Lisboa |
Conferência ‘Para uma Igreja Sinodal Missionária’, nos Encontros de Santa Isabel
Patriarca afirma que a sinodalidade é “o modo de ser da Igreja” e inseparável da missão
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A sinodalidade não é uma moda nem um mero método organizativo, mas “um substantivo que diz o que a Igreja é”. Esta foi uma das ideias centrais da conferência ‘Para uma Igreja Sinodal Missionária’, proferida pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, na noite de dia 15 de janeiro, no âmbito dos Encontros de Santa Isabel.

No auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, o Patriarca sublinhou, logo na introdução, que falar hoje de Igreja sinodal e missionária é “entrar no coração da autocompreensão da Igreja”, recordando que a sinodalidade corresponde a um estilo de vida eclesial. Citando o Papa Leão XIV, afirmou que “a sinodalidade é um estilo, uma atitude que nos ajuda a ser Igreja, promovendo autênticas experiências de participação e de comunhão”. Segundo D. Rui Valério, a sinodalidade não é um elemento acessório da vida eclesial, mas algo constitutivo da própria Igreja: “Cristo não fundou uma associação de indivíduos isolados, mas chamou um povo, reuniu discípulos, constituiu uma comunidade”. Por isso, o “caminhar juntos” pertence à essência da Igreja, que desde os Atos dos Apóstolos se manifesta como comunidade que “escuta, reza, discerne e decide em conjunto”. Na conferência organizada pela Paróquia de Santa Isabel, em Lisboa, o Patriarca situou a sinodalidade no coração do mistério trinitário, lembrando que Deus “não é solidão, mas comunhão”. Pensar a Igreja de modo sinodal, explicou, é reconhecer que “a comunhão não é uniformidade” e que “a diversidade não é fragmentação, mas complementaridade”. E advertiu: “Aquilo que devemos temer não é a diversidade, mas a falta de espírito de comunhão e de unidade na Igreja”. D. Rui Valério insistiu ainda que não existe verdadeira sinodalidade sem missão. “O ‘caminhar juntos’ não tem como fim a própria Igreja, mas o envio”, afirmou, sublinhando que a missão desloca o centro da Igreja “do eu para o tu e, a partir daí, para o nós”. A Igreja, disse, não se expande por estratégia, mas “por efusão do Espírito”. Abordando os desafios concretos, o Patriarca reconheceu que muitas comunidades permanecem “demasiado centradas na figura do clero”, o que fragiliza o compromisso missionário de todo o Povo de Deus. Uma Igreja sinodal, explicou, exige corresponsabilidade e valorização dos leigos, clarificando que isso “não significa um recuo da ação do clero, mas a plenitude da sua missão pastoral”. Nesse contexto, descreveu o pastor como aquele que sabe estar “à frente, no meio e atrás” do povo. Na última parte da conferência, D. Rui Valério apresentou a Igreja sinodal missionária como uma Igreja da presença, marcada pelo acolhimento, pela escuta, pelo anúncio e pela conversão. “A Igreja existe para tornar Deus presente, não como imposição, mas como dom”, afirmou, defendendo uma pastoral que privilegie a proximidade, o testemunho e o acompanhamento pessoal, mais do que o ativismo ou a eficiência. Concluindo, o Patriarca de Lisboa afirmou que “a sinodalidade não é um fim em si mesma, mas a forma evangélica da missão”, lembrando que o verdadeiro protagonista da evangelização é o Espírito Santo. “Caminhar juntos, escutar juntos, discernir juntos, partir juntos: eis a Igreja que o nosso tempo espera”, afirmou, deixando o apelo a que “todos – todos, sem exceção – sinodalmente somos chamados a viver”.  

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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