dado e oferecido aos outros”, salientou D. Rui Valério.

Já o presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa, Luís Macieira Fragoso, agradeceu a presença do Patriarca D. Rui Valério e a colaboração dos CTT, destacando em particular a presença dos voluntários da instituição. “Principalmente, queria agradecer a todos vós que aqui estiveram presentes e que são a expressão da nossa ação, são a expressão da caridade na diocese, que é aquilo que nós pretendemos dinamizar e capacitar”, salientou o responsável.

As comemorações dos 50 anos da Cáritas de Lisboa terminaram no adro da Basílica da Estrela, com um momento de convívio e fados.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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