O Patriarca de Lisboa presidiu à dedicação da nova Igreja de São José do Bairro da Boavista, na tarde deste Domingo, dia 14 de dezembro, numa celebração marcada pela alegria, pela gratidão e pelo forte envolvimento da comunidade local, autoridades civis e agentes pastorais. “Um dia de alegria, de esperança e de festa”, considerou D. Rui Valério.
A nova igreja, situada no meio do bairro, passa a ser um espaço central de encontro, oração e vida comunitária no Bairro da Boavista, na freguesia de Benfica. “Hoje é realmente um dia de alegria, um dia de esperança e um dia de festa”, manifestou o Patriarca, ao sublinhar o significado do momento vivido pela comunidade.
Na sua homilia, D. Rui Valério estruturou a sua reflexão em torno de três palavras-chave: obrigado, encontro e alegria. A primeira palavra foi, por isso, de gratidão, dirigida às instituições públicas que tornaram possível a construção do novo templo. “Em primeiro lugar é a palavra obrigado, uma palavra de gratidão e de agradecimento. Desde logo à Câmara Municipal de Lisboa, à Junta de Freguesia de Benfica e também à Gebalis”, afirmou, destacando a disponibilidade e a sensibilidade destas entidades perante o desejo da comunidade.
O Patriarca sublinhou ainda que este apoio revela uma visão integral da pessoa humana: “O ser humano não é só uma questão de corpo. Não é só uma questão de psique, mas o ser humano é um todo, formado também pela espiritualidade, pela dimensão da transcendência, pela dimensão da alma”.
Gratidão à comunidade e aos sacerdotes dehonianos
D. Rui Valério agradeceu também o trabalho pastoral desenvolvido ao longo de décadas no Bairro da Boavista, em particular pela Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. “Há tanto tempo que esta comunidade caminha e ao longo de todos estes anos os sacerdotes dehonianos fizeram um labor verdadeiramente extraordinário de companhia, de presença, de atender as pessoas”, afirmou.
Dirigindo-se à comunidade cristã, o Patriarca deixou uma mensagem clara e simbólica: “Esta é a grande mensagem que esta comunidade está a dar a Lisboa, à sociedade e a Portugal: aqui há espaço, há lugar para Deus”. Para D. Rui Valério, a construção da nova igreja é “o sinal por excelência deste espaço que há para Deus”.
A igreja como lugar de encontro com Deus e com os outros
A segunda palavra destacada pelo Patriarca foi encontro. “O que é esta igreja? É um encontro”, afirmou, sublinhando que o principal motivo para entrar numa igreja é “estar com Deus, dialogar com Deus”.
Num tom pastoral e próximo, D. Rui Valério dirigiu-se diretamente a cada pessoa presente: “As tuas lágrimas terão que ser derramadas antes de mais junto de Deus, junto de Jesus, junto de São José”. E acrescentou: “Quando tu te sentires sozinho, não te esqueças que há um Pai que te atende de braços e de coração aberto”.
Este encontro com Deus, explicou, é o que permite depois o verdadeiro encontro com os outros: “Quando nós aqui nos encontramos com Jesus e com Deus, então saberemos também encontrar-nos com os outros para lhes levar uma palavra de esperança”.
O Patriarca lembrou ainda que a vocação cristã vai além da construção de um edifício: “Nós frequentamos esta casa de Deus para nós próprios nos tornarmos casas de Deus”, tornando cada pessoa “um templo do Senhor”.
O Domingo da Alegria e a alegria de Deus
A terceira palavra foi alegria, em sintonia com o Domingo III do Advento, o Domingo da Alegria. D. Rui Valério explicou que a razão profunda da alegria cristã está no próprio Deus: “Deus está alegre. A felicidade de Deus é contagiante, torna-nos alegres a nós”.
Segundo explicou, é neste contacto com Deus que os fiéis aprendem a viver com os seus sentimentos: “Um Deus que tem compaixão e por isso eu torno-me compassivo”, “um Deus que vem ao nosso encontro para nos perdoar” e “um Deus que vem para estabelecer laços de paz”.
A terminar, o Patriarca de Lisboa deixou uma mensagem de felicitação à comunidade: “Que grande prenda o Menino Jesus este ano deu a esta comunidade. Parabéns, pois, Bairro da Boavista!”.
Uma igreja sinodal ao serviço do bairro e da cidade
No final da celebração, o pároco do Bairro da Boavista, Padre Ricardo Freire, destacou o carácter sinodal da nova igreja: “Esta nova igreja é uma igreja sinodal. Nós queremos caminhar sob a condução do Espírito”.
Sublinhando o caminho feito, acrescentou: “Atravessámos muitos desertos, desejámos muito esta igreja e hoje podemos aqui celebrar. É uma comunhão de todos, todos, todos”.
O pároco dehoniano manifestou ainda o desejo de que a nova igreja seja “presença da misericórdia de Deus” e “um lugar de beleza evangelizadora”, não apenas para o bairro, mas para toda a cidade de Lisboa.
Reconhecimento das autoridades civis
A festa de dedicação da nova Igreja de São José do Bairro da Boavista teve início no salão paroquial. A meio da tarde, a comunidade foi-se começando a juntar, iniciando depois uma procissão de pouco mais de 200 metros até à da nova igreja.
No adro do novo templo, o vereador da Câmara Municipal de Lisboa Vasco Moreira Rato entregou simbolicamente a chave da igreja ao Patriarca de Lisboa, destacando depois o investimento realizado no bairro e o significado do novo edifício: “A partir de hoje passa a ser um edifício vosso, da comunidade, um edifício de partilha, de reflexão, de comunhão, de diálogo”.
Também o presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques, sublinhou o impacto comunitário da nova igreja: “Hoje é um dia de celebração da nossa comunidade que não deixa ninguém para trás nem ninguém de fora”. Para o autarca, a nova igreja é “um espaço de culto, mas muito mais do que culto, um espaço de oração, de partilha e de criação de comunidade”.
Após as palavras dos dois responsáveis políticos, o Patriarca de Lisboa abriu a porta da nova igreja e exclamou: “Entrai pelas portas do Senhor, dando graças, penetrai em seus átrios com hinos de louvor”.
A dedicação da nova Igreja de São José do Bairro da Boavista assinala, assim, um marco significativo na vida pastoral e social do bairro, reforçando a presença da Igreja no coração da comunidade.
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