Na Missa do Dia da Vida Consagrada, celebrada a 2 de fevereiro, na Sé Patriarcal de Lisboa, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, sublinhou que a vida consagrada é sinal profético de que “ser homem é fazer-se dom”, convidando os consagrados a viverem como oferta total a Deus e como dádiva para a humanidade.
Partindo do mistério da Apresentação de Jesus no Templo, D. Rui Valério afirmou que este gesto de Maria e José “vai além do cumprimento da lei” e inaugura “um novo sentido ao próprio viver”, levado por Cristo “até às últimas consequências, na oferta ao sacrifício da cruz pela salvação da humanidade”. Segundo o Patriarca, em Jesus revela-se que “viver adquiriu um novo horizonte”, que não se reduz a projetos individuais, mas se centra “num Outro e em outros”.
Dirigindo-se diretamente aos consagrados, o Patriarca explicou que não é por acaso que a Igreja celebra, nesta festa, o Dia da Vida Consagrada, uma vez que o desígnio de Deus de fazer da humanidade um “Povo Consagrado ao Senhor” se realiza “primeira e profeticamente, na vida consagrada”. A pobreza, a castidade e a obediência, disse, “longe de serem prerrogativa exclusiva de uns quantos eleitos”, fazem parte da própria vocação batismal e são “estrutura do próprio ser de cada cristão”.
Ao olhar para os consagrados reunidos na Sé, D. Rui Valério afirmou ver neles “sentinelas da aurora”, testemunhas de que “Deus basta e que o sentido da vida é ser para Ele”. Inspirando-se na figura de Maria, destacou que a vida consagrada “não é um projeto pessoal de perfeição, mas um ato de pertença total”, lembrando que Maria “não retém o Filho; ela apresenta-O, oferece-O”.
O Patriarca sublinhou ainda a dimensão litúrgica da vida consagrada, afirmando que os consagrados são, por excelência, “o povo da Liturgia”. Para eles, disse, “o Altar é o centro de gravidade” e a existência deve tornar-se uma “Liturgia prolongada”, onde o trabalho, o silêncio e a caridade sejam “continuação da Eucaristia”. Alertou, contudo, que “se a nossa vida não for louvor doxológico, será apenas um ativismo vazio”.
Evocando Simeão, D. Rui Valério destacou a importância da escuta e da esperança, lembrando que “a nossa missão primeira é a Adoração”. A consagração, afirmou, nasce de uma escuta profunda, na qual “a Palavra não é apenas um texto para ser estudado, mas uma Pessoa a ser abraçada”.
Referindo-se à profetisa Ana, o Patriarca sublinhou que a vida consagrada “não é um fechamento, mas uma irradiação”, pois “quanto mais profunda for a nossa união com Deus no silêncio do ‘Templo’, mais eficaz será a nossa palavra no meio do mundo”. Num contexto marcado pelo funcionalismo e pela obsessão com a eficácia, reconheceu que a vida consagrada pode parecer “uma perda de tempo”, mas garantiu tratar-se de “uma perda de tempo abençoada”.
Na conclusão da homilia, D. Rui Valério lembrou que quem se entrega totalmente a Deus “torna-se dádiva para a humanidade” e convidou os consagrados a deixarem-se “segurar e transportar pela luz” de Cristo, na Festa da Luz. “Fomos constituídos o brilho cintilante que Cristo quer irradiar no mundo”, afirmou, pedindo a intercessão de Nossa Senhora da Apresentação para “iluminar e rescaldar o coração da humanidade”.
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