O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu na manhã deste Domingo IV da Quaresma, dia 15 de março, à Missa na conclusão das obras de restauro interior da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, e destacou a importância da participação da comunidade paroquial no processo de recuperação do templo, sublinhando que o resultado agora alcançado é fruto do envolvimento e da colaboração dos fiéis.
“Aqui nesta comunidade, ao longo destes meses, vocês tiveram um exemplo de como a vossa participação e a vossa solidariedade foram importantes”, afirmou o Patriarca, na homilia da Eucaristia que assinalou a conclusão das obras de restauro interior do templo. Referindo-se aos trabalhos realizados, ao longo do último ano, acrescentou que o objetivo foi “dar vida a uma maravilhosa igreja que estava a precisar de ser cuidada”. Na presença de D. José Traquina, atual Bispo de Santarém que foi pároco de Benfica entre 2007 e 2014, D. Rui Valério salientou que esta intervenção só foi possível graças ao contributo da comunidade. “Foi com a vossa colaboração, foi com a vossa ajuda”, realçou, apontando o restauro desta igreja com 216 anos como sinal concreto de comunhão e corresponsabilidade na vida da Igreja. Na homilia, o Patriarca sublinhou ainda que o esforço conjunto realizado pela paróquia constitui também um testemunho de fé e compromisso. A participação dos fiéis no cuidado do património e na vida da comunidade manifesta, segundo referiu, a importância da colaboração humana na obra de Deus. Recordando o sentido desta colaboração, afirmou: “Deus, podendo tudo fazer, não o quer fazer sozinho: quer fazê-lo contigo e comigo”. O Domingo ‘Laetare’ e o convite à alegria A celebração decorreu no Domingo IV da Quaresma, conhecido como Domingo ‘Laetare’, tradicionalmente marcado por um tom de alegria no caminho quaresmal. Na sua reflexão, D. Rui Valério explicou que este Domingo convida os cristãos a antecipar a alegria da Páscoa. “À medida que nos aproximamos do mistério pascal, somos convidados a sentir no coração aquela alegria transbordante”, afirmou. Partindo do Evangelho da cura do cego de nascença, o Patriarca destacou que o encontro com Cristo transforma a vida humana, conduzindo da escuridão para a luz. “Uma pessoa alegre é um raio de sol a iluminar a humanidade”, frisou. A alegria que nasce da fé Nesta paróquia da cidade, que tem como párocos in solidum o Padre Nuno Rosário Fernandes (moderador) e o Padre Luís Pedro, D. Rui Valério recordou ainda que a fé cristã se funda no encontro pessoal com Cristo e na experiência concreta da sua presença na vida de cada pessoa. Referindo-se ao caminho de fé do homem curado por Jesus no Evangelho, explicou que este passa do desconhecimento à profissão de fé: “Começou por dizer: ‘não sei quem é’; depois reconheceu-o como profeta; e finalmente confessou: ‘É o Senhor, eu creio’”. Para o Patriarca, esta experiência continua atual para todos os cristãos, chamados a reconhecer a presença de Deus na própria história. Concluindo a homilia, D. Rui Valério deixou um apelo à comunidade para viver a fé como fonte de esperança e alegria no mundo atual. “O cristão é o apóstolo, é o artesão da alegria”, afirmou, convidando os fiéis a serem sinal de esperança no meio das dificuldades da sociedade. “Sejamos aquele fragmento de luz e de sol lá onde às vezes só existe escuridão”, concluiu o Patriarca de Lisboa, confiando a comunidade à intercessão de Nossa Senhora do Amparo. “A fé de um povo, a oração de gerações” Antes da bênção final, o pároco in solidum (moderador), Padre Nuno Rosário Fernandes, explicou que as obras surgiram de uma necessidade concreta ligada à segurança do edifício. “Este é a concretização de um sonho, mas sobretudo de uma necessidade que se tornou premente devido à insegurança há muito sentida, pelas frequentes quedas de pedaços de estuque deste nosso teto”, referiu. Segundo o pároco, a preocupação levou a uma primeira pesquisa e pedido de orçamentos para uma intervenção que, desde o início, se revelou complexa. O processo acabou por ganhar novo impulso quando a paróquia alienou um edifício degradado à Junta de Freguesia de Benfica, que se comprometeu a recuperá-lo para habitação de renda acessível. “Era assim a oportunidade que faltava para podermos avançar para esta obra tão necessária”, afirmou, na presença do presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques. Inicialmente pensada apenas para o restauro do teto, a intervenção acabou por abranger um trabalho mais amplo de conservação do património artístico e religioso da igreja. O Padre Nuno Rosário Fernandes destacou o trabalho realizado pelo Instituto de Conservação e Salvaguarda do Património, sediado no Tortosendo, Covilhã, enaltecendo o profissionalismo da equipa coordenada por Ricardo Silveira e Bruno Rigueiro. “Sabemos que este é um trabalho exigente, de grande rigor, mas também de muita concentração e paciência”, salientou, recordando que os trabalhos recorreram a técnicas minuciosas e instrumentos delicados, desde cotonetes e pincéis a máquinas de vapor. Ao olhar para o resultado final, o sacerdote sublinhou o significado espiritual do restauro: “Hoje, ao olhar para esta igreja, com os seus 216 anos de história, não vemos apenas paredes restauradas ou pinturas recuperadas. Vemos a fé de um povo, a oração de gerações”. O Padre Nuno Rosário Fernandes agradeceu o contributo de todos os que tornaram possível a intervenção, destacando o trabalho do Conselho Paroquial para os Assuntos Económicos e o envolvimento da comunidade. “Por detrás desta obra estão muitos rostos e gestos concretos. Cada ajuda, cada contributo, cada palavra de incentivo fez parte deste caminho”, afirmou. Para o pároco, a renovação do templo, realizada durante o Ano Jubilar dedicado à esperança, tem também um significado simbólico: “Uma igreja restaurada por dentro é também um convite a deixarmo-nos restaurar interiormente pela graça de Deus”. Após a intervenção do sacerdote, o Patriarca de Lisboa descerrou e benzeu a lápide comemorativa, que vai agora colocada junto com as outras lápides que fazem parte da história deste tempo da cidade de Lisboa. Renovação integral No final da Missa, teve lugar uma sessão de partilha sobre o restauro da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, conduzida pelos responsáveis pela obra, Ricardo Silveira e Bruno Rigueiro, do ICSP- Instituto de Conservação e Salvaguarda do Património. Os especialistas detalharam as intervenções estruturais e artísticas realizadas, destacando a recuperação de cúpulas em risco de queda e a descoberta de pinturas marmoreadas originais sob camadas de tinta. Na presença do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, foi enfatizado o desafio logístico de manter as celebrações religiosas ativas durante os trabalhos, graças a uma estrutura de andaimes inovadora. Para além dos aspetos técnicos, foi sublinhada a ligação emocional com a comunidade local e a dedicação da equipa ao património. O projeto, inicialmente focado no teto, expandiu-se para uma renovação integral que incluiu mobiliário, iluminação e imagens sacras.![]() |
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