Lisboa |
Missa do 41.º Encontro Nacional da Vida Consagrada
Patriarca garante que “a técnica repara; a graça restaura”
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No 41.º Encontro Nacional da Vida Consagrada, celebrado no Santuário de Fátima, o Patriarca de Lisboa sublinhou que, perante as recentes intempéries que atingiram o país, “a técnica repara; a graça restaura”, defendendo que só a ação da graça divina é capaz de reconstruir verdadeiramente os corações feridos.

Na homilia da Missa, na manhã deste Domingo, 15 de fevereiro, D. Rui Valério partiu da “mais recente manifestação, em Portugal, da força indomável da natureza”, evocando “ventos que rasgam paisagens, águas que invadem casas, árvores tombadas, estradas interrompidas, igrejas feridas, vidas atingidas”. Perante este cenário, recordou que “a natureza não é uma divindade hostil nem um poder cego em rivalidade com o homem; é criatura”, acrescentando, com São Tomás de Aquino, que “a graça não destrói a natureza, mas supõe-na, aperfeiçoa-a e eleva-a”.

“Sempre que a natureza nos revela a fragilidade – e com ela a nossa própria vulnerabilidade – não somos chamados ao desespero, mas à abertura à graça”, afirmou. E reforçou: “Perante casas devastadas, campos destruídos, comunidades feridas, sentimos, como Consagrados, que só os ativos da Graça divina podem resgatar a depressão que as adversidades naturais geram. A técnica repara; a graça restaura. A técnica reconstrói paredes; a graça reconstrói corações”.

 

“Dos escombros emergiu solidariedade”

O Patriarca destacou que, no meio da destruição, surgiu uma “parábola viva” de proximidade e entreajuda. “Dos escombros emergiu solidariedade. Dos cortes de energia nasceu luz de fraternidade. Ninguém ficou indiferente; ninguém permaneceu de fora”, assinalou, considerando que a tempestade “serviu de moldura para a beleza da caridade”.

Dirigindo-se diretamente aos consagrados, afirmou que a vida religiosa “não é uma fuga do mundo ferido, mas uma imersão nele com os recursos do Céu”. Citando o Evangelho de São João – “estamos no mundo, mas não somos do mundo” (cf. Jo 17, 14-16) –, explicou que os consagrados são “sinal escatológico, eco da eternidade no tempo”.

Os votos de pobreza, castidade e obediência, frisou, “não são meras renúncias éticas ou funcionais”, mas “configurações ao Reino”. “Ser Consagrado é ser a ‘encarnação da beleza do Evangelho’”, afirmou, acrescentando que os religiosos são chamados a viver como uma “dança ao ritmo da melodia do Céu”.

 

“Salvar o homem” como missão concreta

Na reflexão sobre a segunda leitura, D. Rui Valério evocou São Paulo e a “sabedoria que não é deste mundo”, recordando que “nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram…” (1 Cor 2, 8). Essa sabedoria, disse, “não se aprende; acolhe-se”.

“O desafio da Vida Consagrada em Portugal, hoje, é assumir o olhar de Jesus”, afirmou, sublinhando que não basta uma análise sociológica da realidade: é necessário deixar-se mover pela compaixão. “A nossa razão de ser é ‘salvar o homem’”, declarou, citando Santo Ireneu: “a glória de Deus é o homem vivo”.

Segundo o Patriarca, a vida consagrada “não é assistência social espiritualizada; é profecia de eternidade”. “Não fomos chamados para conservar estruturas efémeras, mas para construir as estruturas da salvação”, salientou, defendendo que salvar o homem “é uma missão concreta”, que passa por criar “estruturas de graça onde cada pessoa possa descobrir a sua dignidade e o seu destino eterno”.

 

“A natureza pode tremer, mas a graça permanece”

Comentando o Evangelho – “Ouvistes que foi dito… Eu, porém, digo-vos…” (Mt 5, 21.27.33) –, o Patriarca destacou que Jesus conduz a Lei ao coração, exigindo uma justiça mais profunda. “Não basta não matar; é preciso reconciliar. Não basta não adulterar; é preciso purificar o coração”, afirmou.

Num mundo que “se contenta com mínimos morais e consensos frágeis”, os consagrados são chamados a testemunhar “máximos evangélicos” e a viver “na altitude do dom total”.

A concluir, D. Rui Valério afirmou que as recentes tempestades foram “um espelho” que revelou a fragilidade das estruturas humanas, mas também a firmeza da graça: “A natureza pode tremer, mas a graça permanece. E quando a graça permanece, a esperança renasce”.

No lugar “onde o Céu tocou a Terra”, pediu a intercessão de Maria para que a Vida Consagrada continue a ser “sinal luminoso”, permanecendo “ancorada na eternidade, servindo o homem com o coração de Deus”.

foto por Duarte de Mourão Nunes (Arquivo – Peregrinação Diocesana a Fátima)
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