Patriarca pede a todas as famílias para rezarem pela paz no mundo e recorda que “a família nasce do coração da Trindade”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, desafiou todas as famílias da diocese a rezarem pela paz no mundo, unindo-se aos insistentes apelos do Papa Leão XIV. O convite foi feito durante a oração da manhã da Festa da Família 2026, que está a decorrer no Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, na presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que percorreu em procissão esta cidade.
A iniciativa, promovida pelo Setor da Pastoral Familiar de Lisboa, tem como tema ‘FAMÍLIA Ser(em) Missão’, propondo-se a celebrar, segundo a organização, “a beleza e a força da família cristã, chamada a ser presença viva de amor, de acolhimento e de esperança no mundo”.
Na meditação da oração da manhã, proferida no palco principal, junto à Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, o Patriarca destacou a alegria do encontro e a identidade profunda da família à luz da Trindade, dirigindo-se de forma especial às famílias presentes.
“Quero saudar-vos particularmente a vós, caras famílias, famílias que participais e testemunhais essa identidade profunda de Deus, que Deus é família, por isso é Pai, é Filho e é Espírito Santo”, salientou D. Rui Valério.
O Patriarca sublinhou ainda o significado da procissão vivida pelas ruas da cidade como expressão concreta do tema do encontro: “Esta extraordinária procissão que, com Maria, percorremos a cidade de Caldas da Rainha, foi já ela a realização daquilo que é o tema deste ano, família em missão”.
Na parte final da sua intervenção D. Rui Valério destacou o apelo à paz, em sintonia com o Santo Padre. “Gostaria que na força desse amor tivéssemos presentes hoje, particularmente aquilo que é a intenção do Papa Leão XIV. Como sabeis, têm sido incessantes os apelos que ele tem feito em prol da paz. E hoje nós queremo-nos associar a esse desejo e desígnio do Santo Padre, rezando e pedindo pela paz. Pela paz nos nossos corações, pela paz no mundo, mas particularmente pela paz nas famílias”, pediu o Patriarca, durante a oração da manhã.
Procissão marcou início da festa
A Festa da Família teve início na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, com uma meditação do Patriarca, seguida de procissão até ao Parque D. Carlos I, acompanhada pela oração do Terço.
Na sua intervenção inicial, D. Rui Valério sublinhou o simbolismo da caminhada cristã. “A própria vida, viver, é caminhar. Da mesma maneira que o caminho, uma caminhada tem um ponto de partida, tem etapas, tem uma meta, a nossa vida também é assim”, frisou.
Na presença do pároco de Caldas da Rainha, Padre João Sobreiro, acrescentou: “Da mesma forma que nós entendemos que somos família, viemos de uma família, vivemos numa família, assim também a nossa meta é a família que é Pai, Filho, Espírito Santo”.
Ao longo do percurso, que percorreu diversas ruas de Caldas da Rainha, incluindo a tradicional Praça da República e o adro do antigo Hospital Termal Rainha D. Leonor, muitos transeuntes e turistas acompanharam a passagem da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, registando o momento com fotografias.
Espaço de oração e reconciliação
Após a oração da manhã, no palco principal, a Imagem Peregrina foi conduzida, em procissão pelo Parque D. Carlos I, até ao Espaço de Oração, onde ao longo do dia esteve exposto o Santíssimo Sacramento.
Neste local, os participantes tiveram também oportunidade de celebrar o sacramento da Reconciliação, com vários sacerdotes disponíveis para confissões.
Formação ao longo do dia
O programa da Festa da Família 2026 integrou diversas conferências e workshops, distribuídos por vários espaços. No palco principal, decorreram momentos como ‘Do modo Avião ao modo Aliança’, pelas Equipas de Nossa Senhora, ‘A bíblia inteira, um dia de cada vez’, pelo projeto +365, e ‘Namoro, noivado e casamento entram num bar’, pelo Tofu.
Nos espaços de workshops, foram abordados, de manhã e durante a tarde, temas como ‘A campanha da Mãe Peregrina’, pelo Movimento Apostólico Schoenstatt, ‘Entre o Fogo e o Tango: A arte de amar em casal’, pelo Movimento dos Focolares/Famílias Novas, e ‘Família: a nossa primeira missão’, pelo Movimento por um Lar Cristão.
Já na Feira Familiar, a CVX ia dinamizar propostas como ‘Relógio da Família’ e ‘Rezar com os 5 dedos da mão’.
Feira Familiar reuniu movimentos e instituições
Na chegada ao Parque D. Carlos I, os casais jubilares eram acolhidos para receberem os respetivos crachás para acesso aos lugares reservados na Missa.
Depois, podiam visitar a Feira Familiar, que contou com a presença de diversos movimentos eclesiais e instituições, entre os quais Equipas de Nossa Senhora, CVX – Região Sul, Movimento dos Focolares/Famílias Novas, Movimento Apostólico de Schoenstatt, Movimento por um Lar Cristão, Cursilhos de Cristandade, CPM, Verbum Dei, Apoio à Vida, Encontro Matrimonial, Mary’s Meals, Famílias com Vida, Pré-Seminário de Lisboa, Marcha pela Vida e Instituto Secular das Cooperadoras da Família.
Para os mais novos, foram disponibilizados insufláveis, enquanto os participantes puderam ainda visitar a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, através de visitas guiadas, e usufruir de várias propostas de restauração na zona de street food.
A Festa da Família 2026, nas Caldas da Rainha, tem-se afirmado, assim, como um momento de fé, comunhão e missão, reunindo famílias de toda a diocese num testemunho vivo de esperança e compromisso cristão.
Missa com as famílias
Na homilia da Missa na Festa da Família, celebrada na Solenidade da Santíssima Trindade, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, destacou a ligação profunda entre o mistério de Deus e a vocação familiar, afirmando que “a família nasce do coração da Trindade”.
Perante as famílias reunidas, o prelado explicou que a própria vida de Deus é comunhão e relação: “Deus não é solidão. Deus é comunhão. Deus é relação”. Nesse sentido, sublinhou que a família não é apenas uma realidade social, mas participação no amor divino: “A família é reflexo vivo do próprio mistério de Deus”.
Partindo do Evangelho de São João, “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito” (Jo 3,16), D. Rui Valério apresentou o amor de Deus como entrega total, vendo aí o fundamento da vida familiar: “Amar não é possuir, mas oferecer-se”.
Crise da vocação familiar na sociedade atual
Na sua reflexão, o Patriarca alertou para o que considerou uma “crise espiritual e antropológica” da família na sociedade contemporânea, marcada pela dificuldade do compromisso e da fidelidade. Referindo dados do Patriarcado de Lisboa, assinalou a forte quebra no número de matrimónios: “No ano 2000 celebraram-se 7633 matrimónios. Em 2025 celebraram-se 2092”.
Segundo o prelado, esta realidade está ligada a uma cultura do imediato: “O homem contemporâneo aprende facilmente a consumir, mas dificilmente aprende a permanecer”.
D. Rui Valério reforçou que a família é lugar essencial de aprendizagem humana e cristã: “É na família que o ser humano aprende a amar e a ser amado”. É também aí que se vivem valores fundamentais como o perdão, a paciência e a partilha.
A propósito da fidelidade conjugal, evocou ainda a tradição da Igreja e Bento XVI, lembrando que “a fidelidade no tempo é o nome do amor”.
Mensagem aos casais e aos jovens
Dirigindo-se aos casais jubilares, o Patriarca destacou o valor do seu testemunho: “Sois testemunhas de que o amor pode amadurecer, perseverar e florescer ao longo da vida”.
Aos jovens deixou um apelo direto: “Não tenhais medo do amor definitivo. Não tenhais medo de formar família. Não tenhais medo de dar a vida”.
Na parte final da homilia, D. Rui Valério recordou que a família, mesmo nas suas fragilidades, é lugar da presença de Deus: “A família não é perfeita, mas é santa porque Deus caminha no meio dela”.
Confiando todas as famílias à proteção de Nossa Senhora de Fátima, pediu que renasça “a alegria do matrimónio” e “a coragem da vocação familiar”, para que as famílias sejam “escolas de comunhão” e não “lugares de solidão”.
A celebração concluiu-se com um apelo à esperança cristã, centrada na Santíssima Trindade, fonte e modelo de toda a comunhão humana.