O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, afirmou que a Quaresma é “a construção da eternidade na passagem do tempo”, desafiando os fiéis a viverem este tempo litúrgico como um caminho de conversão profunda e de compromisso concreto com os mais afetados pelas tempestades que recentemente assolaram o país.
Na homilia da Missa de Quarta-feira de Cinzas, celebrada na Sé Patriarcal de Lisboa, no dia 18 de fevereiro, o Patriarca partiu da interrogação do profeta Joel – “Onde está o teu Deus?” (Jl 2,17) – para reconhecer que essa pergunta “ecoa hoje nas ruas de Portugal”, no meio dos “escombros” deixados pelo mau tempo.
“A resposta não é um silêncio evasivo, nem uma teoria abstrata sobre o sofrimento, mas é Jesus Cristo, o Filho amado do Pai, enviado ao mundo”, afirmou, sublinhando que “este é o tempo favorável, este é o dia da salvação”.
“Lembra-te que és pó”
Refletindo sobre o significado das cinzas, D. Rui Valério considerou-as “o sinal por excelência deste dia” e definiu-as como a “vocação humilde da nossa humildade”. Citando o livro do Génesis – “Memento, homo... Lembra-te que és pó” (Gn 3,19) – explicou que não se trata de um “pó inerte de um nada metafísico”, mas do “pó que Deus quis moldar com as Suas próprias mãos”.
O Patriarca alertou para a fragilidade das realidades humanas: “Nada do que é puramente humano – as nossas obras, as nossas instituições, as nossas seguranças – possui em si o gérmen da eternidade”. Reconhecer essa condição, acrescentou, “não é pessimismo, é realismo litúrgico”.
A conversão quaresmal, frisou, não pode reduzir-se a “um mero reajuste moral ou cosmético da existência”, mas deve ser “um mergulho profundo na verdade do nosso ser”, sintetizado no programa: “Tudo com Deus e tudo por Deus”.
Oração, jejum e esmola: do “eu” ao “nós”
Comentando o Evangelho, D. Rui Valério destacou que o jejum, a oração e a esmola não são fins em si mesmos, mas “práticas relacionais que nos arrancam ao solipsismo”. “Se forem feitas ‘para sermos vistos’, morrem na autorreferencialidade; são cinza sem vida”, advertiu. Pelo contrário, quando vividas “a partir de Cristo” e em comunhão com os irmãos, tornam-se “expressões de uma vida centrada em Cristo” e abrem “aos horizontes da eternidade”.
Na oração, explicou, o cristão não está sozinho, mas caminha com Cristo “na mais profunda intimidade com o Pai”. Na esmola, não se trata de “filantropia com sobejos”, mas de dar o próprio Cristo. E no jejum, “despojamo-nos do acessório para que o essencial – o Espírito – tenha espaço para agir”.
Renúncia quaresmal destinada às vítimas das tempestades
No final da homilia, o Patriarca de Lisboa lembrou que o fruto da renúncia quaresmal deste ano será destinado a pessoas e instituições afetadas pelas tempestades em Portugal, com coordenação da Cáritas Diocesana de Lisboa, conforme anunciado na sua Mensagem para a Quaresma de 2026.
“Com a esperança que nunca nos abandona”, afirmou, a Igreja de Lisboa quer que a esmola quaresmal seja sinal concreto de solidariedade e de reconstrução.
Evocando ainda o apelo do profeta Joel – “Rasgai o coração e não as vestes” –, D. Rui Valério sublinhou a urgência de um compromisso pessoal com a santidade: “Na economia da graça, Deus é o Protagonista, mas hoje Ele exige a nossa cooperação livre, dócil, mas decidida. É urgente o compromisso com a salvação”.
A concluir, desejou que, “das cinzas da finitude das nossas vidas, floresça a alegria da Páscoa eterna”, deixando um apelo: “O futuro começa hoje”.
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