A Liga Operária Católica - Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC-MTC) da Diocese de Lisboa assinalou o Dia da Solidariedade, no passado Domingo, dia 26 de abril, na Igreja do Santíssimo Redentor, na Damaia, iniciativa que serviu de preparação para as comemorações do 1.º de Maio – Dia de São José Operário e Dia do Trabalhador.
O encontro reuniu participantes num momento de reflexão sobre o mundo do trabalho, contando com intervenções do pároco local, Padre Ilídio Troco, e do dirigente sindical José Correia, da CGTP-IN. Ambos contribuíram para uma análise “da realidade do mundo do trabalho, quer na sua dimensão espiritual, histórica e da atualidade”, segundo um comunicado. Na abertura, a coordenadora diocesana da LOC-MTC, Helena Martins, sublinhou que, para o movimento, “a solidariedade não é apenas um gesto pontual, mas um compromisso estruturante com a melhoria das condições de vida e de trabalho”, destacando a ligação entre o pensamento cristão e a ação concreta na sociedade. Na sua intervenção, o Padre Ilídio evocou a figura de São José como modelo de trabalhador, lembrando que Papa Pio XII instituiu, em 1955, a celebração de São José Operário para “cristianizar o Dia do Trabalhador”, valorizando a dignidade do trabalho. O sacerdote alertou ainda para os desafios atuais, questionando: “Como proteger tanta gente com trabalho desumanizante?”, defendendo a necessidade de “proteger a vida, a vida no trabalho, a dignidade da pessoa”. Já José Correia traçou uma perspetiva histórica das lutas laborais, recordando o movimento iniciado em 1886, nos Estados Unidos, pela redução do horário de trabalho. “O Direito do Trabalho aparece porque se constata que há uma parte muito desfavorecida”, afirmou, salientando a importância de garantir equilíbrio entre trabalhadores e empresas. O dirigente sindical chamou também a atenção para dados recentes: cerca de 9% dos trabalhadores em Portugal estavam em risco de pobreza entre 2023 e 2024, apesar de estarem empregados, e “1 em cada 6 trabalhadores ganha o Salário Mínimo Nacional”. Criticou ainda alterações em curso ao Código do Trabalho, considerando que representam “um retrocesso ao século XIX”. Entre outras preocupações destacadas estiveram a precariedade laboral, o falso trabalho independente e a situação dos trabalhadores de plataformas digitais, bem como a importância dos imigrantes para a sustentabilidade da Segurança Social. A iniciativa integrou-se no trabalho contínuo dos grupos de base da diocese, que seguem o método ‘Ver, Julgar, Agir’, promovendo uma reflexão sustentada na fé e na realidade social. Em comunicado, a organização reafirma o compromisso de “trabalhar na (re)construção de uma sociedade mais humana, de paz, e reconciliada com a natureza e com Deus”.![]() |
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