O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, definiu o Colégio São João de Brito, em Lisboa, como “uma oficina da esperança”. Numa visita no âmbito do Dia de São João de Brito, na manhã desta quarta-feira, dia 4 de fevereiro, o Patriarca encontrou-se ainda com os alunos mais velhos, destacando a missão como imperativo cristão e fazendo o convite a transformar o mundo pela proximidade e pelo serviço ao próximo.
No pavilhão do colégio, D. Rui Valério começou por presidir à Missa solene, que reuniu cerca de duas mil pessoas, entre alunos – maioritariamente crianças e adolescentes –, professores, pais e antigos alunos. Na homilia, dirigida sobretudo aos mais novos, o Patriarca sublinhou o sentido da Eucaristia como ação de graças e destacou a importância da escola na vida pessoal e social. “A primeira coisa que hoje quero agradecer convosco é a própria escola. A escola é o lugar onde se constrói o dia de amanhã, onde se constrói o futuro”, afirmou. Na memória litúrgica de São João de Brito, presbítero e mártir da Companhia de Jesus, D. Rui Valério recorreu a uma linguagem simples e pedagógica, comparando o colégio a uma fábrica, explicando que ali se “fabrica esperança”. “O Colégio São João de Brito é um laboratório, é uma oficina da esperança”, disse, acrescentando que os alunos não estão apenas a viver o presente, mas a preparar-se para ser “os homens e as mulheres que amanhã vão ter as rédeas da sociedade”. “Somos vasos de barro, mas trazemos um tesouro dentro de nós” A partir da leitura de São Paulo, escutada na celebração, o Patriarca recordou que todos são “vasos de barro”, marcados pela fragilidade, mas portadores de um tesouro precioso. “Dentro de cada um existe este tesouro imenso: a capacidade de amar, a inteligência, a amizade, a capacidade de discernir o bem e o mal”, sublinhou. Na presença do provincial da Companhia de Jesus, Padre Miguel Almeida, e de mais 12 sacerdotes jesuítas, entre os quais o Padre Pedro Rocha Mendes, diretor-geral do Colégio São João de Brito, D. Rui Valério referiu-se à figura de São João de Brito para recordar também a dimensão missionária da fé cristã e o envio dos discípulos por Jesus. Nesse contexto, destacou a importância das relações humanas e da amizade: “O grande valor que Jesus nos dá para levar connosco na caminhada da vida não são coisas, mas são pessoas. Nós nunca podemos estar sozinhos”. “Eu preciso de vocês. Sozinho não consigo nada” Após a celebração da Missa solene e um breve convívio com a direção e administração do Colégio São João de Brito, D. Rui Valério encontrou-se com os alunos do Ensino Secundário, no Auditório de Santo Inácio, para uma conversa subordinada ao tema ‘À conversa para mudar o mundo’, que contou também com a participação da Irmã Irene Guia, da congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus. Na intervenção inicial, o Patriarca desafiou os jovens a refletir sobre o que significa ser pessoa humana no contexto atual, marcado pela tecnologia e pela lógica da eficiência. “Estamos a assimilar uma mentalidade em que a valorização da pessoa depende do que ela produz ou da sua eficiência. Isto coloca o sentido do ser humano numa grande crise”, alertou. D. Rui Valério apontou ainda a evangelização como um dos grandes desafios do tempo presente, defendendo que o anúncio do Evangelho exige proximidade e corresponsabilidade. “Para evangelizar os jovens, têm de ser os jovens. Para evangelizar a escola, tem de ser a escola”, afirmou, acrescentando: “Eu preciso de vocês. Sozinho não consigo nada”. A escuta como prioridade social e cristã Respondendo às perguntas dos alunos, o Patriarca de Lisboa destacou a escuta como uma das maiores urgências da sociedade atual. “A grande carência hoje, em termos sociais e até em termos de Igreja, é a disponibilidade para escutar o outro”, afirmou, a partir da sua experiência junto de pessoas em situação de sem-abrigo. Segundo D. Rui Valério, escutar é acolher a história do outro e reconhecer a sua dignidade. “Quando alguém partilha a sua história, não está a contar uma ‘historieta’: está a dar-se a si próprio”, sublinhou, defendendo que a escuta deve ser acompanhada por uma palavra que gere esperança. “Uma palavra pode ser decisiva para a vida de uma pessoa”, garantiu. Jovens chamados a não serem indiferentes e a “gerar Cristo” Questionado sobre como continuar a acreditar e a mudar o mundo num contexto de desigualdade e violência, o Patriarca desafiou os alunos a cultivar o sentido do belo, do bem e da verdade, e a recusar a indiferença. “Os jovens têm de ser capazes de descobrir e valorizar a beleza do mundo. Nenhum ser humano resiste ao bem, ao verdadeiro e ao belo”, afirmou. D. Rui Valério sublinhou ainda que a fé cristã se concretiza em gestos e escolhas concretas. “A grande especialidade do cristão é Cristo. Fazer acontecer Cristo na cidade passa por aquilo que fazemos aos outros”, explicou, acrescentando que o compromisso com os mais frágeis dá identidade às pessoas e transforma o mundo. O encontro terminou com um apelo aos jovens para perderem tempo com os outros, escutarem, cuidarem e se comprometerem. “É a partir da nossa decisão, do nosso interesse e da nossa ação que podemos verdadeiramente mudar o mundo”, concluiu. O Patriarca de Lisboa teve depois um almoço festivo com a Comunidade Religiosa dos Jesuítas residente do Colégio São João de Brito.![]() |
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