O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa na 37.ª Festa de Natal com as Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, celebrada na manhã deste Domingo, dia 21 de dezembro, na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa, onde sublinhou que o Natal revela um Deus que se faz próximo, especialmente dos mais frágeis e invisíveis da sociedade, e que acolhe a todos, sem exceção.
Promovida pela Comunidade Vida e Paz, instituição tutelada pelo Patriarcado de Lisboa, a 37.ª Festa de Natal com as Pessoas em Situação de Sem-Abrigo teve lugar nos dias 19, 20 e 21 de dezembro e contou com a presença, no último dos três dias, do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e também da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Antes, no primeiro dia, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, esteve a visitar e a tomar uma refeição com os convidados. No segundo dia da festa, também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, passou pela Cantina da Cidade Universitária de Lisboa.
A iniciativa voltou a afirmar-se como um espaço de encontro, dignidade e proximidade, onde a celebração do Natal se concretiza em gestos de partilha, cuidado e esperança junto das pessoas mais vulneráveis da cidade.
Ao encontro do próximo
Na saudação inicial da Eucaristia, o Patriarca D. Rui Valério sublinhou que o Natal é um tempo de reencontro com o essencial da fé cristã e um apelo ao compromisso com o próximo. “Este gesto de Deus que vem ao nosso encontro é para nos mobilizar, para nos atrair, para nos colocar numa atitude de ir ao encontro do próximo, ao encontro dos irmãos”, afirmou, destacando o trabalho da Comunidade Vida e Paz como um testemunho concreto dessa atitude evangélica.
Dirigindo-se aos voluntários, o Patriarca agradeceu a dedicação e a disponibilidade ao serviço dos mais frágeis: “Disponibilizais do vosso tempo, da vossa dedicação àquele ser para quem o próprio Deus se deu todo, particularmente os mais vulneráveis e fragilizados”. Às pessoas em situação de sem-abrigo, deixou uma palavra de reconhecimento e esperança, recordando que “dentro de nós existem coisas maravilhosas, bonitas, lindas. Existe a presença de Deus que está em nós”.
São José, o imprevisto e a confiança em Deus
Na homilia, D. Rui Valério partiu da figura de São José, apresentada como personagem central do presépio neste tempo de preparação para o Natal. Recordando os projetos e sonhos do esposo de Maria, o Patriarca destacou o impacto do imprevisto na sua vida e a tentação de desistir. “Tal como São José queria retirar-se, desistir, também por vezes nós reagimos da mesma maneira”, observou, referindo-se às frustrações e quedas que marcam a vida humana.
Perante essas situações, sublinhou a importância da confiança e da esperança, ecoando a mensagem do Anjo no Evangelho: “Não temas, ergue-te, confia, continua. Acredita na vida, mesmo que nem tudo seja muito lógico”. Para o Patriarca, esta é uma palavra que “deveria hoje ecoar muito forte e chegar muito longe e muito em profundidade”, sobretudo junto de quem vive situações de maior fragilidade.
O presépio e a realidade dos sem-abrigo
D. Rui Valério convidou ainda a olhar o presépio de Belém com maior profundidade, recordando que o nascimento de Jesus aconteceu numa condição de exclusão. “O presépio contém um dos grandes sem-abrigo da história, que foi Jesus”, afirmou, lembrando que “não havia lugar para Ele na hospedaria”.
A partir desta imagem, o Patriarca estabeleceu uma ligação direta com a realidade contemporânea, marcada pela existência de “invisíveis” nas cidades e nas sociedades. “Jesus é aquele que nos diz: ‘Eu fui um sem-teto para que a ninguém falte um teto’”, explicou, precisando que esse teto é, antes de mais, espiritual: “O teto do coração. Essa é a nossa verdadeira casa”.
Num dos pontos centrais da homilia, D. Rui Valério afirmou que ninguém está excluído do amor de Deus. “Não há sem-abrigo em relação ao coração de Deus. Nós lá todos temos o nosso lugar”, garantiu, sublinhando que o Céu é apresentado por Jesus como “a casa do Pai”, onde há uma morada para cada pessoa.
O Patriarca de Lisboa reforçou que essa certeza é fonte de dignidade e esperança para todos, independentemente da sua condição de vida, recordando que Deus “acolhe e possui a todos no seu coração”.
O amor como essência do Natal
Na conclusão da homilia, D. Rui Valério destacou o amor como o núcleo do mistério natalício. “Não há Natal sem amor. A substância, a essência do Natal é o amor”, afirmou, lembrando que Deus não impõe condições para amar. “Ama-te como és, tal como tu és. Não te exige nada em troca”, sublinhou.
O Patriarca de Lisboa apelou ainda a que cada pessoa se deixe transformar por esse amor: “Deixemo-nos amar para sermos capazes de amar os outros”, convidando a acolher Jesus no coração como numa nova manjedoura. “Quando se acolhe Jesus na vida, significa que se acolhe todos os Cristos com quem nos cruzamos nas estradas da cidade, nas estradas da vida”, concluiu.
Agradecimentos e tomada de posse dos novos órgãos sociais
Após a celebração eucarística, teve lugar a sessão de tomada de posse dos membros da Direção e do Conselho Fiscal da Comunidade Vida e Paz. Na sua intervenção, o presidente da instituição, diácono Horácio Félix, agradeceu a presença de todos e destacou a Festa de Natal como “uma oportunidade de renascer”, sublinhando o papel fundamental dos voluntários, técnicos e coordenadores.
O responsável lembrou ainda os desafios financeiros e operacionais da Comunidade, apelando à continuidade do apoio institucional para que seja possível “continuar a ajudar as pessoas que estão em situação de adição a reencontrarem o seu sentido de vida”.
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