Lisboa |
Missa no Domingo I da Quaresma
Patriarca desafia a viver a Quaresma “vitoriosos na santidade, no amor e na fidelidade”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa no Domingo I da Quaresma, dia 22 de fevereiro, na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião, convidando os fiéis a percorrerem, com Jesus, o caminho do deserto como tempo de revisão das opções de vida e redescoberta da vocação cristã.

Na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Anunciação, na Póvoa de Santo Adrião, na Vigararia de Loures-Odivelas, o Patriarca sublinhou na homilia que, neste início do tempo quaresmal, “partilhamos o silêncio do deserto com Jesus, para onde Ele foi conduzido, para com Ele revisitarmos as nossas opções de vida e o significado da existência”.

Na Missa concelebrada pelo pároco, Padre Carlos Fernandes, e partindo das leituras proclamadas, D. Rui Valério apresentou três “pérolas maravilhosas” oferecidas pela Palavra de Deus: a recuperação da vocação original do ser humano, o combate de Jesus contra a tentação e o apelo à comunhão plena anunciado por São Paulo.

Sobre a criação, afirmou: “O ser humano é como uma ponte, uma ponte que tem uma relação com a terra, mas uma ponte também que tem um lançamento para o céu, para a dimensão espiritual. Nós somos uma ponte, nem só seres terrenos, mas também não só seres celestiais”.

Na presença do presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins, o Patriarca recordou ainda que fomos criados livres, mas “livres para a liberdade tudo na verdade”, explicando que essa liberdade se realiza “na medida em que cumprirmos a vontade de Deus”. Sublinhou igualmente que o ser humano foi feito para a relação: “Nós somos feitos para a relação, não para sermos ilhas isoladas, não para estarmos no isolamento total e absoluto”.

 

A pedagogia da tentação

Ao refletir sobre a ação do maligno, presente na primeira leitura e no Evangelho, o Patriarca destacou a estratégia da tentação, que se aproveita da fragilidade e coloca o “eu” no centro.

“Podemos dizer assim que, nas mãos do maligno, o ‘eu’, o nosso ‘eu’, é verdadeiramente uma arma de arremesso contra nós”, afirmou, explicando que tanto a mulher no Génesis como Jesus no deserto são interpelados a satisfazer desejos pessoais em detrimento da vontade de Deus.

Referindo-se à primeira tentação de Cristo, D. Rui Valério sublinhou que o desafio lançado a Jesus era usar o seu poder “em teu benefício próprio”. Contudo, frisou: “Jesus em caso algum, em circunstância nenhuma, colocou o seu ‘eu’ no centro. Jesus não veio verdadeiramente para Se servir a Si. Ele veio para nós”.

 

Fidelidade à missão e força da Palavra

O Patriarca de Lisboa evidenciou ainda que Jesus vence o tentador permanecendo fiel à sua missão e respondendo sempre com a Palavra de Deus: “Jesus dialoga com aquele que Lhe está a dificultar a vida, mas com palavras que são palavras do Pai”.

E deixou um apelo concreto aos fiéis: “Usa sempre a Palavra de Deus. É muito fácil para nós também usarmos as palavras da cultura, as palavras que uma certa sociedade nos oferece”, alertando para o risco de enfrentar as dificuldades “à maneira mundana”.

Na conclusão da homilia, D. Rui Valério recordou que “nós fomos feitos não para a perdição, não para a queda, que também acontece, mas aquilo que é a grande meta, o sentido da nossa existência é a redenção em Cristo, é a salvação”. Por isso, desafiou: “Como viver esta Quaresma? Não de derrotados, não de condenados, não de fracassados, mas, em Cristo, de vitoriosos. Vitoriosos na santidade, vitoriosos no amor, vitoriosos na fidelidade total e plena a Deus, Nosso Senhor.”

 

Renúncia quaresmal para vítimas das depressões

Antes da bênção final, o Patriarca de Lisboa recordou que a Quaresma é “um tempo de oração, é um tempo de encontro, de disponibilidade com o Senhor”, sublinhando que é a partir dessa vida de oração que os cristãos são “continuamente plasmados pela sua palavra”.

Destacou ainda as três dimensões tradicionais deste tempo: “Um tempo de oração, portanto, é um tempo de esmola, de caridade, de partilha”, bem como “um tempo de jejum”, entendido como disciplina a reavivar “particularmente ao nível da dimensão espiritual, da vida espiritual, mas também ao nível da existência, ao nível da afetividade, ao nível da integralidade do nosso ser”.

Tal como anunciou na Mensagem para a Quaresma de 2026, D. Rui Valério recordou que o fruto da renúncia quaresmal do Patriarcado de Lisboa, neste ano, será destinado a “situações e para pessoas que foram vítimas destas intempéries que têm assolado Portugal”, ajudando “pessoas, famílias, situações, instituições que foram gravemente afetadas pelas tempestades”.

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