Lisboa |
D. Rui Valério
Mensagem de Natal do Patriarca de Lisboa
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Caros amigos, boa noite: Feliz Natal! 

Agradeço a hospitalidade generosa com que me acolhem. 

 

1. Nesta noite santa, em que a memória do Natal se renova, todas as nossas palavras devem refletir a luz que irrompeu na noite da humanidade e o eco daquele anúncio que continua a atravessar os séculos. Não para falar de esperança e de paz como ideias distantes, mas para abrir, no concreto da nossa vida quotidiana, caminhos de proximidade, de união e de concórdia.

 

2. O Natal é uma chave simples, mas decisiva, que nos é oferecida para abrir, antes de tudo, as portas do nosso coração, da nossa consciência e das nossas mãos.

O coração humano, tantas vezes ferido e cansado, é chamado nesta noite a dilatar-se. A deixar que seja a compreensão, e não o calculismo, a orientar as relações entre as pessoas. Enquanto sociedade, somos convidados a olhar de outro modo para quem está perto de nós e, sobretudo, para quem é mais frágil ou parece invisível. O cuidado, a compaixão e a responsabilidade partilhada não podem ser substituídos por uma lógica fria que exclui, descarta e fragmenta.

 

3. Acede-se, pela fresta do presépio, à consciência do valor inalienável de cada ser humano. Ninguém é um número, um produto ou um recurso descartável. Cada pessoa é única, portadora de uma dignidade que nenhuma circunstância pode apagar. Independentemente da língua que fale, da terra de onde venha ou da história que traga consigo, cada rosto merece respeito, reconhecimento e a possibilidade de construir uma vida digna para si e para a sua família.

 

4. O Natal, enfim, abre também as nossas mãos. Abre-as à gratidão e ao serviço. Elevadas ao alto, elas exprimem reconhecimento pela renovada confiança na humanidade, mas também mãos estendidas para cuidar. Quantas vidas frágeis continuam hoje a ser sustentadas por gestos silenciosos de quem serve, partilha e acompanha, longe dos holofotes, com fidelidade e ternura.

 

5. Por isso, o Natal é sempre uma escola de esperança. Uma esperança concreta, que nos ensina a descobrir uma ponte onde parece haver apenas muros, a vislumbrar caminhos onde tudo parece bloqueado, a encontrar uma promessa de vida lá onde reina o desalento. Uma esperança que acredita que até nos desertos mais áridos pode voltar a florescer um jardim.

 

6. O Natal recorda-nos ainda que a paz é possível. Uma paz que não nasce da força, mas da transformação dos corações. Uma paz sonhada pelos profetas e desejada por todos os povos. É com esta luz que o nosso pensamento se dirige, de forma especial, a todos os lugares marcados pela guerra, pela violência e pelo medo. A esses povos, a todas das famílias, queremos dizer, com simplicidade e verdade: não estão sozinhos.

Nesta noite, cada um de nós recebe uma mensagem essencial: ninguém caminha sozinho. Deus está connosco. No meio das alegrias e das preocupações, das conquistas e das derrotas, renova-se a certeza de que a humanidade não está abandonada.

 

7. O presépio de Belém permanece como sinal frágil e poderoso dessa proximidade. Uma criança lembra-nos que a vida pode sempre recomeçar. Que os caminhos da história, por mais feridos que estejam, podem ser renovados por Deus e com amor. E que a paz começa quando abrimos espaço, no coração e na sociedade, para o outro.

A todos um Santo Natal!

 

† RUI, Patriarca de Lisboa

 

 

A Mensagem de Natal do Patriarca de Lisboa foi transmitida, no dia 24 de dezembro, pelas 21h00, na RTP 1 e na Renascença

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