Lisboa |
Exposição ‘Passado, Presente e Futuro da Ordem de Santo Agostinho em Portugal’
À descoberta do carisma agostiniano no Mosteiro de São Vicente de Fora
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Imagens antigas de Santo Agostinho, de Santa Mónica ou de Santa Rita de Cássia, os hábitos dos agostinhos, os paramentos usados nas ordenações dos últimos agostinhos portugueses ou documentos assinados pelo então superior geral Cardeal Robert Prevost (hoje, Papa Leão XIV) são apenas algumas das peças que podem ser vistas na exposição ‘Passado, Presente e Futuro da Ordem de Santo Agostinho em Portugal’, inaugurada no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, no final da tarde desta quinta-feira, dia 13 de novembro.

A mostra é organizada pela Ordem de Santo Agostinho (OSA) em Portugal e pelo Mosteiro de São Vicente de Fora, com o apoio do Patriarcado de Lisboa, e vai ficar patente até ao dia 1 de março de 2026, estando incluída no percurso da visita do museu, que pode ser visitado todos os dias, entre as 10h00 e as 18h00.

Após um ano de itinerância por todo o país, a exposição agora enriquecida com referências ao Papa Leão XIV, também ele agostinho, foi inaugurada nesta quinta-feira, dia 13 de novembro. Após um momento de oração presidido por D. Nuno Isidro, Bispo Auxiliar de Lisboa, o diretor do Museu do Mosteiro de São Vicente de Fora, Cónego Bruno Machado, falou da inauguração como um “momento de partilha entre fé, cultura e história”.

“Nesta exposição, é possível recordar a profunda influência da Ordem de Santo Agostinho na espiritualidade, na educação, na arte e no pensamento cristão, mas também conhecer melhor a Ordem religiosa a que pertence o novo Papa, Leão XIV”, apontou o sacerdote.

Na portaria deste mosteiro, o Cónego Bruno Machado destacou desde logo a ligação dos agostinhos ao Mosteiro de São Vicente de Fora. “Este é um local particularmente simbólico: aqui viveram os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, desde o início, século XII, até à extinção das Ordens, em 1834”, lembrou. Depois, convidou a “olhar para o teto da sala, que representa Santo Agostinho, lembrando-nos a sua presença e inspiração sobre nós”.

A data para a inauguração da exposição, 13 de novembro, é também “significativa”, pois é a data da celebração do aniversário de Santo Agostinho, nascido no ano 354, “o que dá a esta inauguração um sentido especial de gratidão e memória”, assinalou o responsável.

O diretor do Museu do Mosteiro de São Vicente de Fora terminou a saudação inicial desejando que a exposição “seja um itinerário de memória e de espírito”, que “ajude a valorizar o património vivo da fé e da cultura agostiniana”.

 

‘Olhar o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança’

O Padre João Silva, da Ordem de Santo Agostinho, é o curador da exposição ‘Passado, Presente e Futuro da Ordem de Santo Agostinho em Portugal’ e explicou o sentido da mostra preparada no ano passado. “Após um ano de itinerância de norte a sul do território nacional, com motivo do 50.º aniversário do regresso da Ordem ao nosso país [1974-2024], voltamos a apresentar a exposição ‘Passado, Presente e Futuro da Ordem de Santo Agostinho em Portugal’. Este projeto é o espelho de um sonho com muitos rostos, com muitas vidas, feito de muitas escolhas e opções orientadores de percursos. Se é certo o que diz Santo Agostinho que ‘ninguém ama o que não conhece’, esta exposição pretende ser não só reflexo do amor profundo de muitos – cuja marca permanece indelével nos nossos dias –, mas também um apelo a amar mais intensamente o que foi, é e será – se assim o quiser Deus – a história da nossa Ordem”, começou por explicar.

A exposição procura ser “um reflexo do que foi a Ordem em Portugal desde os seus inícios, contados oficialmente a partir de 1244”. “Um passado profícuo como poucos, chegando a Província Agostiniana de Portugal a ser contada como a mais numerosa de toda a Ordem”, assinalou o sacerdote, que é vigário paroquial (coadjutor) de São Domingos de Rana.

Por outro lado, a mostra evoca também “a memória viva de um passado próximo, de apenas 51 anos”, com o restaurar da presença agostiniana em Portugal, “após a decisão do Capítulo Geral da Ordem”. Este regresso começou na Guarda, passou por Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço e, hoje, os padres Agostinhos estão em Santa Iria de Azóia, desde 1986, e São Domingos de Rana, a partir de 2004. “É nestas duas comunidades que hoje – como outrora – as comunidades agostinianas procuram fortalecer a expressão do carisma agostiniano e a vivência do sonho de Tagaste, onde há 1671 anos – feitos hoje – nasceu Agostinho, um buscador incessante da Verdade que pela graça do Espírito Santo encontrou na amizade, no estudo, na interioridade e no serviço à Igreja – em particular, aos mais pobres e desvalidos – um caminho particular de seguir Jesus Cristo”, referiu o Padre João Silva.

Além das duas comunidades religiosas, a Ordem de Santo Agostinho em Portugal conta hoje “com três fraternidades seculares agostinianas e uma quarta em formação”, sendo “no trabalho quase diário com os jovens que, ao longo destes últimos 50 anos, os religiosos Agostinhos têm colocado o centro nevrálgico do seu trabalho pastoral”, frisou o sacerdote.

O jovem curador da exposição, de 33 anos, destacou ainda a ligação, da Ordem e da exposição, ao Papa Leão XIV. “O reerguer desta nossa exposição insere-se também, com certeza, num contexto inesperado, mas imensamente feliz, que não podemos deixar de mencionar: a recente eleição do Papa Leão XIV, irmão da nossa Ordem de Santo Agostinho, da qual foi Prior Geral durante 12 anos. Nele reconhecemos a herança espiritual de Agostinho – de quem o Papa se afirmou filho logo nas primeiras palavras dirigidas ao mundo”, observou.

“A exposição que agora inauguramos procura mostrar-nos, com orgulho e responsabilidade, o que fomos, somos e desejamos ser em Portugal… ‘passado, presente e futuro’. ‘Com olhos novos e sempre renovados’ – como nos disse o saudoso Papa Francisco na mensagem que tão generosamente nos enviou –, os Agostinhos em Portugal continuamos a viver inquietos pela busca conjunta da Verdade que tem nome e rosto, Jesus Cristo. Inspirados pelas palavras do Papa Francisco aos consagrados, esta exposição convida-nos a ‘olhar o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança’; máxima à qual acrescentamos o lema do Bispo de Hipona: ‘Com uma só alma e um só coração orientados para Deus’. Esperamos que seja de proveito, pelo menos espiritual, para quantos a visitarem”, terminou o Padre João Silva, o último sacerdote português a ser ordenado na Ordem de Santo Agostinho, em 2017, e que é o curador da exposição ‘Passado, Presente e Futuro da Ordem de Santo Agostinho em Portugal’.

 

Visita guiada

No final da sessão, o Padre João Silva fez uma visita guiada por toda a exposição ‘Passado, Presente e Futuro da Ordem de Santo Agostinho em Portugal’, que inclui também algumas peças do próprio Mosteiro São Vicente de Fora, antiga casa dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.

A entrada é desde logo assinalada com uma gravura de Santo Agostinho. Ao longo de toda a sala, os vários painéis desta mostra têm, todos eles, um QR Code que permite escutar o áudio da visita, na língua portuguesa e inglesa.

São diversos e variados os objetos que constituem esta exposição, desde imagens de Santo Agostinho, de Santa Mónica ou de Santa Rita de Cássia, dos séculos XVII e XVIII, passando pelos hábitos dos agostinhos – na versão branco e na versão preto –, até aos paramentos que foram utilizados pelos agostinhos portugueses aquando da ordenação.

Há ainda diversos documentos oficiais sobre a OSA, assinados pelo então superior geral Cardeal Robert Prevost (hoje, Papa Leão XIV), mas também por antigos Patriarcas de Lisboa, nomeadamente D. António Ribeiro e D. José Policarpo, e o símbolo da Ordem – um emblema que combina um coração em chamas transpassado por uma flecha e um livro aberto –, apresentado em diversos materiais.

Toda a narrativa histórica e a parte fotográfica fazem também parte da exposição, que termina com uma referência ao Papa Leão XIV, eleito Sucessor de Pedro no passado dia 8 de maio e que afirmou, desde logo, ser “um filho de Santo Agostinho”.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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