O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, sintetizou o sentido da Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã, concluída neste Domingo, 21 de junho, com a Eucaristia na Igreja de Santa Bárbara, na Marquiteira, como um momento de profunda renovação espiritual, afirmando que a presença de Deus se manifestou no quotidiano das comunidades e no serviço dos pastores. “Não podemos engavetar o que estes dias trouxeram. Vamos continuar a missão”, expressou.
A celebração marcou o encerramento de uma visita iniciada a 8 de fevereiro, subordinada ao tema ‘O Senhor visita o seu Povo’, inspirado no cântico de Zacarias, e que percorreu as comunidades dos concelhos do Cadaval, Bombarral e Lourinhã. Ao longo de mais de quatro meses, foram visitadas as 23 paróquias que compõem a Vigararia da Lourinhã: Alguber, Bombarral, Cadaval, Carvalhal, Cercal, Figueiros, Lamas, Lourinhã, Marquiteira, Marteleira, Moita dos Ferreiros, Moledo, Painho, Peral, Pêro Moniz, Reguengo Grande, Ribamar, Roliça, São Bartolomeu dos Galegos, São Lourenço dos Francos, Vale Côvo, Vermelha e Vilar. Na saudação inicial, em Santa Bárbara, o Patriarca destacou o ambiente espiritual vivido ao longo destes meses, sublinhando que a Missa final não representa um término, mas um novo começo. “É uma celebração que não é um ponto final, longe disso. É uma celebração que é ação de graças vivida, celebrada”, afirmou, referindo ainda a experiência de “comunhão, de família, de proximidade” vivida nas comunidades. D. Rui Valério acentuou que esta Visita Pastoral foi ocasião para reconhecer a presença de Deus na vida concreta das pessoas: “Temos tantas razões e motivos para efetivamente dizermos: ‘Senhor, obrigado porque nos visitas’”. “O Senhor visitou o seu povo” Na homilia, o Patriarca de Lisboa retomou a inspiração bíblica que orientou toda a Visita Pastoral, afirmando com convicção: “O Senhor visitou o seu povo. Nós testemunhamos que o Senhor visitou e visita os seus filhos”. Na presença do presidente da Câmara Municipal da Lourinhã, Orlando Carvalho, e demais autarcas, ao recordar os diversos contextos alcançados pela presença pastoral, destacou: “Nós testemunhamos que o Senhor visitou lares, visitou escolas, visitou creches, visitou autarquias, visitou oficinas, visitou superfícies comerciais, visitou famílias, visitou doentes”. Para o Patriarca, esta experiência não foi apenas simbólica ou evocativa, mas real e transformadora. “Cada um de nós está mais consciente de que realmente o Senhor se torna visita, se torna presente, vindo ao nosso encontro”, acentuou, na presença dos Bispos Auxiliares, D. Nuno Isidro, D. Alexandre Palma e D. Rui Gouveia, e dos sacerdotes e diáconos da vigararia. Um tempo do Espírito Santo D. Rui Valério caracterizou a Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã como “um tempo do Espírito Santo”, sublinhando que “foi Ele quem permitiu reconhecer a presença de Deus mesmo nas dificuldades”. “O Senhor está connosco. Não obstante as dificuldades, não obstante as contrariedades, este é também o nosso testemunho”, frisou. O Patriarca explicou que é o Espírito Santo que ilumina a leitura da realidade: “Só é possível dizer que o Senhor nos visita porque nós somos iluminados e guiados pelo Espírito Santo”. Num dos momentos mais expressivos da homilia, D. Rui Valério recorreu a uma imagem simbólica para descrever a missão dos cristãos, evocando a força transformadora da Palavra. “Vou-te pedir para que digas a palavra amor, diz a palavra perdão, diz a palavra ajuda, diz a palavra servir, diz a palavra solidariedade, a palavra justiça”, convidou. Segundo o Patriarca, é através destas atitudes que a experiência vivida na Visita Pastoral deve continuar a dar fruto nas comunidades. Um tempo de missão e de verdade A Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã foi também apresentada como um tempo de missão, marcado pelo convite de Cristo a não ter medo: “O tempo de missão é um tempo de não ter medo”. Neste contexto, D. Rui Valério recordou a identidade mais profunda do ser humano. “Nós não somos feitos para a terra, nós somos feitos para Deus, para o infinito, para a eternidade”. O Patriarca sublinhou ainda a dignidade inegociável da pessoa humana: “O ser humano não está à venda. O ser humano possui uma dignidade que não tem outra referência que não seja o próprio Deus”. Na conclusão da homilia, o Patriarca apelou a que a experiência vivida não seja esquecida, mas prolongada na vida das comunidades. “Não podemos engavetar, arrumar o que estes dias nos trouxeram”, pediu. E acrescentou: “Vamos continuar a missão de Jesus”. Agradecimento às comunidades e instituições No final da celebração, o vigário da Lourinhã, Padre Ricardo Jacinto, expressou gratidão pelo caminho realizado, envolvendo as 23 paróquias da vigararia. O sacerdote agradeceu a presença e dedicação do Patriarca e dos Bispos Auxiliares, em particular de D. Nuno Isidro, que acompanha a região pastoral do Oeste, reconhecendo o impacto da visita nas comunidades. Sublinhou o empenho dos sacerdotes, das comunidades e das instituições civis e eclesiais, destacando que a Visita Pastoral foi vivida como uma verdadeira experiência missionária: “Vimos o vosso entusiasmo e desejo de preparar cada momento como verdadeiro povo de Deus”. No final da intervenção, a Vigararia da Lourinhã ofereceu ao Patriarca D. Rui Valério e ao Bispo Auxiliar D. Nuno Isidro uma imagem de Cristo Bom Pastor, das Monjas de Belém. Para memória futura, foi elaborado e entregue ao arquivo diocesano e a cada uma das 23 paróquias da vigararia um memorando texto, assinado pelo Patriarca e pelos Bispo Auxiliares. Este documento regista os principais momentos da Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã, que decorreu de 8 de fevereiro a 21 de junho.![]() |
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