O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, destacou a importância da Sé, durante a apresentação da obra ‘Renascer da Sé Patriarcal de Lisboa’, da autoria do arquiteto Adalberto Dias, que foi lançada na tarde deste sábado, dia 24 de janeiro.
No claustro da Sé, o Patriarca sublinhou a vocação de acolhimento da Igreja Mãe da diocese. “É um monumento à história, um monumento à grandeza de Portugal naquilo que, em Portugal, importa ser celebrado como grande. Desde logo, esta reciprocidade, esta comunhão, esta ligação entre cultura e fé, entre Igreja e Estado, entre Estado e sociedade civil”, afirmou D. Rui Valério, na presença do Patriarca Emérito de Lisboa, Cardeal D. Manuel Clemente, entre outros convidados. Durante a apresentação do livro onde é descrito todo o processo de intervenção e investigação histórica, decorrentes das obras de restauro da Sé de Lisboa, o Patriarca lembrou ainda que Portugal “é uma nação que está muito empenhada em não fazer sentir a ninguém que provenha de outras geografias e outras proveniências que aqui é estrangeiro”. D. Rui Valério reforçou que Portugal é um “país de acolhimento e de portas abertas” e que a Sé é um “símbolo vivo” de Lisboa e do país. Resiliência O Deão do Cabido da Sé, Cónego Francisco Tito, foi um dos promotores do lançamento do livro ‘Renascer da Sé Patriarcal de Lisboa’ e destacou a importância histórica da intervenção arqueológica e arquitetónica. “Esta é a Igreja da capital do país, das primeiras mandadas edificar por D. Afonso Henriques e que tem tido uma resiliência ao longo do tempo extraordinária, porque foi sobrevivendo a vários terramotos e estas obras não foram outra coisa, são também sobreviver a mais um terramoto. Graças a Deus, esta é uma obra grande, mas minuciosa”, observou. A apresentação da obra esteve a cargo do professor Mário Varela Gomes e do arquiteto Jorge Figueira, “reconhecidos especialistas nas áreas da história, arqueologia e arquitetura, que contextualizarão a importância científica, patrimonial e cultural deste projeto”, segundo um comunicado. A iniciativa, que aconteceu no Claustro da Sé Patriarcal de Lisboa, foi promovida pelo Cabido da Sé Patriarcal de Lisboa, pelo Instituto do Património IP, pela Ferrovial e pela editora Caleidoscópio. Após a apresentação da obra, teve lugar uma visita ao espaço, permitindo dar a conhecer de forma aprofundada o trabalho desenvolvido na reabilitação e valorização de um dos mais emblemáticos monumentos nacionais. Sinopse Adalberto Dias foi chamado à recuperação da Sé de Lisboa, um desejo realizado de Afonso Henriques. Na Sé de Lisboa há, visíveis ou ocultas, várias camadas de ocupação. Não apagam completamente as anteriores, mantendo a condição de alicerce, acrescido pelo que se foi sobrepondo. Através de descobertas e surpresas no decorrer da obra, surgiram vestígios arqueológicos inesperados e, como tal, não previstos no programa inicial. Nos tempos próximos de hoje as intervenções praticadas utilizaram novos materiais: ferro e betão. O ferro prevalece no projeto de Adalberto Dias, com a sua capacidade estrutural e com a sua expressão e materialidade, completando o que à pedra e ao betão compete, numa leitura do tempo que não é a da degradação e desaparecimento, mas da continuidade na utilização ou reutilização – pedras desenterradas ou refeitas, na procura dos exemplos ainda disponíveis. A nova escada de acesso aos vários pisos, num ângulo do claustro recuperado, parece simbolizar as hesitações de hoje. Recorta-se vivamente ou quase desaparece, estendendo-se em poeira doirada e focos cortantes – e logo assumindo a evidência funcional. Adalberto Dias (e quem o acompanha) seguiu o rigoroso trabalho de conservação e ou recuperação, ou de descoberta – e de criação oportuna e transformadora. Como sucedeu ao longo dos séculos de existência da Sé de Lisboa. Álvaro Siza, in Prefácio (adaptado)![]() |
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