Lisboa |
Jubileu da Caridade
“A caridade é uma forma de Céu”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu ao encontro do Jubileu da Caridade, no Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal, que reuniu cerca de 1200 utentes de 44 instituições sociais da diocese, e destacou que “a caridade é sinal de amor, de serviço, de proximidade e de ajuda”. “A caridade é o que de mais belo, bonito e melhor existe à face da Terra”, garantiu.

Promovido pelo Departamento da Pastoral Sócio-Caritativa do Patriarcado de Lisboa, o encontro do Jubileu da Caridade decorreu na sexta-feira, dia 6 de junho, e teve início pelas 10h00, com a concentração junto à Ermida de Nossa Senhora do Socorro, que fica a cerca de um quilómetro do Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal.

Meia hora mais tarde, foi iniciada a caminhada, rumo ao santuário, que foi acompanhada pelas quatro Cruzes da Caridade que têm percorrido, neste ano jubilar, as instituições sociais da diocese. Os participantes, cada um com o seu lenço ao pescoço, percorram a pé os mais de 800 metros entre os dois templos, numa caminhada que, segundo a organização, pretendia “fortalecer os laços que unem as diferentes realidades do serviço caritativo da diocese”.

A caminhada foi percorrida ao som de cânticos, com destaque para os hinos da JMJ Lisboa 2023 e do Jubileu. Na chegada ao jardim envolvente do Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal, os milhares de caminhantes, sobretudo crianças, foram recebidos pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério.

“É com muita alegria que estou convosco. É Primavera pelas cores que vocês trazem: vermelho, verde, azul, amarelo, laranja… E isso é muito bonito, porque a nossa vida também tem de ser colorida. Todos preferimos as cores e Jesus, que é nosso amigo, também gosta muito das cores: gosta da cor da paz, o branco, gosta da cor da esperança, o verde, gosta da cor do amor, o vermelho. Tal como nós trazemos tantas cores vestidas, vamos pedir a Jesus que nos ajude a viver com as cores da paz, da alegria, da esperança, da amizade e do amor para que o mundo seja mais bonito”, pediu D. Rui Valério, dirigindo-se em particular aos utentes mais pequenos das instituições sociais da Igreja.

 

Água que transmite a vida de Deus

Já no espaço exterior do santuário, passavam uns minutos das 11h00 quando foi feita uma oração junto à futura Fonte do Jubileu da Caridade, que está em construção. “O fontanário há de brotar água, a água que não é só sinal de vida, mas que é o principal elemento para que a vida exista. Ao sermos batizados, fomos batizados no Espírito Santo, mas sobre nós foi derramada a água, para nos sintonizar não só com aquela vida da natureza, com aquela vida que nasce, desenvolve-se e depois morre, mas a água do batismo, que este fontanário também assinala, é aquela água da vida interna, é aquela água que não só nos sacia para sempre – como disse Jesus à Samaritana –, mas é aquela água que nos transmite, como sinal, a própria vida de Deus. E a própria vida de Deus é constituída por amor, a vida de Deus é constituída por esperança e a vida de Deus é constituída por fé e confiança. É por isso, então, que este fontanário está aqui para nos assinalar em que consiste o precioso tesouro do cristianismo e da fé cristã: a vida eterna, a vida de amor”, referiu o Patriarca.

Na presença das crianças e dos idosos, D. Rui Valério pediu depois que “todos dessem as mãos uns aos outros, para nos sentirmos todos irmãos”. “Da mesma forma que uma fonte é feita de tantas gotas de água, assim cada um e cada uma se sente uma daquelas gotas. Juntos formaremos o mar da esperança! Nós somos chamados a ser fonte de vida na nossa escola, nos nossos lares, nas nossas comunidades, nos nossos empregos, nos nossos grupos, lá onde vivemos e trabalhamos”, convidou o Patriarca, terminando este momento com a oração do Pai Nosso.

 

Gesto simbólico

Os responsáveis pelo Departamento da Pastoral Sócio-Caritativa do Patriarcado de Lisboa promoveram depois um gesto de cuidado pela casa comum, com a plantação de 20 árvores no futuro Jardim da Caridade. Considerando “o jardim um local privilegiado de encontro com Deus”, os organizadores chamaram então 20 instituições, que se fizeram representar pelos seus utentes, para plantarem uma árvore.

Na presença do Patriarca de Lisboa, foram entregues 20 fitas verdes, cada uma com o nome da respetiva instituição, e deu-se início à construção do Jardim da Caridade. Depois de plantada cada árvore, as instituições prendiam na nova árvore a fita verde para marcar este momento simbólico.

Após terem sido plantadas as 20 árvores, D. Rui Valério descerrou uma placa que assinala este momento particular do Jubileu da Caridade.

 

Pão, água e amor

O ponto alto do encontro do Jubileu da Caridade foi a celebração da Eucaristia, pelas 12h00, no espaço exterior do Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal. “Hoje é um dia grande, desde logo para o nosso coração, é um dia de festa também para Jesus e para Nossa Senhora, e é um dia de festa para o coração de cada um de nós, porque é o dia da caridade. É o Jubileu da Caridade! E a caridade é sinal de amor, de serviço, de proximidade, de ajuda. É realmente o que de mais belo e o que de mais bonito e melhor existe à face da Terra. E nós estamos alegres que isso aconteça na Igreja e pela Igreja de Jesus”, salientou o Patriarca, na saudação da Missa campal a que presidiu, no início da tarde, neste santuário situado no Município do Bombarral.

No jardim, protegidos do sol pelas árvores deste espaço, o Patriarca começou a sua homilia por sublinhar como o amor é “tão importante” e “tão central”. “Para viver, precisamos de pão, de água e de amor. Ora, hoje, neste dia em que celebramos o dia jubilar da caridade, estas são as dádivas que as nossas instituições, os nossos voluntários, os nossos profissionais oferecem. Pão, mas não é só pão, também roupa, mas não é só roupa, medicamentos, mas não é só medicamentos, ajudam a pagar a renda, mas não só. Quem se aproxima da caridade da Igreja, além de receber o pão, a roupa, os medicamentos, os legumes, a manteiga, recebe-se sobretudo o quê? Amor! Porque não chega o pão. É necessário este amor. E estas são as dádivas maravilhosas que as instituições, e que a caridade da Igreja, têm para oferecer. Não basta responder às necessidades do corpo ou físicas. As pessoas precisam muito mais do que isso. Precisam do amor”, explicou.

 

Evangelizar

Na presença de cerca de duas dezenas de sacerdotes e alguns diáconos permanentes, D. Rui Valério convidou depois os mais novos, em particular, a darem a conhecer Jesus Cristo. “Quando se gosta de verdade d’Ele, quando verdadeiramente se ama a Jesus, nós devemos levar outras pessoas até Jesus. Nós devemos dar Jesus a conhecer também a outras pessoas. Estão a compreender? Porque Jesus, como vocês sabem, é que é o nosso verdadeiro alimento. Aliás, Ele próprio, um dia, disse que era o pão vivo. Amar Jesus significa dar Jesus a conhecer aos outros. Dar este alimento que é Jesus às outras pessoas. E é isso, acreditem-me que é isso que a caridade da Igreja faz incessantemente. Eu acredito que todas as pessoas que vêm ao contacto com as nossas instituições, todas as pessoas que conhecem os nossos voluntários, quem se entrega a este ministério da caridade, vai mais além do que ficar com aquela noção de que o senhor José, ou o senhor António, ou a dona Maria, ou a senhora Francisca é muito simpática. As pessoas despertam para Jesus. Pensam em Jesus. E a caridade também é isto. A caridade é oferecer pão, é oferecer amor, mas fundamentalmente não se esqueçam de que o maior gesto de caridade que nós podemos praticar nesta vida é oferecer Cristo aos outros. É mais importante, acreditem-me. Eu diria que mais importante do que o pão, do que o alimento, do que a roupa, é dar Cristo”, garantiu o Patriarca de Lisboa, pedindo de seguida um aplauso aos agentes da Pastoral Social: “Por isso, eu queria que vós desses aqui uma salva de palmas a todas as irmãs e irmãos que diariamente, fundamentalmente, oferecem Cristo pela caridade. Parabéns! Celebrar a caridade, o Jubileu da Caridade, é celebrar a festa da dádiva de Cristo pelo que fazemos, pelo que dizemos”.

Na presença de 1200 utentes de 44 instituições sociais da diocese, a última palavra da homilia foi para sublinhar que “cada gesto de caridade é uma forma de Céu”. “Nunca se esqueçam disto: a caridade é uma forma de Céu. É por isso então que na vocação caridosa de serviço da Igreja, nós não estamos só a fazer esta ação em nome de um mundo melhor. Sim, um mundo melhor, mas um mundo melhor porque um mundo cada vez mais é uma imagem e semelhança do Céu, dessa eternidade de Deus. Parabéns, então. E não se esqueçam, caríssimos irmãos e irmãs que construís o sacramento, a missão da caridade da Igreja: no vosso dia a dia, que é temporal, vós estais a realizar a eternidade, vós estais a realizar o Céu aqui na Terra. É por isso então que é um dia de parabéns, de felicitações, é um dia muito belo. É um dia que nos enche de orgulho. E por tudo isto, é um dia de esperança. Sempre peregrinos de esperança, porque sempre da caridade”, terminou o Patriarca de Lisboa, escutando novo aplauso de crianças, dos idosos e dos dirigentes e agentes presentes.

 

Animação e convívio

No final da Missa campal, teve lugar o almoço piquenique, no espaço exterior do santuário, e muitos momentos de convívio. A tarde teve ainda um momento de animação, com o Padre José Luís Borga.

Segundo o diretor do Departamento da Pastoral Social do Patriarcado de Lisboa, Manuel Girão, o encontro do Jubileu da Caridade pretendia ser “uma experiência viva de fé” e “um sinal visível da esperança ativa que move a Igreja inconformada e em movimento em direção ao outro”.

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