Lisboa |
Abertura do Ano Jubilar Concepcionista
Patriarca desafia Concepcionistas a serem “videntes do invisível”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu no Domingo, 18 de janeiro, à abertura do Ano Jubilar Concepcionista, no Convento Concepcionista de Cascais, convidando as religiosas a redescobrirem o coração do seu carisma num mundo marcado pela pressa e pela distração. Na homilia, sublinhou que a vida contemplativa é um testemunho profético de atenção, presença e reconhecimento da ação de Deus na história.

“Nesta hora solene em que abrimos as portas deste Ano Jubilar, o Senhor convoca-nos a habitar o limiar entre a memória e a profecia”, afirmou o Patriarca, apontando a figura de João Batista como espelho da vocação contemplativa. A partir da Palavra de Deus proclamada, D. Rui Valério recordou às irmãs concepcionistas que são chamadas, como Santa Beatriz da Silva, a ser “luz das nações”, não por vaidade espiritual, mas como reflexo da ação do Espírito Santo.

Evocando o profeta Isaías, o Patriarca destacou que Santa Beatriz “não foi apenas uma serva que cumpriu preceitos; ela tornou-se uma luz embebida do Espírito Santo”, capaz de reconhecer a presença de Deus onde outros apenas veem deserto. Essa capacidade de reconhecimento, explicou, nasce de uma profunda comunhão espiritual: “Quem tem a luz do Espírito em si, adquire uma ‘visão profética’”.

Num segundo momento da homilia, D. Rui Valério deteve-se num detalhe do Evangelho de São João: “João Batista vê Jesus vir ao seu encontro”. Para o Patriarca, este pormenor revela um verdadeiro programa de vida contemplativa, em contraste com a cultura da aceleração. “Na cultura da pressa em que hoje vivemos, o ser humano tornou-se um nómada do imediato”, advertiu, apresentando João Batista como “o mestre da estabilidade do coração”.

“O mundo apressado já não consegue ver”, afirmou, enquanto João, parado, atento e disponível, reconhece em Jesus “o Cordeiro de Deus”. Dirigindo-se diretamente às religiosas, sublinhou que a clausura “não é um distanciamento do mundo, mas a forma mais radical de estar presente nele”, tornando-as “sentinelas que, no silêncio da oração, conseguem distinguir o passo do Cordeiro no meio do barulho das ideologias”.

Referindo a segunda leitura da Primeira Carta aos Coríntios, o Patriarca lembrou às concepcionistas a sua identidade mais profunda: “vós sois as ‘santificadas em Cristo Jesus e chamadas à santidade’”. Um chamamento que descreveu não como peso, mas como “uma união nupcial”, vivida na pertença total a Cristo, à semelhança de Maria Imaculada. “O carisma concepcionista é este mistério de pertença absoluta à Imaculada, para que, como Ela, possais ser o ostensório do Verbo”, afirmou.

Na conclusão, D. Rui Valério exortou as religiosas a viverem o Jubileu como um tempo de reconhecimento e testemunho silencioso. “A santidade a que sois chamadas é este exercício de reconhecimento”, disse, recordando que a vida humana “não se mede pela ‘performance’ ou pela utilidade, mas pela presença do Sopro Divino”.

Desejando que este Ano Jubilar seja tempo de renovação espiritual, o Patriarca deixou um apelo final: “Sede as videntes do invisível. Sede, como Beatriz, a luz que não se apaga, porque se alimenta na fonte inesgotável do Cordeiro”. A celebração terminou com a invocação da proteção da Imaculada Conceição e a confiança de que o Espírito Santo confirmará as concepcionistas na sua missão de serem, para a Igreja e para o mundo, “sentinelas da Luz”.

foto por João Costa
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