Lisboa |
Encontro ‘Legado do Papa Francisco sobre as Migrações’
Fazer da Quaresma um caminho de justiça e acolhimento aos migrantes
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, apelou a uma conversão concreta da Igreja e da sociedade à justiça social, centrada no acolhimento e integração dos migrantes, durante a homilia da Missa de encerramento do encontro ‘Legado do Papa Francisco sobre as Migrações’, assinalado no Dia Mundial da Justiça Social, 20 de fevereiro, na Igreja do Santíssimo Redentor da Damaia.

A iniciativa foi promovida pelo Fórum de Organizações Católicas para a Imigração e Asilo (FORCIM), plataforma que reúne instituições da Igreja Católica dedicadas ao apoio a migrantes e refugiados, promovendo o seu acolhimento, integração e defesa da dignidade humana.

Partindo da liturgia do dia, D. Rui Valério evocou o clamor do salmista – «Não desprezeis, Senhor, o nosso coração humilhado e contrito» – como expressão do sofrimento atual “das populações migrantes, dos pobres sem abrigo, dos trabalhadores sem direitos, dos povos sem paz”. Recordando o apelo do profeta Isaías a um jejum que liberta os oprimidos, sublinhou que “a penitência que agrada ao Senhor é inseparável do amor concreto ao irmão” e que a Quaresma constitui “uma oportunidade particular” para gravar esta certeza no coração dos fiéis.

 

Quatro verbos como caminho de conversão

O Patriarca destacou o contributo do Papa Francisco, que “trouxe o drama das migrações da periferia para o centro”, propondo, na encíclica Fratelli Tutti, quatro verbos orientadores: “acolher, proteger, promover e integrar”.

“Estes verbos não são uma estratégia. São um caminho de conversão evangélica e um teste à autenticidade da nossa fé”, afirmou, acrescentando que “quem acolhe o migrante, acolhe Cristo”, recordando o critério evangélico de Mateus 25.

No desenvolvimento da reflexão, D. Rui Valério advertiu contra o risco de um “culto hipócrita, feito de ritos sem justiça”. “A comunidade que não acolhe, fecha-se ao Evangelho”, afirmou, defendendo que acolher implica “tempo, escuta e presença”, numa “transformação radical do coração: passar da indiferença ao abraço, passar da tolerância à fraternidade”.

Sobre o segundo verbo, proteger, considerou tratar-se de “um imperativo de justiça” e não de mera comiseração. Proteger, explicou, significa também “denunciar estruturas de pecado que perpetuam o tráfico humano, o trabalho escravo, a exclusão habitacional e o racismo subtil”. “A justiça gera luz. Onde protegemos os frágeis, aí Deus renova a sua aliança com a humanidade”, citou, evocando o profeta Isaías.

 

Uma Igreja “casa de todos”

Ao abordar o verbo promover, o Patriarca defendeu que a caridade cristã não pode limitar-se à esmola, mas deve criar condições para que todos possam florescer. “Promover é investir na formação, no emprego digno, na língua, na cultura”, mas também reconhecer e valorizar “o contributo espiritual e cultural das comunidades migrantes na própria Igreja”.

Já sobre integrar, sublinhou que não se trata de uniformizar, mas de “tecer comunhão na diversidade”. “As comunidades migrantes não são apêndices do nosso corpo eclesial: são membros vivos, portadores de dons, chamados à missão”, afirmou, insistindo que a integração é um caminho de mão dupla, que implica corresponsabilidade e enriquecimento mútuo.

Numa referência forte ao Evangelho, advertiu: “Quando o migrante é rejeitado, Cristo é rejeitado. Quando se levantam muros, a carne de Deus é crucificada.” Pelo contrário, “quando o pão é partilhado, quando o lar se abre, quando a comunidade se alarga, então o Esposo volta a estar no meio de nós”.

A concluir, D. Rui Valério desafiou os fiéis a serem “discípulos em saída, missionários da justiça social, artesãos da paz e profetas de uma sociedade reconciliada”, convidando a fazer de Lisboa “casa de fraternidade” e “cidade dos sonhos”, em sintonia com o Papa Francisco.

“Façamos do nosso jejum um caminho de amor, onde ninguém é estrangeiro, e todos são chamados bem-aventurados”, apelou.

fotos por Agência Ecclesia/PR
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