O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu este Domingo, dia 9 de novembro, à Missa conclusiva do Jubileu da Missão, na Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão. Na Igreja de Nossa Senhora da Boa Nova, no Estoril, apelou a que cada batizado reconheça a sua vocação missionária e permita que a graça de Deus “corra” através da sua vida, à semelhança da torrente descrita pelo profeta Ezequiel.
Recordando a visão do profeta Ezequiel, o Patriarca destacou que a água que brota do templo “é a imagem esplendorosa da Igreja”, mas também “da alma regenerada pelas águas do Batismo”. “O Batismo é o primeiro envio. Cada batizado é um missionário em potência, chamado a deixar correr em si e através de si a água-viva de Deus”, afirmou. Sublinhou ainda que a Igreja “não existe para guardar a água, mas para fazê-la correr”, defendendo que “a missão é o desaguar do Batismo, o prolongamento da graça recebida em torrente de amor”. O templo vivo que é Cristo e a Igreja A propósito da Dedicação da Basílica de São João de Latrão, D. Rui Valério lembrou que celebrar o templo significa celebrar “a comunhão viva que nos une em Cristo”. “Não uma arquitetura de pedra, mas um corpo edificado sobre o único alicerce, que é Jesus”, afirmou. Cada comunidade cristã, disse, deve ser “uma nascente deste templo vivo”, chamada a levar “a água da graça sobre as terras secas da cidade, sobre as periferias humanas e espirituais”. “O templo aberto é fonte de salvação” Desenvolvendo a imagem da torrente que atravessa o deserto, o Patriarca definiu a missão como “a água-viva do Espírito” que cura, purifica e faz florescer. “Não basta permanecer dentro do templo: é preciso que o templo se abra, que a água saia, que a graça se derrame. O templo fechado é estéril. O templo aberto é fonte de salvação”, afirmou. Retomando o apelo do Papa Francisco, recordou que a Igreja deve ser “uma Igreja de portas abertas, que não tem medo de se gastar para que outros tenham vida”. Renovação pela missão Para o Patriarca, a missão não é apenas um movimento para fora, mas uma dinâmica interior que renova quem a vive. “A missão acontece para renovar o Espírito de Cristo na vida do cristão”, explicou, acrescentando que “cada batizado é chamado a tornar-se água-viva a correr nos rios da sociedade e do mundo”. D. Rui Valério apontou a necessidade de superar “esquemas mentais e pastorais que paralisam a missão”, insistindo que a graça de Deus “é para todos, sem exceção”. Conversão e purificação: condições para evangelizar Comentando o episódio evangélico da purificação do templo, o Patriarca sublinhou que o zelo de Jesus é expressão de amor e verdade. “Só uma Igreja purificada pode ser fonte de águas-vivas. Só um coração convertido pode ser rio de misericórdia”, afirmou. “Evangelizar não é marketing espiritual, mas a irradiação natural de quem foi transformado pelo encontro com Jesus”, acrescentou. Lisboa chamada a ser “lugar de águas-vivas” No final da homilia, D. Rui Valério convidou todos os fiéis a assumirem o dinamismo missionário como caminho para a renovação da Igreja em Lisboa: “Que cada batizado se reconheça missionário; que cada paróquia seja uma comunidade em saída; que cada gesto de caridade seja uma evangelização silenciosa”. O Patriarca concluiu apontando para a esperança cristã como meta última da missão: “Corramos – sejamos missionários – como rios da graça, para que Lisboa e o mundo ‘tenham vida, e a tenham em abundância’”.![]() |
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