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Patriarca destaca Seminário ‘Redemptoris Mater’ como “laboratório de santidade” nos seus 25 anos
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa comemorativa dos 25 anos do Seminário ‘Redemptoris Mater’ Nossa Senhora de Fátima, em Caneças, na tarde desta segunda-feira, 8 de junho, sublinhando o papel desta casa como lugar de formação integral e de vivência das bem-aventuranças.

Na capela do seminário, o Patriarca D. Rui Valério afirmou que a celebração dos 25 anos acontece como “obra de providência”, comparando o seminário ao “monte das bem-aventuranças”. “O próprio seminário, esta instituição de formação, configura-se como um monte das bem-aventuranças”, disse, na homilia, destacando três dimensões essenciais da sua missão.

Em primeiro lugar, o Patriarca apontou o seminário como um lugar de fé: “É um lugar onde se acredita não só em Deus, mas também no ser humano e na possibilidade de ser bem-aventurado”. Sublinhando a atualidade desta visão, afirmou que esta perspetiva contraria “a mentalidade vigente” que apresenta o homem como condenado ou sem esperança.

Na presença de representantes de outros seminários de Portugal, de equipas de catequistas itinerantes e de familiares do Padre Fernando André – primeiro reitor do seminário, falecido recentemente –, D. Rui Valério insistiu na compreensão plena da bem-aventurança. “Bem-aventurado significa totalidade, é o homem na sua humanidade”, incluindo “os seus sucessos e os seus fracassos, a sua força e a sua debilidade”, observou.

 

A centralidade de Deus e o caminho de santidade

O segundo ponto da reflexão centrou-se na essência da vida cristã. “Jesus oferece-nos Deus. Deus é a consolação, é a paz, é a nova terra”, afirmou, explicando que as bem-aventuranças não são apenas um código ético, mas uma realidade profunda.

Neste sentido, descreveu o seminário como “um caminho de santidade, um caminho de segurança”, onde “tudo se faz por Jesus” e onde Cristo é “a medida de todas as coisas, o alfa e o ómega”.

O Patriarca classificou ainda o Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Lisboa como “um laboratório de santidade”, onde se aprende a integrar a fragilidade humana no caminho de fé, recordando que o santo é aquele que vive plenamente a sua humanidade.

 

A dimensão comunitária e o serviço à Igreja

No terceiro ponto, D. Rui Valério destacou a dimensão comunitária da vocação cristã: “A possibilidade de eu ser um todo, um inteiro, é com os outros. Não é uma aventura solitária”.

O Patriarca sublinhou que o seminário é “uma casa de irmãos” e um espaço de serviço à Igreja: “Se eu dou a minha vida por Cristo, eu dou a minha vida pelo seu corpo, que é a Igreja”.

Reforçando esta ideia, afirmou que a missão dos seminaristas não é a autopromoção, mas o serviço. “Aqui é pelo todo, é pelo corpo de Cristo que nós estamos”, reiterou.

 

A missão profética dos futuros sacerdotes

Inspirando-se na figura do profeta Elias, D. Rui Valério alertou para a importância da Palavra de Deus nas comunidades: “A ausência da Palavra corresponde àquilo que para o campo significa a falta de água”.

O Patriarca destacou, por isso, que no seminário são formados sacerdotes “enviados para anunciar a Palavra, para regar, para fertilizar os campos do Senhor, que são as almas das pessoas”.

Concluindo a homilia, deu graças pelos 25 anos da instituição, ligada ao Caminho Neocatecumenal: “Queremos agradecer ao Senhor esta história de santidade e dizemos um profundo e intenso obrigado”.

 

Mensagem do Papa assinala maturação vocacional

Antes da bênção final, D. Alexandre Palma, Bispo Auxiliar de Lisboa, leu uma mensagem do Papa Leão XIV, que se associou à celebração, destacando o percurso formativo dos seminaristas.

O Santo Padre sublinhou que no seminário acontece “uma maturação particularmente significativa”, na qual o jovem “passa a sentir com a Igreja” e “abraça de alma e coração a sua causa”.

Na mensagem, assinada por D. Paolo Rudelli, Substituto para os Assuntos Gerais na Secretaria de Estado de Sua Santidade, o Papa encorajou ainda os seminaristas a recorrer à intercessão de Nossa Senhora de Fátima no caminho para o sacerdócio, concedendo a Bênção Apostólica à comunidade formativa.

 

Reitor recorda origens e proteção de Santa Escolástica

Na saudação final, o reitor do seminário, Padre Paolo Ciampoli, evocou a origem do Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Lisboa, recordando o papel de D. Manuel Clemente e do então Cardeal-Patriarca D. José Policarpo na sua fundação.

Destacou também “o sorteio” de Santa Escolástica como padroeira espiritual da casa, sublinhando “a poderosa intercessão” da santa sobre o seminário e convidando todos a confiar-lhe as suas intenções, perante a relíquia colocada no altar.

 

Um projeto missionário ao serviço da Igreja

O Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Lisboa nasceu em 2000 e foi erigido canonicamente em 2001 como um “projeto missionário para a Igreja de Lisboa e de ajuda a outras Igrejas”. Inseridos na dinâmica pós-Concílio Vaticano II, estes seminários diocesanos missionários, ligados ao Caminho Neocatecumenal, formam sacerdotes disponíveis para a evangelização, tanto na diocese de origem como em territórios de missão.

Atualmente, existem mais de 70 seminários ‘Redemptoris Mater’ no mundo, com cerca de 1500 seminaristas e mais de mil presbíteros já ordenados, muitos deles ao serviço da missão em diversos países.

 

Missa nos 25 anos do Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Lisboa

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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