Lisboa |
73.º Dia Mundial dos Doentes de Lepra
“Perante quem sofria, particularmente perante um leproso, Jesus nunca foi indiferente”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu na manhã deste Domingo, dia 25 de janeiro, à Missa no 73.º Dia Mundial dos Doentes de Lepra e sublinhou que Jesus nunca foi indiferente ao sofrimento humano. Na celebração no Convento do Varatojo, em Torres Vedras, desafiou ainda os cristãos a serem promotores da dignidade de cada pessoa, sobretudo das mais marginalizadas.

A partir do Evangelho, o Patriarca destacou que o ser humano não foi criado para o isolamento nem para a solidão, mas para a comunhão. “Existe em cada ser humano um impulso que o atrai para a comunhão com os outros”, afirmou D. Rui Valério, recordando que Jesus assumiu plenamente essa dimensão relacional da condição humana.

Referindo-se à decisão de Jesus de ir para a Galileia dos gentios, o Patriarca explicou que se tratava de uma região marginalizada, marcada pela pobreza e pelo sofrimento. “Jesus não foge da escuridão nem das trevas. Vai ao seu encontro porque Ele é a luz que pode vencer estas trevas”, salientou, identificando entre os que habitavam essa escuridão os doentes, os perseguidos, os sem voz e, de modo particular, os leprosos.

 

O encontro com o leproso como revelação de Deus

Na reflexão sobre a lepra, neste que era o Domingo da Palavra de Deus, D. Rui Valério lembrou que esta doença era vista, no tempo de Jesus, como “uma morte em vida”, associada à exclusão social e religiosa. No entanto, sublinhou que Jesus nunca ficou indiferente perante quem sofria. “Perante quem sofria, particularmente perante um leproso, Jesus nunca foi indiferente, nunca passou ao lado”, frisou.

Na celebração transmitida em direto pela TVI, o Patriarca explicou depois que a cura dos leprosos era considerada, segundo a tradição bíblica, uma prerrogativa exclusiva de Deus, pelo que os gestos de Jesus revelam a sua identidade divina. “Se Jesus curava a lepra, é porque Ele era o Filho de Deus”, disse, acrescentando que o leproso se torna, assim, “uma ocasião de teofania”, ou seja, de revelação de Deus.

 

Um espelho para cada cristão

D. Rui Valério sublinhou ainda que a presença de quem sofre interpela também cada cristão. “Não se pode ser neutral na presença dos leprosos”, considerou, explicando que essa realidade funciona como um espelho que revela o que vai no coração de cada pessoa: ou a indiferença, ou a compaixão que gera santidade.

Recordando figuras como São Francisco de Assis e o Padre Damião, o Patriarca de Lisboa salientou na Missa no Varatojo que é precisamente no cuidado dos mais excluídos que se revela a verdadeira santidade. “É uma ocasião para que cada um de nós se revele, para mostrar o quanto de bondade existe no seu coração”, afirmou.

 

“Vinde, de vós farei pescadores de homens”

Na homilia, D. Rui Valério ligou esta mensagem à vocação dos discípulos, chamados a ser “pescadores de homens”. Segundo o Patriarca, esta missão consiste em promover a dignidade humana tantas vezes esquecida. “Jesus é aquele que toma partido, que não é indiferente face a quem padece a humilhação da falta de dignidade”, apontou.

Dirigindo-se à assembleia, destacou que este convite continua atual. “Significa que nos está a dar uma missão: sermos missionários, evangelizadores, promotores da dignidade do ser humano”, disse, insistindo que nada pode justificar a humilhação ou a negação do valor de uma pessoa.

 

Tornar-se palavra viva de Deus

Na intervenção final, após a bênção, o Patriarca de Lisboa agradeceu o trabalho da APARF – Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau e evocou uma história contada pelo próprio Raoul Follereau, sobre um doente de lepra que se sentia verdadeiramente vivo apenas pelo olhar da esposa. “Quando ela está a olhar para mim, eu sinto que ainda estou vivo”, recordou D. Rui Valério.

A partir desse testemunho, afirmou que essa é a missão dos cristãos hoje. “É como se Jesus nos estivesse a convidar a fazermo-nos Palavra de Deus”, observou, explicando que essa palavra é eficaz quando se traduz em proximidade, cuidado e amor concreto: “Esta palavra é pão da vida para os nossos irmãos e irmãs”.

 

APARF lembra que a lepra tem cura e pode ser erradicada

No início da celebração, o presidente da direção da APARF, José Domingues dos Santos Ponciano, lembrou que a lepra continua a existir e afeta sobretudo “os mais pobres dos pobres”. Este responsável sublinhou que, nos últimos 40 anos, mais de 17 milhões de pessoas foram tratadas em todo o mundo e reforçou que a doença tem cura e pode ser erradicada, desde que haja prevenção, acesso à água potável, alimentação e medicação adequada.

“Como é uma doença silenciosa, aparece sem dor, sem sinais alarmantes, é preciso preveni-la e procurá-la para que seja tratada e não alastre à família do doente e à comunidade em que estão inseridos”, frisou o presidente da Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau, uma associação fundada há 39 anos, em 20 de janeiro de 1987, por iniciativa dos Missionários Combonianos.

Invocando o lema ‘Somos peregrinos da esperança’, Santos Ponciano apelou à colaboração de todos para continuar a levar tratamento e esperança aos doentes de lepra, concretizando o ideal de Raoul Follereau: “Amar é agir”.

 

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