06.11.2025
Patriarca em missão no Mercado de Carcavelos
“Jesus Cristo é o grande ‘bate-chapas’ das amolgadelas da vida”
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O Mercado de Carcavelos transformou-se na manhã desta quinta-feira, dia 6 de novembro, num espaço de encontro e evangelização, com a presença do Patriarca de Lisboa que participou no Jubileu da Missão da Vigararia de Cascais. D. Rui Valério falou de fé, esperança e renovação interior, numa manhã marcada pela proximidade, oração e diálogo com a comunidade local, incluindo vários imigrantes recém-chegados.
Faltavam poucos minutos para as 11 horas da manhã quando o Patriarca de Lisboa chegou ao Mercado de Carcavelos para uma missão de rua. À sua espera, além do pároco, Padre Mendo Ataíde, estava também o vogal da União das Freguesias de Carcavelos e Parede Manuel Magalhães, em representação do executivo, e muitos voluntários de várias paróquias da Vigararia de Cascais, vestidos de t-shirts azuis.
Após cumprimentar cada pessoa da organização, D. Rui Valério participou na oração inicial, junto a Nossa Senhora. Depois, dirigiu-se aos transeuntes, uns mais apressados que outros, apresentando-se e procurando saber mais sobre cada um. “Estamos aqui a dar testemunho da nossa fé”, dizia.
Junto dos imigrantes
A certo momento, o Patriarca afasta-se e vai ter com um grupo de africanos, que está sentado a observar. Cumprimenta cada um e inicia um diálogo espontâneo, em língua francesa, durante mais de dez minutos. Procurou saber a proveniência de cada um, o que faziam no nosso país, apresentou o Padre Mendo e apontou para o local onde fica a igreja paroquial, situada a poucos metros do mercado.
Chegados a Portugal há muito pouco tempo, estes homens naturais dos Camarões e de países vizinhos foram depois convidados por D. Rui Valério a irem ter com Nossa Senhora. Receberam então, cada um, um terço que foi abençoado pelo Patriarca de Lisboa. O sorriso no rosto daqueles imigrantes mostrava que já tinha valido a pena a missão de rua do Jubileu da Missão na Vigararia de Cascais.
Entre cânticos dos animadores e missionários, entre os quais o pároco de Tires, Padre Andrew Prince, que entretanto se juntou à missão de rua, D. Rui Valério prosseguiu a manhã a falar e a abençoar as pessoas, num momento de partilha, fé e proximidade com a comunidade.
Como na origem do cristianismo
Numas breves palavras, o Patriarca sublinhou que a origem e essência do cristianismo começou em espaços públicos como as praças e os mercados, seguindo o exemplo de Jesus. “Sabeis que o cristianismo nasceu, desenvolveu-se, nas praças, a partir de Jesus. Parte significativa da sua vida, quando Ele esteve como Homem entre nós, na Galileia, na Judeia, era passado em praças, onde as pessoas estavam, onde se encontravam. Os primeiros cristãos era nas praças das cidades, das vilas e das aldeias que se punham a anunciar Jesus Cristo. Portanto, há um quê de reencontro com a nossa origem, com a origem do cristianismo, que nós, aqui, em Carcavelos e aqui, na Vigararia de Cascais, a reencontramos. (…) Portanto, nós viemos aqui, a este mercado, para dizer que aqui também é, em primeiro lugar, um lugar de oração, um lugar de contacto e de comunhão com Deus. E sendo assim, é também um lugar de anúncio. Nós, aqui, como numa igreja, falamos com Deus e falamos de Deus. Falamos do Evangelho Vivo que é Cristo”, explicou.
Nesta intervenção junto à feira de Carcavelos, D. Rui Valério realçou ainda a importância de Jesus Cristo como “o único restaurador e reparador das aflições da alma”. “É importante nós sabermos que quem vem a um mercado, como vieram aqui as pessoas, seja quem for, trazem sempre alguma amolgadela no coração e na alma. Ou por uma tristeza, por um fracasso, mas todos nós trazemos dentro uma amolgadela na alma. Ora, quando nós damos amolgadelas nos carros, vamos ao bate-chapas. Ele que me perdoe, mas o grande ‘bate-chapas’ da tua alma, da nossa alma, é Jesus Cristo. Nós sabemos isto, mas uma parte significativa da humanidade não sabe e é preciso dizer-lhes: para reparares e restaurares essas amolgadelas todas que tens na alma e que a vida te deu, só Cristo é que te restaura. Só Cristo é que te repara. A missão é para isto. Portanto, a gente não está aqui a pedir nada. A gente está a dar, a gente está a indicar”, sublinhou o Patriarca.
Rezar pela paz e ter esperança
A missão também incluiu a oração pela paz, com menções específicas a Gaza, Ucrânia, República Centro-Africana e Sudão, onde os cristãos são perseguidos. “Se nós continuarmos a deixar que de paz se trate só nos grandes fóruns internacionais, como na ONU e noutras ‘cenas’ do género, a paz não chega. Então onde é necessário falar da paz? Lá, onde se reza. E se nós aqui viemos para rezar, é aqui que rezamos também pela paz. Necessitamos, pois, de rezar pela paz”, manifestou D. Rui Valério.
O Patriarca de Lisboa terminou com uma mensagem de esperança baseada “na certeza da companhia de Cristo na jornada da vida”, incentivando a comunidade a avançar. “O grande propósito da missão desta Semana Jubilar foi reativar a certeza de que enquanto no coração de cada um de nós houver esperança, como diz o povo, enquanto houver esperança há vida! E nós temos essa esperança”, garantiu.
texto e fotos por Diogo Paiva Brandão