Lisboa |
Vigararia da Lourinhã
Patriarca inaugura Visita Pastoral com apelo a ser “sal da terra e luz do mundo”
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O Patriarca de Lisboa presidiu à Missa de abertura da Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã, celebrada no Pavilhão Municipal João Francisco Ribeiro Corrêa, no Cadaval, na tarde deste Domingo, 8 de fevereiro, sublinhando que este é um “tempo de graça” em que “o Senhor visita o seu Povo”.

“Esta não é apenas uma frase de circunstância ou um lema programático para os próximos dias; é a maravilhosa certeza que pulsa no nosso coração”, afirmou D. Rui Valério no início da homilia, destacando que a Visita Pastoral é, antes de mais, acolhimento da presença de Cristo na vida concreta das comunidades.

O Patriarca sublinhou que o Senhor “vem ao nosso encontro não como um juiz distante ou um inspetor de estruturas”, mas como Aquele que ajuda a superar dificuldades e desafios, chamando os fiéis a recuperar a consciência de que “a Igreja não é um projeto individual, nem tão pouco uma instituição social ou uma ONG”, mas “o próprio Corpo de Cristo, do qual Ele é a Cabeça e nós os membros”.

Neste contexto, lançou interrogações diretas à assembleia: “Somos membros deste Corpo? O pulsar do nosso coração está sintonizado com o d’Ele?”. E apontou o horizonte da missão com as palavras do Evangelho: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14).

 

“Ser sal” como entrega e preservação

Desenvolvendo a imagem evangélica, D. Rui Valério explicou que o sal “tem uma missão profundamente humilde”, pois “desaparece nos alimentos para que o sabor destes venha ao de cima”. “Ser sal significa a disposição de morrer a si mesmo para que, na dádiva de amor a Deus, os irmãos vivam da abundância da comunhão”, explicou.

O Patriarca alertou ainda para o risco de um “ativismo estéril” ou de “iniciativas de duvidoso sabor pastoral”, recordando que “a missão da Igreja consiste na comunicação e implementação da própria vida de Deus”.

Além de dar sabor, o sal conserva e impede a corrupção. Numa cultura “fragmentada e sem sentido”, a comunidade cristã é chamada a preservar a humanidade “dos germes corrosivos como o egoísmo, a injustiça e a degradação moral”, evitando que o mundo se torne “uma máquina de eficiência sem alma”. A Visita Pastoral deve, por isso, ajudar a suscitar “corações de carne”, destruindo a dureza dos “corações de pedra”.

 

A luz que é gesto e serviço

Comentando a expressão “Vós sois a luz do mundo”, o Patriarca recordou que a luz é condição de vida e não mero adorno. Citando o profeta Isaías, explicou que a luz cristã não é “uma ideia teórica ou um conceito intelectual”, mas um gesto concreto: “Quando repartes o pão com o faminto, quando dás pousada ao desabrigado, quando no meio da tempestade não voltas as costas ao teu semelhante”.

“É a luz cristã e o amor transfigurado em serviço que nos torna verdadeiros discípulos e testemunhas de Cristo”, realçou, sublinhando que não se trata de uma iluminação “para ‘parecer bem’ nas estatísticas”, mas de “uma luz ética e mística”, que é “o amor feito serviço humilde e constante”.

 

Tempo de cura e renovação

Na parte final da homilia, D. Rui Valério apresentou a Visita Pastoral como “tempo favorável” e também “terapêutico”, capaz de curar as feridas das comunidades. “Vivemos tempos de muitas feridas: a ferida da solidão, do desânimo pastoral, da falta de esperança, das divisões comunitárias”, reconheceu.

O Patriarca convidou, por isso, a abrir “as portas das nossas instituições, das nossas casas, das nossas igrejas e capelas, mas, sobretudo, as portas do nosso coração”, para que “o Senhor” transforme fragilidades “em lugares de ressurreição”.

Dirigindo-se diretamente aos fiéis, pediu que esta visita não seja “apenas um conjunto de eventos na agenda, mas um verdadeiro encontro de corações orantes”, desejando que, no final, a Vigararia da Lourinhã seja “uma comunidade mais consciente da sua missão: mais sal, para que o mundo sinta o sabor de Deus; e mais luz, para que ninguém se perca nas trevas da indiferença”.

A homilia concluiu com uma invocação a Nossa Senhora: “Maria, Estrela da Evangelização, acompanhe os nossos passos”, para que a Vigararia da Lourinhã se renove “na alegria de ser Igreja, corpo vivo de Cristo, sal da terra e luz do mundo”.

 

Tempo favorável de encontro, fé e missão

Antes da Missa, teve lugar o encontro de abertura da Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã, que decorreu também no Pavilhão Municipal João Francisco Ribeiro Corrêa, no Cadaval, e reuniu fiéis, clero, agentes pastorais, autoridades civis e representantes de instituições dos concelhos do Cadaval, Bombarral e Lourinhã.

Na ocasião, o Patriarca de Lisboa considerou que a Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã se deve focar no acolhimento, na confirmação da fé e na missão evangelizadora. “Vamos partir com esta força de oferecermos Cristo a todos”, deseja D. Rui Valério.

A celebração, na tarde deste Domingo, marcou o início de uma Visita Pastoral aguardada há mais de três décadas nesta vigararia e contou com a presença do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, acompanhado pelos Bispos Auxiliares D. Nuno Isidro e D. Alexandre Palma.

Na sua intervenção, o Patriarca de Lisboa começou por expressar uma palavra de gratidão às comunidades da Vigararia da Lourinhã, destacando o acolhimento vivido desde a chegada. “A palavra que mais temos escutado é ‘bem-vindos’ e nós respondemos: obrigado pelo acolhimento e pela hospitalidade”, afirmou.

D. Rui Valério sublinhou que esta hospitalidade é sinal de uma Igreja aberta, que acolhe todos os que se aproximam, recordando que é ao próprio Cristo que as comunidades recebem: “Esse acolhimento é oferecido ao Bom Pastor, que quer construir com cada um uma história de salvação”.

 

Visita Pastoral como tempo favorável e de confirmação na fé

Inspirando-se na prática missionária de São Paulo, o Patriarca explicou que a Visita Pastoral é “um tempo favorável, um tempo de graça”, não vivido como “fiscalização”, mas como “confirmação” das comunidades na fé. “São Paulo vinha para confirmar as comunidades na fé, que é a adesão de uma vida a uma Pessoa, Jesus Cristo”, observou.

Segundo D. Rui Valério, esta confirmação ajuda a ultrapassar a obsessão do imediato e a abrir horizontes novos: “Descobrimos que não somos destinados à terra ou a uma sepultura, mas que o nosso destino se situa no próprio coração de Deus”.

 

Fé que ilumina a vida e a leitura da realidade

Na presença da maior parte do clero da vigararia, o Patriarca de Lisboa destacou ainda a importância de uma fé encarnada, que ilumina a vida quotidiana e a leitura dos acontecimentos do mundo. Referindo-se às recentes tempestades, que têm assolado o país nas últimas semanas, lamentou que “a perspetiva da fé” seja muitas vezes esquecida no espaço público.

“Quando tenho um olhar próprio da fé, há uma certeza que me assiste: eu não estou sozinho”, garantiu, sublinhando que a compreensão crente não elimina a explicação científica, mas abre à dimensão do mistério e à presença de Deus na história. A Visita Pastoral é, por isso, também um apelo a “atuar no dia-a-dia sob inspiração da fé”.

 

A urgência da missão e o anúncio do amor de Deus

Na parte final da sua intervenção, D. Rui Valério sublinhou que toda a Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã desperta para a urgência da evangelização e da missão. “Possuímos um tesouro precioso”, afirmou, referindo-se à vida em comunhão com Cristo, “fonte de luz e de esperança”.

O Patriarca recordou que anunciar Cristo é dizer ao homem e à mulher de hoje que “não são órfãos, que não vivem no ocaso da história, mas que existem porque são amados”. E concluiu com um apelo à corresponsabilidade missionária de todos: “Vamos partir com esta força de oferecermos Cristo a todos. Conto convosco e podeis contar connosco”.

 

Retrato pastoral de um território vasto e diverso

Na intervenção de acolhimento, o vigário da Lourinhã, Padre Ricardo Jacinto, sublinhou o significado eclesial da presença do Patriarca e dos Bispos Auxiliares, afirmando que no ministério episcopal se reconhece “a sucessão apostólica e a presença sacramental de Cristo Pastor que sempre visita o seu Povo”.

O sacerdote, que é pároco do Cadaval, Peral e Vermelha, agradeceu a participação de todos os presentes, mesmo “numa tarde meteorologicamente desfavorável, mas favorável para nos encontrarmos e celebrarmos”, destacando a importância deste momento para uma vigararia que não recebia uma Visita Pastoral há mais de 30 anos.

 

Números, desafios e empenho comunitário

O Padre Ricardo Jacinto apresentou, depois, um retrato detalhado da realidade pastoral da Vigararia da Lourinhã, que abrange 23 paróquias (Alguber, Bombarral, Cadaval, Carvalhal, Cercal, Figueiros, Lamas, Lourinhã, Marquiteira, Marteleira, Moita dos Ferreiros, Moledo, Painho, Peral, Pêro Moniz, Reguengo Grande, Ribamar, Roliça, São Bartolomeu dos Galegos, São Lourenço dos Francos, Vale Côvo, Vermelha e Vilar), distribuídas por um território que se estende “da Serra de Montejunto ao Mar”, servida por 11 presbíteros e dois diáconos, com 114 igrejas e capelanias e 52 celebrações dominicais.

No último ano, registaram-se 284 batismos, 100 crismas, 223 primeiras comunhões e 636 exéquias, envolvendo uma comunidade ativa com 1364 crianças na catequese, 107 jovens e 57 adultos. A vida pastoral é sustentada por 110 acólitos, 202 catequistas, 134 ministros extraordinários da comunhão, 278 cantores e 238 leitores, além de seis Centros Sociais Paroquiais, das Misericórdias e da Cáritas Paroquial.

 

‘O Senhor visita o seu Povo’: identidade espiritual da Visita Pastoral

A Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã é vivida sob o lema bíblico ‘O Senhor visita o seu Povo’, inspirado no cântico de Zacarias, e tem como imagem central Cristo Bom Pastor. Segundo o vigário, a opção foi clara: “Não quisemos logotipo nem frases elaboradas, mas adaptar ao presente o espanto de Zacarias”.

Neste contexto, cada paróquia é convidada a rezar diariamente pelos frutos da Visita Pastoral, considerada “a primeira e mais importante tarefa”, e a manifestar publicamente a fé através da colocação de estandartes nas janelas e varandas.

No final da celebração eucarística que se seguiu ao encontro de abertura, o Patriarca de Lisboa benzeu as 23 imagens de Cristo Bom Pastor, destinadas a acompanhar o percurso da visita e a permanecer nas paróquias como memória futura.

“Afirmamos que é Cristo que vem até nós por meio do Bispo, nosso Pastor”, declarou o Padre Ricardo Jacinto, assegurando a disponibilidade das comunidades para viver “tempos de encontro, escuta, celebração e festa”.

A Visita Pastoral à Vigararia da Lourinhã vai decorrer ao longo de quatro meses e meio, até ao próximo dia 21 de junho.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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