A Liga Operária Católica – Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC-MTC) da Diocese de Lisboa promoveu a Celebração da Paz, que decorreu na Basílica da Estrela, em Lisboa, no passado Domingo, 11 de janeiro. O encontro teve como base de reflexão a Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz 2026, intitulada ‘A Paz esteja com todos vós. Rumo a uma Paz desarmante e desarmada’.
A celebração reuniu membros do movimento e participantes de diferentes realidades eclesiais, num momento marcado pela oração, pela escuta da Palavra e pelo aprofundamento do compromisso cristão com a paz, entendida não apenas como ausência de guerra, mas como uma atitude interior e uma forma concreta de viver e agir no mundo.
O encontro teve início com uma oração de invocação ao Espírito Santo, criando um clima de recolhimento e disponibilidade interior. A celebração terminou com a leitura da oração do Padre António Chevrier, ‘Ó Verbo! Ó Cristo!’, sublinhando a centralidade de Cristo como fonte de toda a verdadeira paz.
Após o acolhimento aos participantes, foi feito um enquadramento sobre o significado da Celebração da Paz e sobre a missão evangelizadora que cabe a cada cristão, em particular aos membros do Movimento de Trabalhadores Cristãos, chamados a testemunhar a fé no mundo do trabalho e nas realidades sociais em que estão inseridos.
Para ajudar no aprofundamento da mensagem do Papa, a LOC-MTC contou com a presença do Diácono Nuno Andrade, que exerce a sua ação pastoral na Paróquia da Lapa (Basílica da Estrela). Na sua intervenção, o diácono permanente começou por destacar a importância de os participantes terem escolhido estar reunidos para refletir sobre a mensagem do Santo Padre, colocando este momento de escuta e discernimento acima de outros afazeres do quotidiano.
Partindo do Catecismo da Igreja Católica, sublinhou que “a paz não é apenas ausência de guerra”, mas um estado que só é possível quando existe harmonia, isto é, um bom convívio entre as pessoas e com a criação. Nesse sentido, a paz surge como fruto da ordem, da justiça e da relação correta entre os seres humanos.
Ao aprofundar a mensagem papal, o Diácono Nuno Andrade lançou várias interpelações ao grupo, questionando que tipo de seres humanos somos e o que entende a Igreja quando fala de paz. Destacou, em particular, a saudação de Cristo ressuscitado – “A paz esteja convosco” – evocando o Evangelho de São João (Jo 20, 19-21) como fundamento da reflexão.
Foi também recordada uma passagem da mensagem do Papa Leão XIV, na qual o Santo Padre explica que, desde a noite da sua eleição como Bispo de Roma, quis inserir a saudação da paz como um anúncio central: “Esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente”.
A reflexão levou os participantes a questionarem se a paz é realmente possível e que tipo de paz é aquela de que Cristo fala. Dirigindo-se de forma particular aos membros do Movimento de Trabalhadores Cristãos, o diácono desafiou-os a pensarem no espírito com que apresentam as reivindicações dos trabalhadores, sublinhando que a luta pelos direitos deve ser marcada pela dignidade humana e inspirada pela bandeira de Cristo, mensageiro da paz.
Num contexto internacional marcado por conflitos armados e pelo aumento das despesas militares, foi salientado que a paz proposta pelo Evangelho contrasta com uma lógica baseada no medo, na força e na dissuasão, incluindo a dissuasão nuclear. Segundo foi referido, esta lógica traduz uma relação entre os povos fundada não no direito, na justiça e na confiança, mas na ameaça e no domínio.
O Diácono Nuno Andrade recordou ainda a fé vivida pelas gerações anteriores, destacando a forma como pais e avós transmitiam a fé cristã não apenas por palavras, mas através de atitudes, da convivência e de uma presença coerente no dia a dia. Partilhou também o testemunho da sua mãe, como exemplo de uma “paz desarmada”, capaz de olhar para o futuro com esperança, sem ficar prisioneira do passado.
Foi igualmente sublinhado o risco de uma linguagem que apresenta a aquisição de armas como solução para os conflitos, alertando para o impacto que este discurso tem nas gerações mais novas, retirando-lhes ferramentas espirituais e humanas para lidar com as contrariedades da vida e para se tornarem mensageiros de luz.
Neste contexto, foi reafirmado o papel determinante da LOC-MTC enquanto movimento cristão, chamado a ter uma palavra diferente, a afirmar a sua identidade cristã e a procurar soluções que promovam a justiça e a paz, agindo com coerência e esperança nas suas reivindicações.
A reflexão procurou responder à pergunta lançada pelo Papa: por que razão a paz é desarmante? Porque, foi sublinhado, a bondade é desarmante e a forma como nos relacionamos uns com os outros pode ser fonte de reconciliação e de superação dos conflitos.
A Celebração da Paz promovida pela LOC-MTC de Lisboa terminou com um momento de debate amplamente participado, no qual foram analisados os desafios que se colocam à vivência da paz no mundo atual. Os participantes reconheceram a necessidade de dedicar mais tempo à reflexão pessoal e comunitária, assumindo que a paz começa em cada um, no respeito pelas diferenças e na disponibilidade para a mudança interior, à semelhança do testemunho de Santo Agostinho.
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