O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu, na manhã deste Domingo II da Quaresma, à Eucaristia que marcou o início da Semana Nacional Cáritas 2026 (1 a 8 de março), na Igreja Paroquial da Póvoa de Santo Adrião. Na celebração, deixou um convite a uma vida de comunhão com Deus que “resplandece na maneira como eu abordo os meus irmãos” e apresentou a Cáritas como “um farol”, sublinhando que o critério da sua ação “é sempre o amor”.
Na homilia da Missa que foi transmitida em direto na TVI, o Patriarca começou por sublinhar que a Quaresma conduz ao centro da fé cristã: “A Quaresma prepara-nos para a celebração do mistério pascal, que é o coração da fé cristã”. Um mistério que, afirmou, “envolve sofrimento, envolve morte, envolve traição, mas também envolve angústia e envolve ressurreição”, onde “se decifra e se realiza não apenas o sentido da vida, mas também o sentido da história do mundo”. “Êxodo de nós próprios” Na presença do presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins, e partindo da figura de Abraão, D. Rui Valério destacou o convite de Deus a deixar “terra, família e casa do pai”, realidades que sustentam a identidade de cada pessoa. “Quando Deus se dirige a Abraão e lhe pede ‘Sai’, deixa tudo isso, está Deus a pedir a Abraão que, de certa maneira, morra a si mesmo”, considerou. Este chamamento, acrescentou, é também dirigido hoje a cada cristão: “Também hoje nós ouvimos este chamamento de Deus a empreendermos um êxodo, ou seja, uma saída de nós próprios”. Referindo-se ao episódio da Transfiguração, o Patriarca sublinhou que os cristãos são convidados a subir com Cristo ao monte e a deixar-se transformar: “Tu hoje és chamado a ser este rosto resplandecente de Jesus. Tu e eu somos chamados a ser as suas vestes brancas no mundo, na sociedade e na história”. Explicando o significado desta imagem, afirmou que a presença da graça de Deus deve ser “de tal maneira autêntica, real, forte, intensa, que transborda, que se torna visível”. A fé, acrescentou, não é “um faz de conta”, mas uma vida de comunhão com Deus que “resplandece na maneira como eu abordo os meus irmãos”. Cáritas, “farol” de amor no mundo No contexto do início da Semana Nacional Cáritas, D. Rui Valério destacou que “aquele amor que permanece no nosso coração, ele deve ser forte, intenso, real, que se torna visível, que se torna testemunho, que se torna anúncio, que se torna força transformadora e estruturante da sociedade”. Referindo-se à situação internacional, observou que o mundo “está mais cinzento do que estava antes”, tornando-se necessária “uma luz que resplandeça, que torne a guerra em paz, que torne os corações duros em corações abertos”. Neste sentido, afirmou que a Cáritas é “como se fosse um farol”, pois o critério da sua ação “é sempre o amor”, um amor “que ultrapassa todos os obstáculos, que não conhece fronteiras”. O Patriarca de Lisboa esclareceu ainda que a missão da Cáritas, Portuguesa e as diversas Diocesanas, não se limita ao socorro material: “A ação da Cáritas é para que o mundo seja santificado, para que o mundo se torne mais santo.” E explicou: “Aquele pão repartido que nós distribuímos pelos irmãos é um pão repartido pela força do amor”. “Escutai-O”: a proximidade que gera comunhão Na parte final da homilia, D. Rui Valério recordou as palavras do Pai na Transfiguração: «Tu és o meu Filho muito amado» e «Escutai-O!», para apontar que a verdadeira compreensão de Jesus nasce da proximidade e da comunhão: “A verdadeira e autêntica compreensão de Jesus só acontece se com Jesus tivermos uma relação de proximidade, uma relação de comunhão”. A escuta da Palavra, acrescentou, conduz à conversão e à santificação: “É pela escuta da Palavra que nós chegaremos à conversão de coração”. O Patriarca de Lisboa concluiu convidando os fiéis a assumirem este compromisso: “Louvemos o Senhor pela disponibilidade em sermos homens e mulheres que verdadeiramente se assumem como este rosto resplandecente de Jesus e como vestes brancas como a luz”. “Ninguém deve ficar para trás” No início da celebração, a presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, reconheceu o contexto difícil em que decorre a Semana Nacional Cáritas: “Hoje é um dia difícil de festa, porque o mundo está difícil e a Cáritas gostaria de poder fazer festa com mais paz do que nós temos hoje”. Sublinhando o sentido da missão, afirmou que a Cáritas é chamada a “olhar o mundo com os olhos do amor que transforma”, um amor que reconhece “a dignidade de cada pessoa” e que se traduz na certeza de que “ninguém deve ficar para trás”. A responsável desejou que a celebração ajude a renovar o compromisso de “sermos presença de amor onde houver solidão, luz onde houver sombra”, inspiração que marca a Semana Nacional Cáritas 2026. Semana Nacional Cáritas 2026: 1 a 8 de março Num momento em que o país enfrenta mais um desafio resultante do impacto das recentes tempestades que atingiram todo o território português, a Cáritas Portuguesa recorda que a sua missão vai além das respostas de emergência, o que reforça a importância de se assinalar a Semana Nacional Cáritas, nos dias 1 a 8 de março. O destaque desta Semana é o Peditório Nacional Público, que apela à solidariedade dos portugueses, tanto na rua como em formato online, para reforçar a resposta da Cáritas junto das pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Da agenda faz ainda parte a apresentação da 3ª edição do relatório anual ‘Pobreza e Exclusão Social’, no dia 4 de março, pelas 10h00, no espaço Atmosfera M, em Lisboa. O relatório parte da análise das estatísticas oficiais e, apesar de apontar uma evolução favorável em alguns indicadores, lembra que “em algumas dimensões de exclusão mais profunda, assistimos mesmo a um retrocesso nos últimos anos, por exemplo no número de pessoas em situação de sem-abrigo, que mais do que duplicou entre 2019 e 2024.” A Semana Nacional Cáritas antecede o Dia Nacional Cáritas, assinalado no Domingo III da Quaresma. Sob o mote ‘O Amor que Transforma’, a semana pretende dar visibilidade à ação da Cáritas no combate à pobreza e à exclusão social. Ao longo destes dias, decorrem em todo o país ações de sensibilização, momentos de reflexão sobre a ação social e iniciativas de animação pastoral, envolvendo Cáritas Diocesanas, grupos paroquiais, voluntários e comunidades locais. “O compromisso solidário de todos permite-nos manter uma ação continuada junto das pessoas e famílias em maior vulnerabilidade”, sublinha Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa. Mensalmente são acompanhadas mais de 25 mil pessoas através da rede nacional de Cáritas Diocesanas e grupos paroquiais: a ajuda concretiza-se no apoio social, respostas sociais, projetos de inserção social e empregabilidade e integração de migrantes e refugiados. Num contexto marcado pela emergência, o aumento do custo de vida, o desemprego, os baixos rendimentos e as despesas com habitação e saúde continuam a ser os principais fatores de fragilidade das famílias em Portugal, reforçando a importância da ação da Cáritas e do envolvimento da sociedade no apoio a quem mais precisa. Meios de doação:![]() |
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