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Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, em Lisboa
Patriarca benze os seis novos sinos da igreja do Parque das Nações
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, benzeu os sinos da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, em Lisboa, no final da Missa da Solenidade da Santíssima Trindade, na manhã deste Domingo, dia 15 de junho.

São seis os novos sinos da torre sineira da igreja do Parque das Nações, em que o maior pesa 920 kg e o menor pesa 110 kg. Começaram a ser instalados no passado dia 8 de abril e tocaram, pela primeira vez, no Domingo de Páscoa, a 20 de abril, “anunciando a alegria da Ressurreição do Senhor Jesus”, segundo a paróquia.

Após cerca de dois meses de silêncio, os sinos voltaram hoje a tocar, após a bênção do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Um momento simbólico para esta jovem comunidade cristã, com pouco mais de 20 anos, que teve lugar mais de 10 anos após a dedicação da igreja, a 30 de março de 2014.

Nas traseiras da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, o pároco, Cónego Paulo Franco, a começou por chamar para junto de si a Dona Alzira, “uma benfeitora da paróquia”, a quem agradeceu “a oferta” para esta obra. O sacerdote sublinhou depois a importância dos novos sinos da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes.

“Hoje é, para nós, um dia de festa, porque esta igreja é dotada de novos sinos, o que nos dá uma ocasião oportuna para bem-dizer a Deus nesta celebração. De facto, os sinos estão, de certo modo, intimamente relacionados com a vida do povo de Deus. O toque dos sinos assinala os tempos de oração, reúne o povo para as celebrações litúrgicas, adverte os fiéis quando se dá um acontecimento importante, que é motivo de alegria ou de tristeza, para esta parcela da Igreja, ou para alguns dos seus fiéis. Que durante toda a nossa vida, ao ouvirmos o som dos sinos, recordemos que formamos todos uma só família, e, obedecendo ao Seu chamamento, nos reunamos todos, como sinal visível da nossa unidade em Cristo”, desejou o Cónego Paulo Franco.

A cerimónia contou com a participação de numerosos fiéis da comunidade paroquial e autoridades locais, entre os quais o presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações, Carlos Ardisson, e terminou com o tocar dos sinos, para grande alegria da comunidade cristã, em particular do pároco, visivelmente emocionado com o momento.

 

“Nada pior para o ser humano do que o isolamento"

Antes da bênção dos sinos, o Patriarca de Lisboa presidiu à Missa da Solenidade da Santíssima Trindade, na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, em Lisboa. Na homilia, D. Rui Valério sublinhou a importância da comunhão como dimensão essencial de Deus e do ser humano, alertando contra os perigos do individualismo e da solidão.

“No mistério da Trindade, Deus revela-se como comunidade, como família, não como uma realidade solitária. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo”, afirmou o Patriarca, lembrando que a Igreja celebra este ano os 1700 anos do Concílio de Niceia, que definiu a Trindade como dogma de fé.

D. Rui Valério destacou que é na cruz que Deus se revela como Trindade: “Foi na cruz que Deus se realizou como Deus Trinitário. O momento do Calvário é o momento da salvação. O Filho diz: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito’. Numa simples frase estão em ação as três pessoas da Santíssima Trindade”.

Ao refletir sobre o modo como a identidade de cada Pessoa da Trindade se constrói na relação com as outras, o Patriarca assegurou que “ninguém pode ser feliz sozinho”. “Sozinho, ninguém pode ser, ponto final. Ninguém pode ser pessoa”, garantiu. E reforçou: “Nada pior para a realização do ser humano enquanto pessoa do que o isolamento, do que a solidão, do que o estar sozinho e o querer viver sozinho”.

A relação entre as Pessoas divinas, acrescentou, deve inspirar a vida humana. “A realização da identidade de alguém como pessoa depende da sua relação com os outros. O outro tem de viver em ti, com os seus problemas e dificuldades”, observou.

Referindo-se à colocação dos sinos na igreja como sinal de comunhão e construção conjunta, D. Rui Valério explicou que a comunhão leva à participação na vida divina: “Pela comunhão com Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, tornamo-nos participantes da ação criadora, do conhecimento e do amor de Deus”.

O Patriarca de Lisboa concluiu invocando o exemplo da Virgem Maria e o testemunho de Santo Agostinho, desejando que cada cristão “seja reflexo vivo da Santíssima Trindade”, vivendo em doação, entrega e amor: “Pai, em tuas mãos eu me entrego”.

 

No coração do Parque das Nações

A Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, celebra este ano mais de uma década desde a sua dedicação, consolidando-se como ponto de referência espiritual e cultural na zona oriental de Lisboa.

Resultado da vontade de uma comunidade crescente após a Expo’98, a paróquia foi oficialmente criada em 2003, ainda sem templo próprio. “A necessidade de um espaço sagrado surgiu naturalmente, à medida que o bairro ganhava vida”, explicava, então, o pároco, Cónego Paulo Franco, impulsionador do projeto que viria a erguer-se em 2013.

Desenhada pelo arquiteto José Maria Dias Coelho, a igreja apresenta uma arquitetura moderna, de planta circular, com uma torre de 40 metros visível a partir da Ponte Vasco da Gama. A cruz escavada na fachada principal, visível a grande distância, simboliza a presença de Cristo e deixa entrar a luz natural – um gesto simbólico que “reflete a vida que brota da cruz”, segundo o arquiteto.

O interior é marcado pela arte sacra contemporânea do escultor Armindo Alípio Pinto, com destaque para o retábulo da Transfiguração de Cristo e elementos que evocam os Mistérios Luminosos do Rosário. O espaço litúrgico, centrado no altar, foi concebido para promover uma participação comunitária ativa, em sintonia com a liturgia do pós-Vaticano II.

Dedicada em 30 de março de 2014 pelo então Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, a igreja acolhe hoje centenas de fiéis. Aos Domingos, chegam a reunir-se mais de 1500 pessoas nas celebrações. A paróquia, composta por uma comunidade jovem, conta com mais de 500 crianças na catequese e cerca de 140 escuteiros marítimos.

 

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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