Na Solenidade de São Vicente, padroeiro principal da cidade e da diocese de Lisboa, o Patriarca de Lisboa desafiou a Igreja diocesana a redescobrir o rosto de Cristo nas periferias humanas e sociais da capital, sublinhando o papel central do ministério diaconal num tempo marcado pela solidão e pela indiferença.
Na homilia da Missa celebrada na Sé Patriarcal, no dia 22 de janeiro, D. Rui Valério afirmou que “Vicente, mártir da caridade, convoca hoje a Igreja de Lisboa a procurar o rosto de Cristo nas periferias da existência”, apelando a uma fé vivida no serviço concreto aos mais frágeis. Referindo-se de modo particular aos diáconos permanentes, o Patriarca destacou a sua missão como presença visível da proximidade de Cristo junto dos que sofrem. “Num tempo em que a solidão e a indiferença marcam o ritmo da nossa metrópole, o ministério do diácono permanente é fundamental para lembrar a todo o Povo de Deus que ninguém pode ser cristão sem ser servidor”, afirmou. Na presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e de diversos elementos do executivo camarário, D. Rui Valério sublinhou que a presença dos diáconos “nas famílias, nas prisões, nos hospitais e nas periferias de Lisboa” deve ser sinal de esperança e fidelidade evangélica, recordando que “Cristo nunca abandona os Seus”. São Vicente, modelo de serviço e entrega Ao longo da homilia, o Patriarca apresentou São Vicente como um modelo atual de diaconia vivida até às últimas consequências. “São Vicente não é um vestígio arqueológico da fé: é uma presença viva, um critério, um apelo”, afirmou, salientando que o santo diácono reconhecia nos pobres e feridos “um lugar de encontro com o Crucificado”. Para D. Rui Valério, a vida e o martírio de São Vicente revelam que “diaconia e martírio não são caminhos opostos: são as duas faces da mesma entrega”, num amor que restitui dignidade e comunica esperança. Servir os pobres é fazer acontecer a Páscoa O Patriarca recordou ainda que o serviço aos mais frágeis não se limita a um gesto humanitário, mas tem uma dimensão profundamente pascal. “Tocar as feridas dos últimos (…) não é apenas um gesto humanitário: é fazer acontecer a Páscoa no tempo”, referiu, sublinhando que, ao cuidar dos irmãos, a Igreja torna eficaz a Ressurreição na história concreta. Neste contexto, D. Rui Valério lembrou que “os pobres são sacramentos da presença de Cristo”, desafiando a diocese a um compromisso audaz, enraizado na oração e na confiança em Deus. Um caminho de amor rumo ao Ano da Redenção O Patriarca de Lisboa enquadrou esta missão no horizonte do Ano da Redenção, que poderá ser celebrado em 2033, afirmando que São Vicente continua a ser um guia seguro para a Igreja de Lisboa. “A verdadeira revolução (…) não se faz com armas forjadas pelas mãos dos homens, mas com o amor que se dá até ao fim”, declarou. Concluindo, D. Rui Valério deixou uma nota de esperança: “Lisboa quer ser uma diocese empenhada em vencer a morte através do amor. Quem ama como Cristo amou já possui, em si, a vida nova da Ressurreição”. Diácono Armando Dilão homenageado No final da Missa na Solenidade de São Vicente, o Diácono Armando Dilão foi homenageado pelos diáconos permanentes da diocese, “em sinal de reconhecimento”, pelos serviços prestados na diocese. “Com permissão de Vossa Eminência, e neste dia tão significativo para o Patriarcado e para os seus diáconos, gostaria de manifestar ao nosso irmão Diácono Armando Dilão, que nesta celebração vos assiste à vossa direita, ordenado no já longínquo ano de 1990, a gratidão de todos os diáconos permanentes, não só pela forma dedicada e generosa com que tem servido a nossa querida Igreja de Lisboa nas mais variadas paróquias e missões, nomeadamente na Cúria Diocesana, sendo para todos nós um exemplo e um testemunho, mas sobretudo agradecer-lhe os 23 longos anos em que foi o coordenador do diaconado permanente da nossa diocese, bem como a colaboração que tem vindo a dar, desde há 10 anos a esta parte, na formação dos candidatos ao diaconado. Em todos estes serviços, a sua solicitude, a sua competência e a sua caridade em muito marcaram e beneficiaram os diáconos do Patriarcado e assim desejamos que continue a ser por muitos e bons anos”, referiu o delegado do diaconado permanente na diocese, Diácono Duarte João. O Diácono Leopoldo Vaz, decano dos diáconos presentes na celebração e companheiro do Diácono Armando Dilão no percurso de formação para o diaconado, ofereceu, em nome de todos os diáconos, “uma edição de riquíssima beleza do Novo Testamento”. “É símbolo da beleza da Palavra de Deus que, como ministros do Evangelho, temos a missão de anunciar. Anunciá-la com a boca e anunciá-la com a vida, como o Diácono Dilão nos tem testemunhado. Bem hajas, caríssima Armando Dilão, para ti o nosso muito e muito obrigado”, concluiu o Diácono Duarte João, perante uma salva de palmas da assembleia, o abraço do Diácono Leopoldo Vaz e o cumprimento fraterno do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, ao homenageado.![]() |
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