O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, visitou na manhã desta quinta-feira, 12 de março, a Associação Ajuda de Berço, em Benfica, e enalteceu o papel da instituição – que celebra hoje 28 anos – na construção do futuro das crianças através do afeto e da proximidade.
No dia em que a Associação Ajuda de Berço assinalou o seu 28.º aniversário, D. Rui Valério visitou pela primeira vez a sede social e casa de acolhimento residencial da instituição, situada na Rua Jorge Barradas, em Benfica. O espaço foi inaugurado a 13 de outubro de 2021 pelo então Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. O Patriarca foi recebido pela fundadora e presidente da direção da Ajuda de Berço, Sandra Anastácio, que apresentou a direção, os colaboradores, os voluntários e os benfeitores da instituição. “No meio de tudo, além do trabalho que temos feito, é a amizade que temos construído. Hoje podemos dizer, seguramente, que as pessoas que estão aqui nesta sala são das pessoas mais importantes das nossas vidas, porque todos os dias partilhamos uma coisa muito séria, que é a vida de cada pequenino”, salientou Sandra Anastácio. Na presença do Cónego Duarte da Cunha, a visita incluiu também a celebração da Palavra, durante a qual o Patriarca sublinhou a importância da paz e do ambiente humano que se vive na Ajuda de Berço. “Nesta instituição, a paz que aqui se respira é uma paz que é transportada no coração de cada um de vós. Aqui, a paz é oferecida”, afirmou. Na sua reflexão, D. Rui Valério destacou ainda que o trabalho desenvolvido pela Ajuda de Berço ultrapassa o presente imediato, projetando-se no futuro das crianças acolhidas. “Quando acolhemos crianças aqui e as acompanhamos, não estamos só a dar um presente melhor; o que fazeis aqui é em vista do futuro”, realçou. O Patriarca de Lisboa sublinhou também que o desenvolvimento integral das crianças depende sobretudo das relações humanas e do cuidado recebido. “Qual é o verdadeiro húmus do ser humano? Não é só a racionalidade académica escolar. O húmus do ser humano é o carinho, é a proximidade, é a ternura”, garantiu. Concluindo a sua intervenção, D. Rui Valério considerou que a missão da instituição constitui um dom para a sociedade: “A Ajuda de Berço é uma bênção de Deus para a nossa sociedade”. A caminho das 500 crianças acolhidas ao longo de 28 anos Após a celebração, decorreu um momento de diálogo entre o Patriarca de Lisboa e a direção, colaboradores, voluntários e benfeitores da instituição. A psicóloga Ana Monteiro, que trabalha na Ajuda de Berço desde a sua fundação, apresentou alguns dos principais dados do trabalho realizado. Segundo a responsável, ao longo destes 28 anos foram acolhidas 443 crianças na instituição. Destas, 179 foram integradas em famílias através da adoção e 212 regressaram às suas famílias de origem. “Primeiro tentamos sempre trabalhar com as famílias para ver se é possível o regresso da criança à família de origem”, explicou a psicóloga, acrescentando que 131 crianças voltaram a viver com o pai ou a mãe e 81 ficaram ao cuidado de familiares próximos, como avós ou tios. Outras 42 crianças foram encaminhadas para outras instituições, em alguns casos para ficarem mais próximas das famílias ou por necessitarem de cuidados especializados. Ao longo da história da casa, duas crianças faleceram e 37 viveram com doenças crónicas ou graves. Atualmente, a Ajuda de Berço acolhe 31 crianças. Sete aguardam integração numa família adotiva e outras têm processos de intervenção em curso para definir o seu futuro. Ana Monteiro sublinhou também a dimensão humana do trabalho desenvolvido na instituição. “Nós damos muito, mas também recebemos muito. Estes meninos ensinam-nos muitas coisas”, afirmou, destacando a forma como as próprias crianças acolhem quem chega à casa: “Qualquer criança que chega é muito bem-recebida pelas outras. Querem mostrar a casa e ajudam nesse acolhimento”. “O mais decisivo é que estas crianças se sintam amadas” Na resposta à apresentação, o Patriarca de Lisboa destacou que o elemento essencial no crescimento das crianças é a experiência de serem amadas. “O mais importante é que estas crianças, que já estão privadas de tantas coisas, não sintam falta de uma: sentirem-se amadas”, observou D. Rui Valério, acrescentando: “A criança está numa condição de dependência, mas é importante que perceba que essa dependência nasce do carinho e do amor que têm por ela”. Durante o encontro, um dos fundadores da instituição, António Maria Pinheiro Torres, recordou as origens da Ajuda de Berço, ligadas ao contexto das campanhas sobre o aborto no final da década de 1990 e ao desejo de apoiar concretamente mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade. Também Sandra Anastácio sublinhou que o trabalho da instituição, embora exigente, é vivido como uma missão marcada pela esperança. “Isto dá-nos uma fadiga feliz”, afirmou, recordando uma expressão do Papa Francisco: “Ao final do dia sentimos sempre uma esperança renovada, porque estamos a cuidar da vida de alguém para garantir um futuro melhor”. Respondendo às intervenções, D. Rui Valério agradeceu o testemunho da instituição e destacou o seu significado para a Igreja e para a sociedade. “É uma manifestação do nível de humanismo que a Igreja promove. Verificamos aqui que a santidade ganha rosto em lugares como este, em paraísos como aquele que está aqui a ser construído”, considerou. Saúde mental surge como desafio crescente Questionada pelo Patriarca sobre os principais desafios atuais, a psicóloga Ana Monteiro apontou a saúde mental como uma das maiores preocupações no acompanhamento das famílias e das crianças. “A maior parte dos problemas das crianças que são hoje retiradas às famílias tem origem em situações de desorganização familiar, muitas vezes ligadas à saúde mental”, explicou, referindo também dificuldades económicas, negligência e situações de maus-tratos. Segundo a psicóloga, têm surgido cada vez mais casos associados a problemas psicológicos e a consumos, tanto nas famílias como nas próprias crianças. “Em muitos casos, as crianças chegam já medicadas”, lembrou. Após o diálogo, o Patriarca de Lisboa visitou os vários espaços da instituição, incluindo os armazéns de bens alimentares e de roupa, bem como os quartos, salas e áreas comuns da casa. No final da visita, D. Rui Valério almoçou com a direção da Ajuda de Berço.![]() |
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