Lisboa |
Patriarca abençoa cidade de Lisboa
Procissão do Senhor dos Passos da Graça desafia cristãos a serem construtores de esperança e paz
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu na tarde deste Domingo II da Quaresma, dia 1 de março, à tradicional Procissão do Senhor dos Passos da Graça, que percorreu as ruas de Lisboa até ao Miradouro da Graça, onde abençoou a cidade. No final, após cerca de três horas de procissão, dirigiu uma meditação aos fiéis, centrando a sua reflexão no significado dos “passos” de Jesus como caminho de esperança para a vida pessoal e para a história da humanidade.

Evocando as quedas, o abandono e a traição sofridos por Cristo, D. Rui Valério sublinhou que esses momentos não foram o fim, mas etapas de um caminho maior: “A queda, o abandono, a traição, o desprezo, a ridicularização transformaram-se em etapas de uma glória maior”.

Na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Patriarca recordou que, ao longo da procissão, não estiveram apenas presentes “os passos de Jesus de há dois mil anos”, mas também “os passos da nossa vida, os passos da nossa humanidade”, marcados por dramas concretos como a guerra, a pobreza, a solidão ou as catástrofes naturais.

Perante esses sofrimentos, deixou claro que os cristãos não podem ficar apenas na emoção: “Há uma obrigação de nós, cristãos: não é um caminho que nos conduz apenas à compaixão, mas o caminho dos passos de Jesus deve-nos conduzir ao empenho, ao compromisso”.

Neste sentido, a primeira missão da Igreja, afirmou D. Rui Valério, é transmitir esperança: “Dizer a quem sofre, dizer a quem não passa muito bem: coragem. Isso é apenas uma passagem, é apenas uma etapa. Eu sei que não é a meta”.

 

Promover a paz: oração, justiça e compaixão

Na meditação, o Patriarca de Lisboa apontou ainda a promoção da paz como segundo compromisso essencial, propondo três atitudes concretas. Em primeiro lugar, destacou a oração, recordando a mensagem de Nossa Senhora na Cova da Iria e a recitação do Rosário “para a paz”, sublinhando a sua força para “promover, estruturar, modelar o mundo e os corações numa cultura de paz”.

Em segundo lugar, referiu a justiça como fundamento da paz, evocando a primeira Jornada Mundial da Paz promovida por Papa São Paulo VI: “Pela justiça nós chegamos à paz”. E apelou a que cada um comece “pelo nosso quinhão doméstico”, na família, na comunidade e no local de trabalho.

Por fim, destacou a compaixão como “a mãe da solidariedade”, alertando para “o risco do zapping” perante o sofrimento alheio. “A compaixão é quando tu te comprometes com alguém realmente, quando tu vives e sentes na tua carne aquilo que o outro está a viver e a sentir”, afirmou.

 

Bênção à cidade

Organizada pela Real Irmandade dos Passos da Graça, com o apoio da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, a Procissão do Senhor dos Passos da Graça é uma das mais antigas manifestações religiosas da cidade de Lisboa, com origem em 1587.

A procissão teve início pelas 15h00, junto à Igreja de São Roque, no Largo Trindade Coelho, e dirigiu-se à Baixa-Chiado com destino à Igreja da Graça, onde chegou já perto das 18h00. Após a meditação, o Patriarca de Lisboa, e Aio do Senhor dos Passos, convidou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e também o novo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, a acompanhá-lo para a bênção da cidade com o Santo Lenho, uma relíquia da Cruz em que Jesus Cristo foi crucificado.

 

Senhor dos Passos: do Calvário à esperança da ressurreição

Na Missa celebrada na Igreja da Graça, após a procissão e a meditação final, D. Rui Valério saudou o Núncio Apostólico, assinalando aquela que considerou ser a primeira celebração em que participou no Patriarcado de Lisboa: “Que seja muito bem-vindo e os maiores sucessos espirituais e diplomáticos”.

Na homilia, o Patriarca enquadrou a celebração no tempo da Quaresma, como preparação para o mistério pascal, que “envolve sofrimento, traição, alegria, fidelidade, abandono, solidão. Envolve morte, mas envolve também plenitude de vida na ressurreição do Senhor”.

Referindo-se ao Senhor dos Passos, destacou que o percurso de Cristo é um ensinamento para os tempos atuais: “Os passos são memórias daquele que também nos esmaga, mas considerados e vistos como etapas em vista de uma meta que é uma meta gloriosa”.

Sublinhando a centralidade da esperança cristã, D. Rui Valério afirmou que “a meta do absoluto da vida humana não é a queda, não é a contrariedade, não é o fracasso. Tudo isso não é se não um degrau nas escadas da glória da plenitude de vida, que é a ressurreição”.

Dirigindo-se diretamente aos fiéis, o Patriarca de Lisboa concluiu a homilia com um apelo inspirado nas palavras de Jesus aos discípulos: “Levanta-te, levanta-te e ajuda o teu irmão a reerguer-se”.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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