O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, prestou o seu compromisso como Irmão de São Roque, na manhã desta terça-feira, dia 24 de março, durante a Missa no 520.º aniversário da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, garantindo o seu empenho a “praticar as obras de misericórdia”.
Na Igreja de São Roque, em Lisboa, neste dia 24 de março – data evocativa do início da construção da sua Ermida, mais tarde demolida para a Companhia de Jesus construir a Igreja de São Roque –, D. Rui Valério manteve a tradição de todos os Patriarcas de Lisboa serem Irmãos desta Irmandade, desde o primeiro Patriarca, D. Tomás de Almeida, que se encontra sepultado no altar-mor desta igreja. A Missa Solene foi presidida pelo Patriarca de Lisboa, e participada por utentes dos Equipamentos Sociais e de Saúde da Santa Casa Misericórdia de Lisboa, com D. Rui Valério a evocar a história de serviço e caridade da instituição e desafiando os seus membros a continuarem a ser sinal de esperança no coração da cidade. Na homilia, o Patriarca refletiu sobre a fragilidade humana à luz da fé cristã, sublinhando que “a vulnerabilidade é intrínseca à historicidade da condição humana”, mas que, na experiência cristã, essa fragilidade pode tornar-se lugar de encontro com Deus. Segundo afirmou D. Rui Valério, “precisamente no âmago das maiores precariedades manifesta-se a mais profunda ternura de Deus para com a humanidade”. Recordando a origem da Irmandade, fundada em 1506 num contexto de peste, o Patriarca destacou que esta nasceu “sob o signo da caridade e da proteção mútua, sob o olhar de Cristo, Aquele que, ferido na sua própria carne, se tornou bálsamo e remédio para as feridas do próximo”. D. Rui Valério sublinhou que a Irmandade vive há séculos esta atitude: “Nunca desviou o olhar para o lado para não ver a pobreza, a necessidade, nem nunca fechou os olhos à precariedade, à doença, aos abismos onde tantos vinham a cair”. Ao referir-se aos desafios atuais, o Patriarca alertou para as novas fragilidades presentes na sociedade, afirmando que “as ‘serpentes’ que nos mordem são outras, mas igualmente venenosas: a solidão, a indiferença, a falta de sentido existencial, a exclusão social”. D. Rui Valério considerou ainda que “celebrar 520 anos não é apenas olhar para um passado glorioso de talha dourada e mármores preciosos”, mas renovar a missão de testemunhar Cristo na cidade. Nesse sentido, apelou aos membros da Irmandade da Misericórdia e de São Roque para que sejam presença viva de misericórdia: “Cada irmão desta Irmandade é chamado a ser, no coração de Lisboa, esse ‘poste’ onde a misericórdia de Deus é exposta”. Num contexto mundial marcado por incerteza e conflito, o Patriarca concluiu convidando a Irmandade a continuar a ser sinal de esperança concreta, recordando que a resposta cristã passa por “elevar o sinal da esperança”. “Não uma esperança feita de palavras, mas de presença”, referiu. Ser fiel ao compromisso Após a homilia, teve lugar a celebração do compromisso dos novos irmãos. “Em nome da Santíssima Trindade, amen. Perante Deus, Nossa Senhora da Misericórdia, São Roque e toda a comunidade cristã aqui reunida, comprometo-me, na medida das minhas forças e com a ajuda divina, a praticar as obras de misericórdia, honrar os santos padroeiros desta Irmandade e ser fiel ao seu compromisso. Assim Deus me ajude”, leu o Patriarca de Lisboa. Após a leitura do compromisso, D. Rui Manuel de Sousa Valério vestiu a capa preta da Irmandade e inscreveu o seu nome no livro de Irmãos de São Roque. “A Irmandade tem muitos desafios” Na presença do irmão-provedor da Irmandade, Mário Pinto Coelho, e de muitos irmãos, também Marcelo Rebelo de Sousa, antigo Presidente da República, e o Padre Francisco Campos, s.j., atual reitor da Igreja de São Roque e Capelão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, celebraram o seu Compromisso de Irmão. Após o compromisso dos três novos irmãos, um responsável da Irmandade destacou a importância do momento: “A Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa fica hoje particularmente enriquecida com a admissão de novos irmãos e é com muita alegria que saudamos o seu compromisso. Juntos na oração, peçamos a intercessão de São Roque e da Maria Santíssima, Mãe de Jesus, para que, com a ajuda de Deus, nunca lhes falte o ânimo e a força para serem magnânimos no cumprimento do compromisso solenemente assumido. A Irmandade tem muitos desafios pela frente e o anseio muito forte de viver intensamente as obras da misericórdia. Os tempos que vivemos de guerra e de negação dos mais básicos direitos de humanidade pedem-nos redobrada generosidade. A Irmandade está sequiosa do vosso auxílio, pelo bom conselho que os oriente nos momentos de escolha, pela vossa muita experiência religiosa e humana, e que nos ajude a encontrar o bom caminho certo e seguro”. A Eucaristia no 520.º aniversário da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa contou ainda com a participação do coro da Capella Patriarchal, com direção de Pedro Rodrigues e João Vaz ao órgão. A Irmandade da Misericórdia e de São Roque é uma das mais antigas instituições de caridade de Lisboa, mantendo há mais de cinco séculos uma presença ativa na vida religiosa, social e cultural da cidade.![]() |
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