A Sé Patriarcal encheu-se neste sábado, dia 25 de outubro, para a celebração da Solenidade da Dedicação da Sé de Lisboa, presidida por D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa. Na homilia, o prelado sublinhou o profundo significado espiritual desta festa, recordando que o templo material é sinal da Igreja viva que é o Povo de Deus.
“Celebramos hoje o aniversário da dedicação desta Sé, coração visível da nossa Igreja diocesana. É um dia profundamente simbólico e espiritual, porque nele damos graças a Deus pela Sua presença viva no meio de nós”, afirmou D. Rui, no início da sua homilia. O Patriarca destacou que a dedicação de uma igreja não é uma memória do passado, mas um mistério da morada de Deus entre os homens. “Quando o bispo unge os muros e o altar com o santo crisma, o templo torna-se sinal visível da Igreja viva e santa que o Espírito consagra no coração de cada batizado”, referiu, acrescentando que cada cristão é chamado a viver consagrado a Deus e dedicado à missão. “A Sé é farol e casa de missão” Para D. Rui Valério, a Catedral de Lisboa é “sinal maior da comunhão com Deus” e “farol referencial da perpétua missão evangelizadora da Igreja”. O Patriarca evocou o espírito missionário que brota do encontro com Cristo: “A presença de Deus que entre estas paredes se respira suscita o desejo de irradiar essa presença em todo o mundo; cada um sente o apelo a partir, a fazer-se missionário nas estradas da humanidade”. Recordando as palavras da Gaudium et Spes, D. Rui Valério citou: “as alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje (…) são também as dos discípulos de Cristo”, sublinhando que a fé leva à proximidade e à solidariedade com os que sofrem. Inspirando-se também na poesia portuguesa, o Patriarca citou Adélia Prado: “Sei que Deus mora em mim como sua melhor casa”, para ilustrar que “fomos escolhidos pelo Divino para nos tornarmos mais humanos”. “O Espírito Santo é quem nos impele à missão” Ao longo da homilia, D. Rui insistiu no papel do Espírito Santo como protagonista da missão evangelizadora: “Os cristãos não se mobilizam por uma ideia, nem sequer por entusiasmo humano. É o Espírito Santo, presença viva de Cristo ressuscitado, que nos impele, que nos faz sair, que nos torna testemunhas do Evangelho”. O Patriarca de Lisboa afirmou ainda que o dinamismo do Espírito se traduz nas três dimensões inseparáveis da missão da Igreja: o Encontro, o Anúncio e a Celebração. A Sé: lugar de encontro, anúncio e celebração D. Rui Valério descreveu a Sé como “lugar de encontro”, onde o povo de Deus se reúne “não por curiosidade, mas pela certeza da presença do Salvador”. “Ninguém mais nos atrai aqui senão a presença do Senhor que habita este espaço. Ele é a cabeça, e nós, reunidos à volta do altar, somos o seu corpo”, afirmou. A Catedral é também “lugar de anúncio”, onde ressoa “a Palavra viva de Deus, que não é discurso antigo, mas voz atual que ilumina e transforma”. Essa Palavra, frisou, “ultrapassa as paredes do templo e alcança os corações cansados e desanimados”. Por fim, o Patriarca apresentou a Sé como “lugar de celebração”, onde “o encontro e o anúncio culminam na comunhão”. Citando a poetisa lisboeta Adília Lopes, recentemente falecida, lembrou: “O tempo é sagrado. O tempo é templo”. “Cada celebração é um novo Pentecostes, que reanima o coração e fortalece o envio”, afirmou. “Sermos pedras vivas da Igreja” Concluindo a homilia, D. Rui Valério convidou todos os fiéis a renovar a sua consagração pessoal e o compromisso missionário: “Que esta Sé continue a ser casa de acolhimento e encontro, escola do Evangelho e fonte de missão. E que, ao celebrarmos a sua dedicação, renovemos também a nossa própria consagração: sermos pedras vivas da Igreja e testemunhas do amor de Cristo Vivo até aos confins da terra”.![]() |
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