No Domingo do Bom Pastor, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, afirmou que “o Senhor Jesus, na tua vida, não se impõe, propõe-se”, sublinhando a centralidade da liberdade e do amor no caminho vocacional, na Eucaristia que assinalou o 18.º aniversário da Associação Amigas do Peito, em Mafra.
A Missa do 4.º Domingo da Páscoa, celebrado como Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações, reuniu os fiéis no claustro sul do Palácio Nacional de Mafra, devido às obras na basílica. A celebração marcou o 18.º aniversário da Associação Amigas do Peito, instituição dedicada ao apoio a doentes com cancro da mama, numa iniciativa que o Patriarca destacou como “um projeto de proximidade” que torna presente “a ternura que é própria do Bom Pastor, que é Jesus Cristo”. Na saudação inicial, D. Rui Valério sublinhou ainda que a associação “encarna no tempo e na vida de tantas irmãs aquele amor, aquela proximidade, aquela certeza de companhia e de presença que brota do Senhor Jesus”. Domingo do Bom Pastor: um Deus que chama pelo nome Na homilia da Missa, que foi transmitida em direto pela TVI, o Patriarca centrou-se na imagem bíblica do Bom Pastor, destacando que Deus “gosta de ser visto, gosta de ser reconhecido como Pastor”, convidando os fiéis a mergulhar no mistério de Cristo. Entre os principais pontos, evidenciou que “o Senhor Jesus, na tua vida, não se impõe. Ele propõe-se”, explicando que Deus respeita a liberdade humana e “quer entrar na tua vida através da porta do coração”. Outro aspeto central foi o carácter pessoal do chamamento. “Não existe a multidão, existe cada um de nós”, garantiu, acrescentando que Cristo “conhece-nos e chama-nos por nome”, num conhecimento profundo que ultrapassa a superficialidade dos dados e das aparências. Na sua reflexão, o Patriarca ligou esta mensagem ao Dia Mundial de Oração pelas Vocações, sublinhando a necessidade de “homens e mulheres livres”, capazes de responder ao chamamento de Deus e de se libertarem das “sepulturas de problemas” que limitam a vida. Amigas do Peito: rosto da ternura do Bom Pastor Dirigindo-se diretamente às voluntárias da associação Amigas do Peito, D. Rui Valério reconheceu nelas um testemunho concreto do Evangelho: “Vós sois o rosto dessa proximidade, dessa ternura de Cristo para connosco”. O Patriarca de Lisboa agradeceu o trabalho desenvolvido junto de mulheres com doença oncológica, sublinhando que, através desse acompanhamento, “foi Cristo que lhes veio ao encontro”. No início da celebração, também Maria da Graça Lacerda, em representação da associação, destacou o compromisso da instituição no apoio a doentes e famílias, recordando que a organização, fundada em 2008, promove acompanhamento, informação e apoio social, incluindo casas de acolhimento para doentes deslocadas. Caminho de vocação e santidade Na parte final da homilia, o Patriarca reforçou a ideia de vida como peregrinação, afirmando que Jesus “transforma a nossa vida numa caminhada” orientada para a santidade e a comunhão. “Cada experiência deixa de ser uma espécie de muralha e torna-se uma porta aberta”, frisou, convidando os fiéis a confiar em Cristo como “caminho para a plenitude”. Peregrinação e oração final Após a celebração, os membros da Associação Amigas do Peito peregrinaram até à sacristia da Real Basílica de Mafra, acompanhados pelo Patriarca, onde apresentaram as suas preces junto da imagem de Nossa Senhora da Soledade. “A maioria dos fiéis desconhece que a veneranda imagem de Nossa Senhora da Soledade conserva, no seu interior, uma estrutura utilizada para a colocação de pedidos de graças. Pontualmente, Irmãos e grupos de peregrinos confiam a Nossa Senhora as suas intenções, que são depois depositadas nessa mesma estrutura, como testemunho de devoção e confiança na sua intercessão materna. Que Nossa Senhora da Soledade Se digne atender todas as preces das «Amigas do Peito»”, desejou a Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra, numa publicação no Facebook. FOTOS: Patriarcado de Lisboa e Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra![]() |
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